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terça-feira, 29 de março de 2011

O que enfeita o mundo


Banha-te de água de cheiro,
Coloca teu vestido novo,
Aquele brinco esquecido
E vamos passear:
Ver este mundo doido,
Agora meio sem graça,
Com sua carranca cansada
De tanto mal, de tanta calamidade.

E não esqueças de teu sorriso!
Algo na paisagem, minha bela,
Há de ser alegre, contente.

Vou contigo,
Cansei da minha janela.
Nela o mundo é melancólico,
Chove todo dia
E as gentes que por ela passam
São banhadas pela tristeza
Que cai do céu de meus dias.

Vem, dá-me a tua mão,
Preciso que alguém me guie
Pelas ruas tomadas de monotonias.

Preciso de tua companhia
Para reconhecer o que esqueci:
As simplicidades, as banalidades;
E em mim, aquele velho menino
A ver em tudo o novo, novidades.

Vem, a rua é convite para teu cheiro bom,
Para teu vestido colorido, para teu doirado brinco...
Vem, o mundo precisa se enfeitar de ti.