quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Canção de nossas vidas

É impossível esquecer o passado,
Fazer de conta que nada nos valeu,
Que nossas vidas são tristes legados,
Que o encontro de hoje jamais será adeus.

Queria voltar no tempo para buscá-la,
Em longos abraços, nos seus loucos beijos,
Ficar assim e nunca mais deixá-la,
Mas o tempo não escuta os meus desejos.

É impossível esquecer o passado,
Fazer de conta que nada nos valeu,
Que nossas vidas são tristes legados,
Que o encontro de hoje jamais será adeus.

Queria voltar no tempo para buscá-la,
Em longos abraços, nos seus loucos beijos,
Ficar assim e nunca mais deixá-la,
Mas o tempo não escuta os meus desejos.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Sem juízo

Madrugada de Segunda-feira,
No céu, uma única estrela.
Nuvens baixas. Um avião passa.
No alto, no morro,
A casinha ainda de luz acesa
E ao lado, um grande pinheiro
Testemunha a Segunda-feira,
A casinha, o avião e a estrela.
Mora lá, na casa, uma menina,
Moça já e que perdeu o juízo.
Ela passou há pouco por mim
A andar como bêbada,
Com o braço retorcido,
E o doce sorriso dos dementes.
Ria com doçura,
Ria para a estrela
Ao senti-la tão só.
Ria para as nuvens
Porque pareciam patéticas naquela noite
– Ora bolas, nuvens que não chovem
Não têm juízo e propósito! –.
Ria para o avião de barriga cheia,
Cheia de gente sem asas e que voa.
De repente a moça notou que a reparava
E parou de rir,
Talvez soubesse que ali estava
Alguém que perdeu o sentido do riso
E que para recuperá-lo
Precisaria também perder o juízo.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Distante

Há tanta distância entre nós...

Não. Não são os espaços,
Os mares, os caminhos...
Digo do tempo que nos distancia,
Do tempo que nos esqueceu.

Nada sobrou de nossos risos,
Nada além de um eco
Numa manhã de Domingo,
Tão longe no tempo,
Que o próprio tempo,
Que gosta de cores desbotadas,
Não ousa misturar a luz e o brilho
Daquilo que nos fez em felicidade...

Daquelas manhãs em que suas mãos
Finas, brancas e em concha,
Dormiam e pediam o sono dos anjos...

(Lamentava-me nessas horas ao ver
Suas pálpebras fechadas,
Cercadas por negros cílios,
Negando-me o azul roubado aos céus.)

Foram-se esses dias,
Foram-se os risos...
E hoje, meus olhos
Fixam-se num ponto constante
E, em miragem,
Dão-me seus olhos
Que o tempo traz de tão distante.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Desalento


Às vezes oiço rir, é’ma agonia
Queima-me a alma como estranha brasa
Tenho ódio à luz e tenho raiva ao dia
Que me põe n’alma o fogo que m’abrasa!

Tenho sede d’amar a humanidade…
Eu ando embriagada… entontecida…
O roxo de maus lábios é saudade
Duns beijos que me deram n’outra vida!

Ei não gosto do Sol, eu tenho medo
Que me vejam nos olhos o segredo
Que só saber chorar, de ser assim…

Gosto da noite, imensa, triste, preta,
Como esta estranha e doida borboleta
Que eu sinto sempre a voltejar em mim!

- Florbela Espanca

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Dá-me a mão

Ao Tasso de Silveira.

Dá-me a mão e dançaremos,
dá-me a mão e me amarás,
Como uma só flor seremos,
Como uma flor, e nada mais...

O mesmo verso cantaremos,
o mesmo passo dançarás.
Como o trigo ondularemos,
como o trigo, e nada mais.

Te chamas Rosa e eu Esperança
mas teu nome esquecerás,
porque seremos uma dança
na colina, e nada mais.

- Gabriela Mistral
(Tradução José Fernando Nandé).

As migalhas

Senhor, vos agradeço
Eu, aqui, fazendo versos
E 1 bilhão de meus semelhantes na fome.
A mesma fome que mata no mundo
Uma criança a cada 5 segundos.

Vos agradeço, Senhor,
A Vossa piedade
Para comigo
E Pelas migalhas
Mergulhadas no vinho misto de sangue
Que me sobraram
De Vossa última ceia.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Horóscopo

Antigos orbes que no céu morto gravitam,
Tolas esferas que nos dão triste destino
Que a terrível solidão dos sóis orbitam,
Que, como eu, da imensidão amam os abismos,


Quais são as forças que me têm e determinam?
De qual zodíaco veio-me signos tão cretinos
Que me dão ordens e ao inferno me atiram
Em pesadelo, infortúnio e desatinos?


Serão os deuses autofágicos e bárbaros
Que me habitam e me dão da flor a dor
De tê-la por lapsos de tempo tão avaros?


Serão os gritos dos que sofrem o pavor
De viver sem saber de si o significado
E que, na morte, o escuro é a única cor?

