sábado, 23 de janeiro de 2016

Tremedeira

Cismado, abalei-me
Com este amor terremoto
Ao te ver, tremo.

Coração roubado

E tu que desapareceste na penumbra da noite,
Depois de me roubar o coração exangue,
Saibas que ele a mim não faz falta.
Falta faz ao cardiologista, pobre e sem grana,
Que faturava horrores, com os eletrocardiogramas.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

O andarilho e as pedras

Neste longo caminhar por onde caminho
Descobri que há mais amor nas flores e nas pedras
Do que nos corações dos homens.
O homem inventa-se a si mesmo, na vaidade
Ah, as pedras e as flores são o que são
Em simplicidade, em natureza!

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

O amor é justo



Injustiça e Ingratidão geram o ódio.
O amor
É justo
É grato.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Cuidado, ó infeliz!

Cuidado ao dizer
"Eu te amo"
Que pode ser prelúdio
Da sinfonia de uma vida inteira
Às vezes feliz...
Por vezes infeliz, apenas.

sábado, 16 de janeiro de 2016

Contrastes

O Sol alegre lá fora
Meu coração triste aqui dentro
Ó vida, como adoras contrastes!

Alma pintada

Tenho a alma pintada
Com a cor do zarcão
Para não ser enferrujada
Como foi meu coração
Hoje amo a mesma mulher
Que amei há tantos anos
Não é um amor qualquer
É um gostar cigano
Desses que com a vida vai
É um amor verdadeiro
É um amor tirano
É um amor que de mim não sai
Porque não o desejo noutro plano
É o amor de minh'alma
É o amor que a mim não é engano.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

A arte dos meus amigos

Hoje acordei em calmaria
Sentido-me como sereno verso
do Zeca Corrêa Leite
Como traço que desconstruiu coisas antigas
E se fez novo numa tela da Maze Mendes
E o meu dia pintou-se nas vivas cores
De uma aquarela da Latif Salin
Ouvi depois o canto do pássaro
Que saltava dos mosaicos da Magaly Floriano
E me espiava do vitral em luz, imitando
O tilintar dos vidros coloridos
Justapostos por Nelson Martins.

Vá, mas sem a chave

Deixei-te sair do meu coração
Vá, aqui estavas a contragosto
Vá, e não leves a chave
Porque hei de encontrar
Quem por ele tenha carinho e gosto.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Lav'alma

Os céus nos dão os dias de chuva
Para que nos guardemos ensimesmados
E a aproveitemos em grande faxina n'alma.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

"Treme-treme"

Encontrei-a no elevador
E ao ver suas formas
Descobri porque o prédio
Chamava-se "treme-treme"
Acontece que a moça de boa vida
Costumava levar trabalho
Para seu apartamento
Epicentro de terremotos
Provocados por pulos e gritos.

Abraço o vento

Abraço o vento
Que traz teu cheiro
É um abraço de saudade
Em teu perfume denso.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Chora, Novembro

Vai, Novembro Na minha cidade, te despedes molhado Molha-me, Novembro Nas lágrimas incontidas de teus medonhos dias Na lama que desceu o morro e ganhou mares e rios Na morte que chegou aos ermos, Aos pacatos, aos inocentes Na chuva longínqua de chumbo do terror dos fanáticos Arfa, Novembro, em tuas derradeiras horas Chove, Novembro, com tua tristeza que nos envolve Chora, por toda violência que deram-te Por todo mal que fizeram-te Chora, Novembro, chove.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Meu ranchinho está vazio (Chora viola)

Meu ranchinho está vazio
Chora viola
Meu coração apertado
Chora viola
A tristeza me venceu
Chora viola
O mundo entristeceu
Chora viola
Quando você me largou
Chora viola
E levou tudo que é seu
Chora viola
E me deixou a saudade
Chora viola
As lágrimas na minha boca
Chora viola
No último beijo seu
Chora viola
É o amargor que levo agora
Chora viola...
A amargura desse adeus
Chora viola...


