sábado, 15 de fevereiro de 2014

Soneto da minha explicação

Há em mim a cronologia das eras
Que fala pelas minhas células
Desde os primeiros tempos
Até este tempo que está em mim

Sou a energia das luzes perdidas
Que erraram espaço afora
Numa velocidade desmedida
Para se dissiparem no agora

Assim, fui condensando matéria
Partículas de um mundo infinito
Elas são comigo e são eternas

De sorte, que vago pela Terra
Cantando aos meus bons amigos
Que viver é dádiva, não é castigo.

Telefone mudo

E se a TIM deixar... Te ligo
Para falar de amor neste dia
De São Valentim e perdão
E se o amor VIVO for
CLARO, mando mensagem
Pois o preço da ligação
É um castigo, amor, castigo.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Minha Companheira

Há anos, nem lembro quando
Fiz da Solidão minha companheira
Sim, minha amiga, fazemos bodas
De todas as companhias que tive
É a que mais me deu gosto
Ela tem o carinho do silêncio
Sabe a hora de chegar e de sair
Dorme sono tranquilo e a mim se abraça
E ouve-me e me dá conselhos
Que transformo em versos
E quando me faço triste, triste
Tão triste de não mais me querer
Ela sussurra-me aos ouvidos
Lembranças tão vivas, tão vivas
A devolverem-me a vontade de viver.

Dia de São Valetim

Sexta-feira festeira
Dia de São Valentim
Um bom dia sim
Para namorar, casar
Fazer besteiras.

Bingo

A Igreja anuncia grande bingo
Beneficente
E não oferece milagre como prêmio.

Feridas

Há homens que andam pelo mundo
Em grandes temores, com medo
Maldizem os céus, suas feridas
Mas se esquecem que os céus
Têm sob si a humanidade inteira
E que homem nasce de ferimentos
E viver nada mais é do que tentativa
De sarar-se, curar-se o tempo inteiro
Sem compreender os céus e seus medos.

Sereia mal cantada

Depois de tê-la visto ao banho no mar, disse-lhe -- tu és uma sereia! -- E ela me respondeu desapontada: -- Sereia é bicho de rabo grande... -- Pois é querida, não havia notado tua exuberância... Na água só dava para ver acima de teu pescocinho...

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Sextilha do bom caminho

Vou pelo bom rumo das flores
Pelas veredas da criação
Das coisas encantadas
Seguindo quem tem coração
Caminho que dão em nada
Ou da safadeza não sigo não.


Bolsa Baderna

Como é bom ser blaquibosta
Com cabeça de alfinete
Ganhar bolsa baderna
Cento e cinquenta por cacete

Como é bom ser blaquibosta
Um bosta que faz cagada
Matar gente honesta
Por causa da mesada.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Minha bandeira é branca


A esperança é minha bandeira
Branca, branca... Paz nunca morre
Morre o poeta, morre o homem
E outro sonhador vem e a carrega.

Poesia, a alma das coisas e criaturas


Para descrever as coisas, falar sobre elas, há de se ter prestado muita atenção no mundo, caso contrário, serão descritas e faladas apenas superficialidades, aquilo que todo mundo vê. A poesia é a linguagem apropriada para esse mundo que está aí e pouca gente sente. A poesia é a alma escondida das coisas e das criaturas.
II
Falsa é a ideia de que o poeta é um aluado, que não presta atenção em nada, na realidade, ele presta atenção em tudo.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Os Conformados


Conformados apenas esperam morrer: renderam-se à insensibilidade
Eles têm dentro de si o peso do vazio que os prendem às convenções
Tristes, são homens autômatos, coisas que perderam a poesia da vida.

Trabalho & Preguiça


O homem só trabalha para deixar a preguiça cada dia mais confortável.

Vadios, porém responsáveis


Poetas são os vadios mais responsáveis sobre a Terra. Sem eles, o sonho morre.

Chatices, só para depois


Procrastinar...
Um dos verbos mais preguiçosos de nossa língua
Sim, deixa para depois
Talvez amanhã
Sem data
Sem hora
Sem previsão
Para a hora que encaixar na agenda sempre vazia
Procrastina tudo aquilo
Que te alucina e aborrece
E não te apetece
A chatice
As tolices
As bugigangas
Tanta coisa à toa...

Sê feliz
Porque viver é o que interessa

Pois no tecer inexato dessa curta vida
Só a Morte nossa hora exata tece
E essa não se posterga, não tem conversa.

Não é só isso...

Não é só isso
Não é a esmola pública que damos aos pobres
Em forma de cestas e vales que humilham
Não
Não é esse falso desenvolvimento das classes
Essa falsa sensação de consumo no crédito
Não
Não é pelo subemprego e salários de fome
Destacados em estatísticas duvidosas
Não
Não é pelos milhares de universitários que estudam
E enchem as burras dos tubarões do ensino
Não
Não é pelo miserável mestre que ensina
Sem livros em escolas caindo aos pedaços
Não
Não é pelos milhões de analfabetos fora da escola
Condenados criminosamente à ignorância eterna
Não
Não é pelos banqueiros que sorriem e dão vivas
Após sugarem o suor do trabalhador e aposentados
Não é só isso
Minha revolta é contra a mentira de um governo cínico
É contra a propaganda da mentira
Não é só isso
Minha revolta é ver ladrões, ilusionistas, enganadores
Fingindo ser este o país do milagre e das maravilhas.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Os domingos azuis



Num céu tão azul assim, o calor é o de menos
Não há do que se reclamar
Pois dos melhores domingos
Que me lembro e que comigo tenho
Todos se fizeram em azul esplêndido.

