sábado, 18 de outubro de 2014

Em vão

Vão é vazio que abisma
E quantos vão
Em vão levando a vida.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Salmoura nos olhos

Mesmo que do mesmo feitio
Nem tudo é igual.
Sal mais água é salmoura,
Entre continentes é oceano,
Mas se dos olhos em saudades cai,
É triste lágrima, é desengano.

Assim, teus olhos que perdidos vão
Pelos longes além de ti e tanto
Não escondem que deles são
As águas do salgado Atlântico.

Peitos suspeitos

Peitos suspeitos e falsamente bonitos
Perfeitos clones carnais de silicone
Guardam teu coração artificial e postiço
Eivado do vazio das vaidades plásticas.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Despierta

Despierta y dile adiós a la nada que te guía
La vida es otra cosa, simple, simple
Embutida en un lapso de tiempo tan corto
Que no tenemos tiempo de amar la nada.

(Versão para o espanhol de Félix Coronel)

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Dos atributos e virtudes

Não há sabedoria em ter uma opinião formada e imutável. Dentre as criaturas, somente o homem tem noção de sua existência. Só o homem reconhece virtudes nos outros: boas ou más. O problema é que as coisas e os outros existem sem quaisquer necessidades dos tolos atributos que damos a eles. Portanto, sentir o que se vive, no instante em que se vive, é mais importante do que rotular e criar preconceitos para a vida toda. Nós mudamos, as coisas e as pessoas mudam. A sabedoria reside nessa percepção.

Porta estreita

Estreita a porta de teu coração
Para que morem nele
Somente aqueles que têm carinho e zelo por ti.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Adiós

Decir algo antes del adiós
Es casi premeditar un crimen
Es hacer sufrir sufriendo
Es matar matándose.

Decir algo después del adiós
Es cavar una tumba sobre otra tumba
Es confesar un pecado sin perdón
Es tratar de retener al viento con las manos.




(Versão para o espanhol de Félix Coronel)

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Dizer algo antes do adeus
É quase que premeditar um crime
É fazer sofrer sofrendo
É matar matando-se


Dizer algo depois do adeus
É cavar uma cova sobre outra cova
É confessar um pecado sem perdão
É tentar segurar o vento com as mãos.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Bárbara vida, Bárbara

                                                                               In memoriam

A vida foi bárbara contigo, Bárbara.
Uma bala perdida te encontrou
Na saída da aula, perdida e bárbara.
Foi bala da polícia, foi bala doutros bárbaros?
Fato é que não és mais entre nós
E esta Primavera certamente será triste,
Porque no jardim faltará sempre
O botão da flor que começava a florescer.
Bárbaro tempo este nosso, Bárbara,
Em que os violentos encomendam flores,
O sorriso de fortuitas flores, para enfeitar o céu.

Pagando o pato

A vida é um breve ato
Em que o infeliz vivente
Se faz ordinária moeda
E no final paga o pato.

Amor 100%

Na casa das moças perdidas
O índice de confiança
Do amor jurado é sempre 100%
Eterno, até acabar o dinheiro do trouxa.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Chuvas de Domingo

Entre um pingo e outro pingo d'água
Tu choras, Curitiba se alaga
Fica a mágoa, vai-se o Domingo.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Bundão primaveril

A bunda andante
Abundante
Visão do inferno de Dante
Diante de meus olhos
Segue errante e adiante
Por entre as flores da Rua das Flores
Nesta fria manhã primaveril.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Mais uma Primavera

Estás a acrescentar
Mais uma Primavera
Em tua vida
Eis o que importa
O resto são
Folhas mortas!

Poesia é o tato do espírito

Nos últimos séculos, a poesia sofreu a ditadura da forma, dos românticos aos concretos, poetas do mundo todo usaram a forma como camisa-de-força. Hoje não damos tanto importância à forma. Pois redescobrimos o óbvio: o segredo da poesia (que não é segredo para ninguém!) não está apenas na forma, mas na intensidade da mensagem e no equilíbrio entre sílabas fortes e fracas, ou seja, na cadência do verso. Os poetas gregos e romanos já sabiam disso ao desenvolverem todos os temas universais que perduram até nossos dias.

Assim, não obstante a tecnologia que se utilize, falamos de amor como falou Ovídio, cantamos o nosso tempo com igual intensidade de Catulo ou Camões, em pretensa modernidade, na soberba infantilidade de nos pensarmos fora dos paradigmas poéticos construídos por séculos. A poesia é nossa alma e se tem alguma coisa que nunca vai mudar é a alma humana, e por mais que o tempo passe, ela será a mesma sempre.

