sexta-feira, 28 de julho de 2017

Sonhos vendidos

Muitos de minha geração
Venderam seus sonhos
Os meus, amigo meu
São meus até o fim!

Leis naturais



Nunca vi amargura
em quem entende, com sabedoria, as leis naturais da existência.

Bunda-lume



O sapo informa:
Vaga-lume se dana
Porque acende a bunda.

Para sempre

Como é denso, forte e triste
O para sempre
Que mora dentro do adeus.

Chuva no rio



Um rio pode seguir seu curso por séculos, mas uma simples tempestade altera o que pensávamos eternidade. A vida é inconstância.

Genética



Estudar genética
Para saber que somos todos primos
E que alguns são humanos.

Autêntico

Autenticidade: não ter a mínima vontade de agradar, porque a verdade não agrada a quem vive na mentira.

Bandido amor

Bandido amor que, em assalto
Levou-me tudo que fui e sou
Nos passos de um tango de Gardel
Meu sangue, meu céu, minha energia
E pior, até a minha carteira vazia.

Paixão sem tesão

A flor apartada da água definha
Paixão sem tesão
É como viver junto sem companhia.

Pele prata



Nua, a pele tua
Apelo prata
Em noite de Lua.

Vela enfunada

O vento frio enfuna o lençol
Vela de proa no quintal
Espera o Sol para te aquecer.

Há de florir

A teimosa joaninha diz-me:
"Breve é o Inverno
O jardim há de florir".

Se beber



Se beber, não digite!

Punhal



A vida me ensinou a resistir
A olhares iguais aos teus
De paixão armada de punhal.

Custódia

No teu coração
Quero
Prisão domiciliar.

Vai-se

Cariño, o domingo vai-se
Sem ti, Cariño
E sem teus carinhos, vai-se.

Onde?

Onde está a verdade?
Geralmente, diante de nossos olhos
Basta abri-los.

Maltratos

Surrado, com várias escoriações
Meu coração foi registrar queixa
Na Delegacia de Crimes Hediondos
Passional vítima de paixão violenta
Incapaz, ao sofrer com teus caprichos
À Justiça pediu e exige providências.

No ar, teu perfume

Sonhei contigo, Cariño
E juro estar sentido no ar
Desperto, ainda o teu perfume.

Papel ruim

Fiz um poema elogiando femininos encantos
Poema de homem para mulher
Mas, disseram-me para não entregá-lo à infeliz
Feminista das ortodoxias dos pelos debaixo do braço
Dessas que não gostam de ser amada
Nem mesmo em versos
Ah, pobre tempo esse que vivemos
Do estúpido modismo das cartilhas
De se carregar tudo quanto é bandeira
Menos a flâmula do natural amor.
Pensando bem, o conselho é ótimo
Não gosto de gastar boa tinta
Em papel ruim.

Sempre hoje

Bela, tu és esta manhã que nasce
Do dia mais importante de todos
Hoje, sempre hoje.

Perdoar

Perdoar é dar uma nova chance para nós mesmos.

Branco campo

Nesta fria manhã desperto
Com o beijo de uma réstia de Sol
E pela janela vejo o branco campo
Congelado ao pé da Serra
O vento sussurra-me sonatas de Bach
Como se me sussurrasse ao pé do ouvido
Que o importante em cada dia
É o que está nos dias desde todo o sempre
E que desprezamos tolamente.

Curitiba fria



Em Curitiba de tudo se morre
Assalto, acidente, bala perdida
Mas, a mais triste morte vem do frio
Dos corações indiferentes.

Acolher

Acolher significa devolver a quem se acolhe a esperança.

Caridade

Caridade que se faz e que se revela é vaidade apenas.

Beirada



Não se desespere, se você está na beirada é porque você ainda não está dentro do abismo.

Seu bem



A fria noite vem
Feliz daquele
Que tem o calor
E o bem de seu bem.

Medalha

Desconfie de poeta que ganha medalha por bom comportamento.

Escolhas



Tu serás eternamente responsável pelas tuas escolhas
Inclusive pelas erradas; principalmente pelas erradas.