domingo, 21 de fevereiro de 2016

Cruz da infância

Na infância, fiz cruz de madeira para tumbas de cemitério
Naquela minha iniciação na arte da marcenaria
Aprendi as primeiras letras no que era escrito nela
E principalmente aprendi que nome grande ou pequeno
Nome de rico ou de pobre, na cruz sempre cabia.

Fígado e coração

Faço a contabilidade dos sábados vazios
E vejo que meus bons amigos partiram
Deste mundo em riso, sem seus fígados e em sacanagem
Deixaram nas minhas mãos seus corações.

Tempo dos ignorantes

Dessa roubalheira toda, uma coisa fica evidente
Que o marketing político nos vendeu essa gente
Ignorante, baixa e que chegou até a presidente.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Prego e Martelo

Impossível mudar o destino do martelo
Se ele nasceu para isso
Para bater sua dura cabeça no prego.

***
Imposible cambiarle el destino al martillo
Si él ya nació para eso
Para golpear su dura cabeza en el clavillo.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Dos infindos aos infindos



O Universo é pulsante
Forças invisíveis
Fazem vibrar seus tímpanos
E rebumbam os bumbos celestiais
Dos infindos aos infindos
E energias tonais, guturais 
Percorrem o absoluto, o vácuo
Em ondas contínuas
Que dão harmonia ao caos.
Assim, sabemos da orquestra 
Mas de quem é a música?
Mas quem é o maestro?

Abismo ao invés

O Céu é um abismo ao invés
Mas a ciumenta Terra                                             as estrelas
Que nos namora os ossos                     e abraçar
Desde o nosso nascimento        flutuar
que não nos deixa nele cair...

Animais domesticados

O homem domesticou os animais
Por milênios deu a eles ensinamentos
Os animais aprenderam muito
Porém desprezaram o que enfeia o homem
A falsidade, o egoísmo, e sua grande capacidade de mentir.

Medíocre defunto

E aquele medíocre defunto
Está morto e não sabe
Comemora a nova casa, o novo túmulo.

Ondas

Ondas sonoras
Ondas gravitacionais
Música das galáxias
E nos meus ouvidos
A doce onda de tua voz.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Adultos que ensinam a mentir

A mentira pode até ser perdoável numa criança, jovem ou adolescente. Imperdoável, porém, nos adultos que os ajudam a mentir, estes verdadeiros doentes, aqueles apenas aprendizes destes hipócritas dementes.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

A vaidade dos ingratos

A ingratidão mora nos corações dos vaidosos,
Saibas que eles jamais irão te agradecer por tudo que fizeste.
Mas mesmo assim, ajuda-os. A vaidade amarga o coração deles,
Enquanto o amor engrandece o teu, em doçura, em tuas preces.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Mensagens do vento Noroeste

Abro a minha janela para o mundo
E sinto em meu rosto o vento Noroeste
Que me traz notícias do distante
E eu daqui mando flores para quem precisa
Mensagens nos bons-dias que a todos desejo
É no querer-bem que faço meus dias
Ao mostrar minha rua florida
Nas mornas tarde de chuva
Ou no calor das noites quentes
Para que outras almas sintam nestas simplicidades
Que não há complexidades
Que não possam ser vencidas
Se no peito se carrega grande amor pela vida.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Curta vida

O tempo que se perde é irrecuperável e se a vida é curta, ela se tornará ainda mais curta.

A luta da poesia

Luta inglória da poesia, que pensa ser capaz
De fazer caber todas as palavras do mundo,
Em palavra de amor e de única sílaba: Paz.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Conversa com a jana

Os sonhos não nos querem adultos. Adultos não sonham, tem pesadelos. Crianças sonham e como sonham!

prefiro o abismo do que um caminho reto e sem surpresas, cheio de tédio!

É melhor viver com as asas cheias de remendo por cair do que nunca ao menos ter tentado voar!

Cicatrizes no coração são prova de vida. Quem não as têm, não viveu.

Vou por qualquer caminho

Eu vou por qualquer caminho
Decido neste caminhar
Se é p'ra lá ou p'ra cá
Com a morte a nos espreitar
A vontade do andarilho
É não parar de caminhar.

(arrumar a métrica e desenvolver)

Amante manhosa

A poesia é amante manhosa,
Faz biquinho, desfeitas,
Mas sempre nos procura!

Na base do chinelo

Poema que nasce torto
A gente arruma a martelo
Sujeito que nasce torto
Nem com surra de marmelo.

Perdido no Boqueirão

Perto do aeroporto
Perdido nas ruas do Boqueirão
Durmo no hotel
Ou durmo no avião?

Vocação para Jó

Não tenho vocação para Jó
Mas minha fé cristã é testada todos os dias
Por mais que a vida esteja ruim
(e esta é contradição!)
Ela, a fé, cresce infinitamente 
Em meu coração.

Vexame de amor

A loucura saudável nos prescreve
Pelo menos um vexame por dia
De preferência, vexame de amor.

Faxina no coração

Livra-te daquilo que te faz mal
Faça uma faxina em teu coração
E leve, descobrirás que as nuvens
Não são inatingíveis não!

Capim e dissimulados

Capim em jardim bem cuidado não nasce
Assim como o falso amor dos dissimulados
Em coração alertado não vinga.

No cabo de enxada

Só quem puxou um cabo de enxada
Dia após dia, Sol após Sol
Sabe o que é ter uma alma honesta.

Quem ama teme

O homem destemido
Aquele que não teme nada
Nem mesmo a morte
Certamente nada ama


O amor nos faz tementes
Porque não queremos perdê-lo
Tememos deixar a vida
Tememos que nosso amor a deixe


E estes temores são os horrores
De quem ama e vive.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

A luz que me beija

Na noite, quando a escuridão me chega
Componho poema negro, de medo
Que invariavelmente rasgo e queimo

Aguardo assim a manhã em sonolência...
E nos primeiros acordes dos passarinhos
Na dança alegre das joaninhas e borboletas
Sinto o escuro que me deixa e a luz que me beija
Devagarinho, em carinho para acordar

É quando empresto as cores do arco-íris
Para encantar o pássaro, a joaninha e a borboleta
Em poemas doces que canto da minha janela
Para que todos o oiçam em esperança

Oiçam, peço, mesmo em dia de chuva
Em manhãs cinzentas e tardes molhadas
O meu manso canto que sai deste peito cansado
Misturado a monotonia dos pingos d'água
Encantamento para afastar tristezas
E que tenta dar a nossos dias, tristes dias
A alegria de um mundo solidário e encantado. 

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Napoleões de hospício

Ter a profunda consciência
Da própria humanidade
E do fato de estar no mundo
Transformaria-nos, a todos,
Em napoleões de hospício,
Não suportaríamos a verdade.

A feminista do lupanar

Fez um curso meia-boca
na faculdade de fundo de quintal
Decorou o discurso fácil
das cartilhas e almanaques
Mostrou íntimas partes
em passeatas a protestar
E hoje, em decadência
num lupanar
Lamenta-se, se descabela:
"Ninguém nunca me chamou de Beauvoir!"

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Sartre, o corno manso

Em filosofia, há o chifre de Beauvoir, sartriano
Que aqui no Brasil é conhecido, há muitos anos
Como corneada em cabra manso.

Vulgaridade e classe

Tirar a roupa e ser vulgar
Não faz de mulher alguma
Uma Simone de Beauvoir
Que tinha classe e sabia pensar.