O sentir de hoje, dentro de nossos corações, é o mesmo sentir do homem da caverna que tateou o lado exterior da montanha em que se abrigava, em medo, susto e êxtase, ao se descobrir dentro de um contexto cada vez mais inexplicável, principalmente ao mirar os astros e as estrelas. Poesia é, portanto, a forma que encontramos de dar explicações ao que não se explica, de dizer o que não foi dito; é acrescentar em nós mesmos mais do que nossos cinco carnais sentidos, dando sutil tato aos nossos espíritos.

sábado, 20 de setembro de 2014

Ir, lusitano verbo

Essa vontade de sempre ir além
Nos faz seguir
Ignorando os perigos
Vaticinados nas irregularidades
Do mais lusitano dos verbos.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Ser diferente

Tanta gente tentando ser diferente.
Ah, se soubessem que neste mundo
Para se ser diferente basta ser gente!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Almas leves

Aliviai vossas almas com o que dais
Quanto mais cedidas em amor
Elas se farão mais leves.

sábado, 13 de setembro de 2014

Alto mar

              to
Em     al      mar
                 n
As       o        das
São os arrepios
Do     v e n t o.

Distâncias

Amor
tão                         longe
Saudade
tãoperto.

O que conta

O que conta
Não é o início nem o fim da caminhada
O que realmente conta
É saber apreciar a paisagem.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Flor latente

Se dizes antigo amor ter esquecido
Tu mentes
Amor não se esquece, arrefece
Ele vive
Em saudade, como flor latente
Em espera
Para florar em oportuna Primavera.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Las aguas del amor

Beber de las aguas del amor
Es siempre tener sed
Una sed que nunca se acaba.

(Versão para o espanhol de Félix Coronel)

11 de Setembro

Rancoroso e odioso tempo em que vivemos
Diz-me uma mariposa que foge deste poema.
Não há luz, ela reclama, brilhos de encanto
Nas baionetas caladas, no fuzil que canta
Nos planos das carnificinas de novas guerras
Que hão de calar, como sempre, o canto dos pássaros
E, em asco, tornar maldita toda voz que na paz teima.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Todos são poetas

Aos 15 anos, todos são poetas. Aos 18, alguns continuam poetas. Porém, aos 20 anos, boa parte dos nascidos poetas se obriga a viver o que outros apelidam de realidade, a qual não passa de pobre invenção dos homens de ásperos espíritos, esses que colocam preço em tudo -- tolos, que nos deixam igualmente tolos e doentes do espírito, a nos venderem a suposta cura embutida em inutilidades artificiais. Assim, poucos continuam no caminho da convivência natural com as coisas que valem a pena e, principalmente, da magnífica convivência com o próprio espírito, com a nossa alma e essência humana, ou seja, com a poesia da vida.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O castigo do Vento

Por entre as vagas e ondas
O Mar brame teu nome
E o Vento ao castigar-me, diverte-se
Trazendo-me aos meus ouvidos
O que tolamente pensei ter esquecido.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Das coisas que não cuidei

Se te amei?
Sim te amei e como amei!
Mas, miseravelmente falhei,
Namorei a flor
E das raízes não cuidei.

Añoranza, dolor de los dolores

Mi vida fue hecha de dolor - dolor siempre
Y dolor uno no lo muestra, apenas lo siente
Dolor en altar, expuesto, es triste vanidad
Es dolor que se divide en dolores por maldad.

Tuve dolores pequeños y dolores enormes
Todos ellos me dejaron el pecho disforme
Dolores de dulce amor; de dulce quedó amargo
Dolores apasionados dejados a lo largo.

Pero, de los dolores no hay peor que el de la añoranza
Clavado como cruz en la soledad de la muerte
De los míos que me dejaron en vacía amistad.

Pero si la suma de los dolores nos sacan el norte
Es preciso arreglar el bien en la atrocidad
A fin de que se ría para fingirse fuerte.


(Versão para o espanhol de Félix Coronel)

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Matéria escura

Procuro tua matéria no escuro
Sigo teus suspiros, risos e ais
Sou tato a procura do prazer exato.

Inexplicáveis

Um grande problema
Que não adianta indagação
Por mais que se negue,
Por mais que se diga não,
Somos existentes, sem atinar
Nossa inexplicável dimensão.