terça-feira, 11 de março de 2014

Amo muito e te amo tanto

Amo muito e te amo tanto
Que duvido
Se sou eu, ou se sou o Amor
Quando te canto

E ao duvidar de mim
Sigo cantando
Os teus mais simples gestos
Os teus mais loucos encantos

Canto a ti
Como que sejas minha alma
Pois tu me dizes existir

Canto a ti
Como que sejas divindade
Pois tu me dás a vida.


Escândalo

Não existe o Amor contido!

O Amor que em si não cabe
E o Amor por si somente
Já são exageros d´Alma

Amor exagerado
Amor que tropeça nos próprios pés
Amor escandaloso
Amor piegas
Sempre amor
O Amor diz quem realmente vive
Ama, portanto, escandalosamente
Do contrário, passarás como o vento do nada
Soprando sobre o escândalo que é esta vida.

Cão Estropiado

Ó coração sem dono
Ó cão estropiado
Que a esmo procura
Sobras de amor
Carinhos perdidos
Cantos pra sossego.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Reencontro

¿Para aonde foi todo aquele amor, onde está guardado
Aquele fogo todo, aquele bem-queimar?
Fogueira extinta, fogo morto, só cinzas
Num frio ´´Como vai``... ´´Boa-tarde, até mais``...

Testamento (mãda)

Fiz-te um poema
Livre como o vento desta tarde
Tão claro quanto o brilho deste Sol de Março
Mas em português mui antigo
Porque sinto meu querer por ti
Anterior aos séculos, anterior a mim
A ti, mia molier
Fiz mia mãda
En o nome de Deus
Seendo sano e saluo
Per que de pos mia morte
Meu amor inda será teu.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Inferno Curitibano

Então, neste Carnaval
Vinte e seis pobres almas
Congelaram-se no IML
Vão ganhar lugar no Céu
Ao expiarem pecados
No Inferno curitibano
De violência e morte.

De cara

Olhavam tanto para a bunda dela
Que um dia ficou tão brava e puta
Que trocou a bunda pela cara
E ficou com uma linda cara de bunda.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Assossega a periquita, cumadi!

Cumadi andava no aperreio
Nas quenturas, nos devaneio
Um dia, na tarde da tardinha
Veio, se aconchegô e largô
-- Cumpadi, que calorão!

Disse que não -- tempo afrescado...

Mas daí ela me estranhou
-- Cabra, já chega seu cumpadi... Afrescado...

Olhei pro canto, de revesgueio
E vi cumpadi Aristidi
Ascuitando os passarinho
Com a violinha nos braços
Tentando imitar as vóiz dos bichinhos

Daí oiei pra muié e aconseei
Traí o cumpadi é fácil
Mas num traio amigo
Sou cabra de respeito
Toma um banho cumadi - dos frio
Assossega a periquita...

Cum réiva
Ela nunca mais falou comigo
Nem me zóia na cara

Cumpadi nunca soube disso
E assim nóis avive
Ascuitando passarinho
Espantando a safadeza da quentura
E assossegando a periquita da cumadi
Periquita reiventa que não mais canta
Nem mesmo quando tá calor
De dar nas venta..


Transfusão urgente

Triste meu olhos são
Minha alma precisa
Urgente
De uma transfusão
De alegria
Da alma tua.

Saudade, dor das dores

A minha vida foi feita de dor - dor sempre
E dor a gente não mostra, somente sente
Dor em altar, exposta, é triste vaidade
É dor que se divide em dores por maldade

Tive dores pequenas e dores enormes
Elas todas me deixaram o peito disforme
Dores de doce amor; doce que ficou amargo
Dores apaixonadas deixadas ao largo

Mas, das dores não há pior do que a saudade
Cravada como cruz na solidão da morte
Dos meus que me largaram em vazia amizade

Mas, se a soma das dores nos tira o norte
É preciso arrumar o bem na atrocidade
A fim de que se ria para se fingir forte.


Galinhada completa

Uns gostam das coxas
Uns gostam do peito
Eu gosto de tudo
Se for uma galinha
Há de ser comida
Assim e sem pena alguma
Não tem outro jeito!

Café Forte

Pela manhã
Num ritual de fé
Passo café forte
Para não me esquecer
Como devo ser
Enquanto a vida passa.

No ar




A Saudade usa o teu perfume.

Pra frente

No caminho do tempo
Só há um rumo:
O que está a tua frente
O que passou não mais existe
E ficar parado não adianta
Ele vem, passa e te arrasta.

Doido

Se queres uma vida feliz
Não contraries doido
Não insultes cão raivoso
Não ames gente infeliz.

De ônibus

Tem gente que pega táxi
Para uma estação lunar
Mas eu vou da estação
De ônibus para o bar.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Dueto de caixinhas de fósforos

À noite, já de madrugada
O aposentado cirurgião cardíaco
Era assombrado por olvidados
Corações mortos e sem salvação

Todos batiam e queriam ser ouvidos
Um batia na batida de samba
Outro batia na batida de jazz
Outo batia na batida de tango

E na confusão formada
O coração do cirurgião
Batia na batida de filme
De terror norte-americano

Mas depois se acalmava
E chamava o coração sambista
Para um dueto de batidas
Em caixinhas de fósforos.

A Arte de Escutar-te

O silêncio me aborrece, querida
Deixa eu ouvir teu coração
Quero escutar a minha vida.

Quarta-feira de Cinzas

Na Quarta-feira de Cinzas
Se desfez da fantasia
Olhou para o espelho
E viu que nele estava a pessoa
Que sem graça sempre fora
E sentiu que a realidade
Tem um enredo repetitivo
Que não disputa Carnaval.

