
Ao final do ano,
Todos deveriam
Fechar o coração
Para balanço.
A conta deve ser feita
Na praia, se possível,
Antes de se pular as ondas,
Numa contabilidade solitária.
E dentre os ativos,
Passivos, imobilizados
E restituições,
Na soma
E subtrações,
O resultado
Esperado
Tem que ser um só:
Saldo negativo,
Um deficit medonho
Ao se saber
Que se deu amor
Além da medida
Desejada e querida
Pelos egoístas sovinas,
Que só amam a si,
Ou talvez, nem isso.
Nesses números finais
Jamais espere
A contrapartida.
O verdadeiro amor
Jamais espera paga,
Deve ser gratuito
E desinteressado.
E depois, na vida,
Em que nos danamos
A acumular bobagens,
Este é o único capital
Do espírito
Que, ao ser dado,
Não se faz prejuízo.