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Das intenções do amor

Em nossos corações O amor nos surge em intensidades E intenções Tem o amor-carinho Fraquinho Mas que pode crescer Tem o amor-gratuito Grátis mesmo Que damos sem pensar no porquê Tem o amor-paixão Que surge violento, arrasador E vai embora como chegou Tem o amor-danado Aquele que damos Sem o outro merecer Tem o amor-bandido Que é dado e recebido Mas que nos cobra sofrimento Tem o amor-eterno Que gruda em nossas vidas Já pensando na outra vida E tem o amor-amor Aquele que, sem pedir licença Vem e fica e nos faz viver. Em todo caso, amai Viver sem isso, sem amor É fazer da vida desperdício.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

A grandeza do homem

A grandeza do homem
Não está apenas em perdoar o imperdoável
A grandeza do homem está em compreender
Que todo mundo erra, inclusive ele.

Explicações

Não preocupo-me mais em explicar o Universo e suas leis
Tão pequeno sou para isso
Quero apenas explicar-me o rubro de teu rosto quando te vejo
Tão contente sou com isso!

O caçador de preá

Quando vim pra Curitiba
Passei frio, passei fome,
Me cobria com um trapo,
Que todo orgulho consome.

Sonhava - Rato ou calango? -
Às vezes, queria magro preá,
Para o bucho sossegá,
Roncando, cheio de ar.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Mula brava

Monto esta mula brava,
Sina a me escoicear,
E meu medo é cair
Sem nem experimentar
Essa tal felicidade
De que tanto ouvi falar.

Se a amei?

Se, por longos anos, a amei?
Se, por muitos anos, continuarei?
Ah! Meu Senhor, 
Se feliz sou? Ah! Serei!?
Ah! Não sei... Ah! Não sei!

sábado, 7 de novembro de 2015

Finados

Dia de puxar assunto
Na reza para os defuntos
Amados finados, amados.

Dissimulada

Era tamanho o oceano de mentiras
Encrespado pelo vento da dissimulação
Que ela nunca alcançou, ou alcançaria
O amor ancorado no meu coração.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Borboleta em verso

Um verso que lembra a Primavera
Se finge de colorida borboleta
E arrodeia-te pedindo teu aroma de flor.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Prova de vida

Andava roto e morto, sem graça
sem contentamentos
Sem amores, sem sonhos
Para o hoje e para o depois

As lembranças
A saudade do pouco doce havido
Do amargo sofrido
O procuravam em raros momentos

Morrera na pior morte possível
Na morte em que tudo ao redor se faz vivo
Precisava para si, urgente
Produzir uma prova de vida.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

O mausoléu

Passaste a vida
Recolhendo para ti
Os tesouros do mundo
E agora que a vida passou
E dela te ausentaste
De que valeu?

Se os teus já dividem
A tua fortuna
Sobre a tua lápide
Em belo mausoléu
Que mandaste erguer
Para descanso de teus ossos

Ao longe chegam, vês?
Os últimos abutres
Que mastigarão tua carne
Em longa noite
Que tu terás
Apartado das lembranças
Daqueles amores gratuitos
Das flores agrestes
Da beleza do simples
Que nunca quiseste.
Negaste. Passaste. 

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Meu Espírito foge

Sei que meu Espírito me escapa
À noite segue por escuridões
Mas tudo vê em mundo que não sei

Com quais energias trava contato?
Com quais anjos conversa?
A quais demônios despreza?

Em qual dimensão isso se faz?
Não sei

Só sei que me volta outro
Sempre contente e rico
E me desperta na manhã
Em injustificado contentamento
Com a minhas miseráveis condições
De homem, de carne e de poeta.


domingo, 18 de outubro de 2015

Dos porcos e burros

Para o porco
É dado único destino
Na lama ele terá o seu fim

Para o burro
O fim é um pouco diferente
Com a canga e o capim

E assim dita a natureza
Não adianta perfumar porco
Nem alimentar burro com jasmim.


Desgosto

Desgosto é desgosto
Sofre-se perto dele
Longe dele sofre-se.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Ciumenta

Olhei para o céu e ela me disse:
"Pare de olhar para a bunda dos anjos!"
Ciumenta, porém muito religiosa!

Belos são os dias

Belos são esses dias que temos em vida
O segredo: não deixe ninguém enfeiá-los.