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segunda-feira, 29 de setembro de 2008

A doença do verso

De vez em quando, poeta,
Só para justificar a lida,
Deixe seus versos
Ficarem doentes.

Doentes de amor.

Poeta que disso não fala,
Que sobre o amor não escreve,
Não é poeta, é um escrevente
Arranjador de sílabas.
Tão vazio... Tão demente.

O amor é a poesia.

No verso, na entrelinha,
Mesmo que não aparente
O amor há de ser presente;
Mesmo que desta doença
O poema não experimente.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Noites de tempestade


E veio a tempestade...
Os trovões,
Os sons todos
Do céu furioso.
Madrugada de terra molhada.
Madrugada de almas aterrorizadas.
Madrugada em que o céu grita.
Madrugada pelo silêncio abandonada.

E veio a calma...
E as breves sonoridades d'água
São o silêncio que pinga entre os pingos d'água.
É quando volta-me a alma...
Meu coração bate triste, suave e
Minha oração se faz silêncio entre suas batidas:
É o mudo aguardar de outras madrugadas,
Sons, trovões e o terror de todas as mágoas.