Ombro a ombro

Quando em idos tempos
Em escuridão perdidos
Coloquei meu ombro
Junto aos ombros doutros amigos
E lutei e gritei contra a opressão
Era em defesa da liberdade
E dos meus compatriotas brasileiros
Não foi para defender, hoje, bandidos.

Margarida de vida torta


Não pertenço à sombra dos shoppings de Curitiba
Sou avesso as suas falsas badalações
O puxar de saco tão falso dos tapinhas nas costas
Sou das gentes das ruas, das vilas esquecidas
Dos loucos, dos estragados, dos lázaros
Converso com os desvalidos, com os esquecidos
Trato as pessoas por senhor, senhora, senhorita
Mesmo que senhores de roupas puídas
Senhoras de vidas tão sofridas, empregadas, diaristas
E canto para a senhorita de vida torta
Como se cantasse versos para triste margarida
Nascida no vão das pedras dessas pesadas portas
Que separam o que é povo dos que têm o rei na barriga.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Liberdade de pensamento

Só existe de fato uma liberdade, a de pensamento. As outras são falsas sensações que se submetem ao dinheiro e às convenções sociais. A liberdade de pensamento só depende do indivíduo, por isso é verdadeira. Portanto, jamais apoiarei a censura, mesmo diante do mais equivocado dos pensamentos.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Tua pele na tarde quente

Tarde quente
Calor e mormaço
Tua pele grudada
Na minha, queimo-me
Em ti que ardes

II

Tarde quente, quentinha
Tu a derreter-te em suor
E eu a derreter-me
Em jurinhas de amor.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Bagagens do pensar

Pensar é ir além de si
Sair de mãos vazias
Em desrumada viagem
E voltar para si
Repleto de bagagens.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Teorema das Paixões

Toda paixão em conformidade com os índices do coração
Deve ser maior do que zero
Dentro do Conjunto dos Amantes Irracionais
Nela nada pode ser menor ou igual a zero
Mesmo que não tenha aceitável correspondente no Conjunto B
Mesmo que os pares sejam desordenados
Ela deve ser tentada na mais perfeita irracionalidade
Mesmo que seus resultados sejam indeterminados
Sem elas, tu serás o homem que apenas respira
Um conjunto de células vazias, mais nada.

A pior das memórias

Tenho a pior das memórias
A que se lembra de tudo
Das paixões, os detalhes
Todos, dos sem importância
Até o gosto na língua.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Jogo de Capoeira

Olha o tombo na ladeira
Na Capoeira se você não vai, eu vou
Vou jogar a tarde inteira
Na Capoeira se você não vai, eu vou
Cuidado com a rasteira
Na Capoeira se você não vai, eu vou
É sempre a mesma confusão
Na meia-lua e na chapa de chão
Na Capoeira se você não vai, eu vou
Só troco a minha Capoeira
E esqueço o rabo de arraia
Se for moça solteira
Um bom rabo de saia
Na Capoeira se você não vai, eu vou.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Verdade & Mentira

A esquecida verdade e a viva mentira
São palavras longas
Para que lembremos seus longos efeitos.

***
Não existem pequenas ou grandes verdades
Não existem pequenas ou grandes mentiras
São palavras que intensidades não as modificam.


O Grito

No atual estágio da vil humanidade
O grito
É o mais sensato ato de civilidade.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Do viver, a ironia


À noite faço um exame n´alma
Como um dedicado aluno sem mestre
Vejo e revejo o que aprendi
Nos rascunhos, rabiscos, croquis
Jogo fora anotações sem serventia
Mágoas, coisinhas miúdas
Picuinhas menores, vão juntas
Guardo apenas o pouco que presta
Que é muito pouco mesmo
Porque aprendi a amar o mínimo
Porém, com a intensidade de uma vida toda
E ao fechar os olhos noto
Deste viver a grande ironia
A paisagem que vejo nova todo dia
É o triste carinho do mundo que me despede.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Zé Pirulito não volta não

Eu queria fazer um samba
Que fosse alegre e contente
Mas seria mentir, minha gente
Seria mentir... Mentira, mentira...
Meu samba é dor e descontente

Mãe Maria sabe o que eu digo
Choro também seu filho, meu amigo
Que subiu o morro para virar bandido

Zé Pirulito se virava na vida
Com pouco estudo
Só tinha a marmita
Mas de tanto passar necessidade
Perdeu a simplicidade
E começou a traficar
Perdeu a simplicidade
E começou a roubar

Mãe Maria, espera na escada do morro
Zé Pirulito criar juízo e voltar
Mas pra sua dor no peito não há socorro
Mãe Maria, só faz chorar

É polícia que sobe e desce
É pancada que enlouquece
E Zé Pirulito mandou recado
Pedindo para a mãe uma prece
Diz que de lá não sai não
Só morto com os que lá estão
Cansou de humilhação
E do morro ele não desce não.

Divina

Chamava-se Divina
E realmente era
Faltavam-lhe apenas
Asas e auréolas
Mas, nos lábios
No corpo todo
Havia um certo arder
De todos os infernos.