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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Vontade em tempos de Web

Nunca aprendi a conviver com a distância,
Odeio apartar-me do que gosto;

Antigamente, quando o distanciamento era grande,
Eu sangrava as saudades com uma carta
Ou, se tivesse dinheiro - porque dizer "alô" era caro -
Fazia interurbano, mandava telegrama,
Sinais de fumaça e batuques de índio americano.

Hoje tenho facilidades instantâneas,
Mando e-mails, deixo scraps,
Faço o diabo no Twitter, Facebook e Skype.

Mas creio que nada disso modifica
Essa minha louca vontade pré-histórica
De sentir o tremor de teu corpo
Quando de leve te mordo a língua!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Rosa dos Ventos


E assim segue a vida
Carregada pelos perigos
Empurrada pelo vento
Ao Cabo das Tormentas

Tateia as ondas do mar
O marinheiro cego
Com os apontamentos
Da Rosa dos Ventos

Mas o rumo se faz
Inseguro e incerto
Para quem tem coração
Para quem sente como sinto
A mudança das marés
No trocar de direção

Marujo não lance âncora
Ouça o seu capitão
Estamos em pleno mar
Não quero parar mais não
Quero seguir pros abismos
Quero ver onde vai dar
As águas da criação

Quero navegar pelo tempo
Quero ver o que não vi
Remar pelo que não sei
E por fim me descobrir.

domingo, 3 de julho de 2011

Vestido vermelho


Cheguei em casa e lembrei d'ocê
Do seu vestido trágico e vermeio
Cheio de flor a voar também
No forró apertado, no vai-e-vem

'Cê 'tava que 'tava, da festa a mais bonita
Ficamos só nós dois no salão
No frio imenso e aquele calorão
Dançar sem música, ninguém acredita!

Sandaia de couro, chapéu de vaqueiro
Vestido de chita trágico e vermeio
Forró arroxado, ai que desespero
Sodade d'ocê e 'ocê não vem!