Sonhei contigo, Cariño Vieste doutro Multiverso Por certo e ficaste tão perto
Belisquei-me para saber-te real Neste meu Universo de padeceres Desencantado e troncho
Vieste para ficar, bem o sei Pois trazias contigo teu cão E teu coração doente exposto
Trouxeste-me ramalhetes de rosas Roubadas do meu jardim Que há anos deixei de cultivar
Mas, ao me beliscar Machuquei-me tanto Que, miseravelmente, acordei
Mas, como pode, estavas aqui Conversaste comigo, sorriste E dividiste o mesmo travesseiro?
Na escuridão, apanhei os óculos Olhei para o relógio, madrugada E do meu lado, tu não estavas.
Esvaneceste em ais, Cariño Foste em fumaça, diáfana Pelas veredas atemporais.
A cobra é cega e lisa, menina Nasce com uma só cabeça Mas como não tem ombro Mente que é só ali nas coxas Nas beiras, e neste bem-bom Escorrega e está feita a besteira!
Tenho quase pena do Vírus Sujeito popular e poderoso Porém sem reino, esse tinhoso Não é vegetal, nem mineral E muito menos animal Por assim ser e não ser Em revolta faz estragos Deixa-nos doentes Divagadores em febre Em noite de sexta-feira Em dias de festa, alegres Mau, ele ignora Xaropes, sulfas, sopinhas E até mesmo antibióticos Vem sorrateiro, o lazarento Trazendo com ele Sua prima Gripe Morfética e ardente E que nos força A dormir com ela Em cama quente.