Bandido amor que, em assalto Levou-me tudo que fui e sou Nos passos de um tango de Gardel Meu sangue, meu céu, minha energia E pior, até a minha carteira vazia.
Surrado, com várias escoriações Meu coração foi registrar queixa Na Delegacia de Crimes Hediondos Passional vítima de paixão violenta Incapaz, ao sofrer com teus caprichos À Justiça pediu e exige providências.
Fiz um poema elogiando femininos encantos Poema de homem para mulher Mas, disseram-me para não entregá-lo à infeliz Feminista das ortodoxias dos pelos debaixo do braço Dessas que não gostam de ser amada Nem mesmo em versos Ah, pobre tempo esse que vivemos Do estúpido modismo das cartilhas De se carregar tudo quanto é bandeira Menos a flâmula do natural amor. Pensando bem, o conselho é ótimo Não gosto de gastar boa tinta Em papel ruim.
Nesta fria manhã desperto
Com o beijo de uma réstia de Sol
E pela janela vejo o branco campo
Congelado ao pé da Serra
O vento sussurra-me sonatas de Bach Como se me sussurrasse ao pé do ouvido Que o importante em cada dia É o que está nos dias desde todo o sempre E que desprezamos tolamente.