Desfaçatez

A imoralidade desses ordinários que dizem governar o país
Chegou a tal ponto que se desculpam dos crimes dizendo
Que os deles são menores perante os outros que os antecederam
Como se fossem ladrões melhores porque roubaram pouco.

OS DEGREDADOS E OS NOVOS LADRÕES

Olhai, meus amigos. Olhai, meus irmãos
Este vasto Atlântico que banha Portugal
É o mesmo oceano desconhecido e abissal
Que trouxe lágrimas de sal a esta nação

Trouxe-nos ele os grandes heróis Cruzados
Que aqui não ficaram
Pois em naus buscavam em todos os mares
As glórias passageiras deste mundo cão

A todo torrão encontrado
Faziam erguer  uma Cruz
E partiam em busca doutras terras
Apenas por Netuno guiados

Mas por desgraça e vontade dos Ceús
Foram essas mesmas naus
Que suportaram o açoite das tempestades
Que aqui deixaram os degredados, os condenados vis
Para escravizar os nativos e formar governos desonrados
Legando aos que viriam triste herança moral de seus crimes
Perpetuada nas leis que penalizam o povo
E livram os verdadeiros ladrões do cárcere.

Assim se formou nossa pátria
Errada e  já tardiamente
Paraíso tropical, que nunca deu certo
Pois o que a governa despreza
O suor de sua honrada gente
E a rouba e a escraviza e a submete
Descaradamente, vergonhosamente

De tal sorte que, qualquer governante
Salvo os poucos decentes
Teve nos degredados
O exemplo que fez seu
Pois sua índole nunca foi heroica
Antes foi sempre má e indecente.

¿Ó Portugal, grande pátria da minha ancestral língua
Pátria de homens de valor, de gente trabalhadora e boas leis
Por que nos levaste quase todos os bons e nos deixaste os trastes?

terça-feira, 4 de março de 2014

Poeta sem remédio

Amor para um cego que não vê caminho
E anda a cambalear mesmo em clara via
Foi-me dado na vida, mas neguei carinho
Para não me prender, para ser poesia

Cederam-me também cadeira numa mesa
A fim de que contasse a vida dos políticos
Coisas de economia, cálculos e aspereza
Ou os que morrem em gráfico torto e analítico

Pagaram-me dinheiro para esses trabalhos
E depois bom descanso e sono com o tédio
Nas promessas de sossego quando grisalho

Mas nada disso quis, a morte e seu assédio
Por trocados eu não mais escrevo e emporcalho
A sina de poeta pobre e sem remédio.

Chuva no Carnaval de Curitiba (2014)

¿Quem convidou a chuva este ano?
¿Quem a trouxe para a festa de Momo
A marcar o batuque curitibano?
Chuva cai
Chuva cai
O que era ruim
Vai ficar mais
Chuva cai
Chuva cai
O que era ruim
Vai ficar mais
Chuva cai....

O pão que mastigo

Sou o miserável poeta
Imerso nas vis angústias
Desta abjeta vida incerta
De macambúzios versos
Escritos de antemão
Pelas frias mãos dos deuses

Escravo dessas deidades
Que meu pão mastigam
Amanhecido e estragado
Pelas lágrimas dos sofridos
Mastigo o pão mastigado
E o vomito por castigo

E pelas mãos lambuzadas
No vômito incontido
Vazam-me versos infetos
Dos excrementos infames
Daqueles que nos dominam
Pela escravidão e rapina

Sou o miserável poeta
Que a alma se compadece
Desse nosso povo pobre
E que se não fosse a sina
De escrever como castigo
Furaria os próprios olhos.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Vale dos Poemas Perdidos

Há um vale desconhecido,
Que me falaram ficar
No meio da Serra do Mar,
Para os poemas perdidos.

Ontem, sei, perdi mais um.
Veio-me à noite, no sono
Querendo coroa e trono
E eu sem lápis algum.

Era bonito, simpático
E o deixei seguir a esmo
No meu sonho sorumbático

Hoje, nada sei do mesmo
Que errático deve estar
Triste na Serra do Mar.

Lavrador de enganos

MOTE ALHEIO

De amor e seus danos
Me fiz lavrador
Semeava amor
E colhia enganos.

GLOSA

Se fosse um ser lógico
Talvez eu soubesse mais
De amor e seus danos

Mas sou coração
E em terra árida teimei
Me fiz lavrador

Nesse pelejar
Nos duros inférteis solos
Semeava amor

Vida de amarguras
Nada de nada ganhava
E colhia enganos.

domingo, 2 de março de 2014

A dor de minha alma

MOTE ALHEIO

A dor que a minha alma sente,
Não na saiba toda a gente.

GLOSA

Ah, se tu soubesses
A dor que minha alma sente,
De mim terias dó

Ao me rir a escondo,
Não na saiba toda gente:
Dói-me viver só!

Não és minha

Sei que não és minha
E nunca serás
¿Mas que custa ao vento
Imaginar
A montanha um dia levar?

Poeta Maldito

-- És maldito, Poeta! -- me acusais

-- Sim, digo e vos respondo com gosto:

Malquisto pelos que governam
Roubam-nos e nos insultam
Mas bendito pelo povo querido
Poeta doutra forma, lambe-saco
Não tem valor nem serventia
É uma farsa, fiasco, um impostor!

A mulher sensual

Existe uma linha tênue separando vulgaridade da sensualidade. Mulheres inteligentes são sempre sensuais e isso sem precisar tirar a roupa.

II

A sensualidade usa um perfume chamado mistério, mistura de leves aromas de desafio, inteligência, ternura e um tiquinho da essência de crueldade.