terça-feira, 24 de setembro de 2013

Reinvenção da Alma

Vontade de reinventar minh'alma
Dar a mim um novo espírito duro
Alma que não se compadeça
Espírito que seja insensível
Cansam-me as injustiças do mundo
Cansou-me essa tristeza
Que me faz um homem triste
Quero agora uma alma alegre
Um espírito de riso e irresponsável
Que não considerem os padecimentos
Os sofrimentos dos meus semelhantes
Desejo mesmo é não ter espírito nem alma.




segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Ilusão

Ilusão é esperar muito do que se sonha
Sonhos não acontecem como no sonhado
Imaginações não se dão bem com a realidade
Elas são de outra feliz e impossível dimensão
Nesta, felicidade é apenas uma invenção.



domingo, 22 de setembro de 2013

Programa de domingo

Domingão, chuva, 
Curitiba cinza sem coração, 
Supermercado aberto, 
Baita programão.

Domingo que chora

Que saudade -- por gosto, saudade! --
Só para não perder o costume
Neste triste domingo que chora.

O ralo

Limpar o ralo é lição de humildade
Lá encontramos antigos amigos
Os desertores e teimosos cabelos
E os pentelhos do banho da tarde.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Solidão & Saudade

Não pense que a Solidão anda por aí só, abandonada
Por isso, quando ela chegar, sirva duas xícaras de chá
Uma para ela e outra para a Saudade
Sua inseparável companheira e antiga comadre.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Minha mão me dá adeus

Uma mão espalmada  e eterna
Ficou fixada na beira do caminho
Olho para o distante passado
E ainda posso ver o adeus estático

Lá está a solitária mão espalmada
Miúda, encardida e infantil
A me saudar no mais triste aceno
E sinto que não me despedi de mim

Hoje, sou outro e com saudades
Do que eu era: alegre, tão contente
Tão esperançoso, tão vivamente vivo...

...Mas tolo, rumei teimoso adiante, desatento
Sem saber que naquela mão, entre dedos
Entre macias garras, abandonara a minh'alma.


domingo, 15 de setembro de 2013

Pecados sobre a ponte

Ó homens, ó mulheres
Meus companheiros de infortúnio
Que atravessam esta estreita ponte
Estendida sobre o abismo profundo
Que liga o nascer ao morrer
Dizei-me vós, ó atordoados, explicai-me
Como é que essas podres e cínicas tábuas
Que nos sustentam
E essas finas cordas não arrebentam
Com o peso de nossos pecados?

sábado, 14 de setembro de 2013

Tempos de ódio

Há por demais insanidade
Em se falar de amor, dar e pedi-lo
Nesses nossos horrendos dias cínicos
Para se viver o amor, para ser amor
Há de se ter um cenário de rosas
De candura e certa inocência
Não há esperança no Inferno
Não há amor em tempos de ódio.

Em bar go?

Em bar
Barato
O gordo
Embarga
O prato
E o dono
Desembarga
A conta
Pediu
Beliscou
Comeu
Paga.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Silêncios que gritam

Ah, Esses silêncios
Essas quietudes que gritam
Eloquentes silêncios
Terrivelmente verdadeiros...

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Traças eletrônicas

Antigamente, os escritores temiam as traças
Morriam de medo dos incêndios
Únicos males contra a eternidade da obra
Hoje, os temores são os vírus virtuais
Traças eletrônicas que os textos comem.

domingo, 8 de setembro de 2013

Alquimista

Sou um alquimista, sempre fui
Gosto de ver a essência das coisas
Suas entranhas, suas constituições
Há muita mágica nisso
Na magia que eterno me faz o espírito.

Mentira e fantasia num mundo sem verdade

Não me peças conselhos, amiga
Pede aos poetas coisas fáceis
A Lua, estrelinhas distantes...
Uma réstia de luz...
Mas jamais receituários de vida
Há muito engodo nos que aconselham
Muita mentira e demasiada fantasia
E poetas não mentem
Porque versos são verdade
E a verdade é péssima conselheira
Neste mundo habitado pela falsidade. 

