Toda manhã sou carregado pela tristeza.
Abro a janela e vejo uma velha senhora
Vestida de trapos a revirar o lixo.
Abre saquinho por saquinho, escolhe...
Dias há, em que suas netinhas a acompanham
No frio, com roupas gastas, desbotadas,
Menores do que o tamanho dos magros corpinhos.
Carregam caixas, restos de outras casas,
Restos de outras vidas menos miseráveis.
Para uma, o futuro nada foi além de sobras,
Para as outras, o futuro será feito de lixo.