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Apenado

Estou calculando a dosemetria da minha saudade
Apartado de ti deste lado do velho Atlântico, nele
Acrescento 2/3 do sal do muito que hei chorado.

Batuque do polaco louco

A minha poesia tem mania de exageros
Uma folhinha que cai levezinha d'árvore
Explode como granada ao chegar ao chão
Só não exagera quando te sente no meu coração
Ao dizer-me em taquicardias agudas,
Em batucadas descoordenadas
Iguais às de samba composto por polaco louco
Que tu és o meu mundo e mais um pouco.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Meu riso


Chegamos ao mundo chorando e dele nos despedimos mudos -- e no meio disto, neste susto que chamamos vida, só nos resta o riso a negar essas duas verdades extremas.

Despertador Digital

Ontem acordou-me um bem-te-vi...
Quem hoje acorda com bem-te-vis?
Autômatos, frios robôs inumanos
Só despertam com bips eletrônicos.

sábado, 31 de agosto de 2013

Anjo e Demônio

Há mulheres que só o olhar é condenação e pecado. Provas incontestes que o diabo existe. Mas também há nelas um anjo escondido, dos bem safados, que nos leva ao Céu. Sabemos disso, temos certeza disso, e mesmo assim teimamos em amá-las, em sublimes danações. Do contrário, a vida não nos teria serventia, seríamos tão vazios como o escuro vácuo que jamais terá em si o brilho das estrelas.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Mistério

Sou triste, mas escrevo contente
Eis um grande mistério da poesia.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Insanos

Viver é equilibrar-se na beira do abismo
Em debilidade, em cena de insanidade
Soprando o vento para não despencar-se.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

jardineiro de coisas inúteis

Aos que desejam vida calma e tranquila
Nunca amem, nunca queiram o bem
Porque amar a quem desdenha o amor
Ajudar a quem não quer ser ajudado
É tratar com alpiste rastejantes serpentes
Na vã esperança de que um dia
Elas voem e cantem como pássaros
É regar e cultivar ervas daninhas
Em jardim condenado, sem flores.

domingo, 25 de agosto de 2013

Tempo Morto

Saudade é beijo
De um tempo morto:
Em arrepio na espinha, frio
Inexplicavelmente vivo.

sábado, 24 de agosto de 2013

Antigos quintais

Houve tempo e que já vai longe
Que uma tarde durava a vida inteira
Sim, havia Sol nas tardes que me lembro
Um calor medonho de fritar miolos
Cachorros pulguentos, sujos, ramelentos
Que se chamavam Rex, Pitoco ou Bolinha
Invariavelmente vira-latas
Cachorro de raça só inventaram depois
Houve um tempo que a simplicidade
Nascia em todos os quintais
Como um pé de manga, figo ou laranjeiras
Houve um tempo que a Esperança, moça solteira
Brincava de roda com todas as crianças da Terra.

Réquiem para coisa viva

Certas paixões
Merecem ser
Enterradas
Em cova rasa
Sem rezas
E cerimônias
De adeus
São arrependimentos
São memórias rotas

Outras paixões
Meu Deus! Outras
Que morrem
Em fingimento
Tanto e quanto
Que assombram
Até pensamento
São beijos de ausentes
Que de seus lábios frios
A morte ainda se sente.

Teto de poeta

Casa de poeta não tem teto
Nosso teto
É o Céu que cobre o mundo.

Sorvete em dia quente

Tu podes correr
Enfrentar este mundo apressado com pressa
Mas, essa pressa nos impede o gosto
A vida tem que ser saboreada
Lentamente até que se acabe o doce
A vida é sorvete nas mãos de criança
Em dia terrivelmente quente

E lá pelas tantas
Quando te restar, talvez
Apenas o rosto lambuzado
Tu cairás em ti

Chegaste ao mesmo lugar a que todos chegam
E carregado de bagagens bobas
Como um asno que não tem a consciência
Da serventia daquilo que carrega

De resto, é dar uns passinhos atrás do vento
A cuidar para que o sorvete não derreta:
A Terra é redonda e curvo é o Universo.


Liberdade

Desconfia das doutrinas que não comecem com a palavra Liberdade.