Livro fechado

Um livro fechado
É um beijo querido
E jamais recebido.
É um beijo prometido
E nunca dado.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Para lembrar: Gabriela Mistral



Decálogo do artista
I. Amarás a beleza, que é sombra de Deus sobre o Universo.
II. Não há arte atéia. Ainda que não ames o Criador, o afirmarás criando a sua semelhança.
III. Não darás a beleza como falsa isca para os sentidos e sim como o natural alimento d’alma.
IV. Não serás pretexto para a luxúria nem para a vaidade e sim para o exercício divino.
V. Não buscarás no mercado nem levarás tua obra a ele, porque a beleza é virgem e o que está no mercado não é ela.
VI. Sairá de teu coração o teu canto e ele te fará purificado. VII. Tua beleza se chamará também misericórdia e consolará o coração dos homens.
VIII. Darás tua obra como se dá um filho: tirando sangue de teu coração.
IX. Não te será a beleza o ópio que entorpece e sim o vinho generoso que te levará para a ação, pois se deixas de ser homem ou mulher, deixarás de ser artista.
X. De toda criação sairás com vergonha, porque foi inferior ao teu sonho, e inferior a este sonho maravilhoso de Deus, que é a Natureza.

- Gabriela Mistral
(Tradução José Fernando Nandé).

Tolice

Estava tão perto de ti
E sentia a ventania
Sem saber que estaria
Tão perto de quem perdi.
E o vento nada me disse
Teus olhos nada me contaram
Tuas mãos de mim se afastaram.
Amar a ti, tola tolice.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Cantoria de Santa Isabela (Com invocação falada)



Oh! Santo Deus das alturas,
Minha reza quero mostrar
E ao Senhor desejo louvar.
Cantai aos céus a criatura,
Pecador e penitente:
Que a memória não me falte,
Salve-me Deus nas alturas!

Agora que estou bento,
Com meu Deus reconciliado,
Deixo a conversa de lado
E sem arrependimento
Devo ir trovando agora
O mal deste mundo afora,
Amargura e sofrimento.

Era moça donzela e bela,
Nascida em berço dourado,
Mas quis o cão amaldiçoado
Desgraçar com Isabela,
O anjo na terra sem asa
Que dorme hoje na capela.

Aconteceu no alvoroço,
Na época do imperador,
Em que negro tinha feitor.
Era num domingo, seu moço,
E apareceu lá no lago,
Da Fazenda dos Forcados,
Um pau-mandado e jagunço.

Isabela ali se banhava,
Pura, não tinha maldade.
Ela não sabia da verdade
Que o destino guardava:
Da moita pulou o jagunço,
Apertou-a pelo pescoço
Até que, morta, não gritava.

Depois de vê-la ali caída,
O jagunço se apavorou.
Dizem até que se enforcou,
Pois do remorso não há saída.
E hoje o povo vai à capela
E reza à Santa Isabela,
A virgem que perdeu a vida.

Oh! Santo Deus das alturas,
Oh! Meu Cristo, Senhor e Rei,
Minha história já contei;
Cantai aos céus a criatura,
Pecador e penitente:
Que a memória não me falte,
Salve-me Deus nas alturas!

Galope à beira-mar

O verso feito no galope das ondas
Tem o teu cheiro, tem sabor de teus beijos,
Vontade, amor, desespero e desejo.
Queria mais do que queria ficar amando
A tua imagem no espelho da lua vagando
Suave como vela soprada devagar
No fraco balanço da onda a chorar
A tua despedida, teu choro e teu adeus.
Mas, que sonho posso ter nos poemas meus
Se longe estás do galope à beira-mar?

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Saudade

Por mais que se tente ter no coração
A negação do lusitano sentimento,
Daquilo que vai no peito guardado,
De modo que a vida pareça ilusão,
Ou uma coleção de tolos momentos,
Não há como se livrar do vento,
Que tira o pó da memória
E expõe da dor o atrevimento.
Por isso, canto e digo por todo canto.
Que não há caminho no peito,
Que não dê em triste lembrança,
Tão triste e de tristeza feita,
Que lhe damos outro nome,
A juntar silêncio e ausência:
Apenas Saudade, Saudade apenas.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Martelo paranaense

Este é um assunto para se falar,
Confessar pro padre e pedir conselho,
Por que na terra dos pinheiros
Não se canta cantiga de aboiar?
Não se canta cantiga pra igualar
Co’as cantigas do vaqueiro cearense,
Co’as cantigas do gaúcho riograndense?
Se já existe o martelo alagoano,
Por que não malhar poesia martelando
Pra ter o martelo paranaense?

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Cantoria da viola velha


Nem todo verso é repente,
Nem todo amor vigora.
Chora viola!

Sinto que quanto mais velha
Mais a minha viola sente
Na tristeza de uma toada
A cantar mágoa da gente,
Numa cantiga que é de longe
Cantada neste repente.

Nem todo amor vigora,
Nem todo verso é repente.
Chora viola!

Minha viola não mente,
Dizem que foi afinada
Numa afinação diferente,
Pelo choro de minha mãe,
Na dor que toda mãe sente
Ao sentir o filho partindo
Com a viola e para sempre.

Nem todo verso é repente,
Nem todo amor vigora.
Chora viola!

Toda árvore foi semente,
Toda mágoa faz chorar,
A viola é parceira,
Sente o que o cantador sente,
Pode ser dor de covarde,
Pode ser dor de valente.

Nem todo verso é repente,
Nem todo amor vigora,
Nem toda lenda é história.
Toque a vida para frente,
Toque a velha viola
Sentido o que a gente sente.

Nem todo verso é repente,
Nem todo amor vigora.
Chora viola!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Martelo da moça solteira

Toda moça que sonha ser mulher
Quero cantar neste martelo
Curtinho, mansinho, agalopado.
Não se mexe doce sem colher,
Do fogo se sai queimado.
Veja que nem todo diabo é sogra,
Mas não esqueça que do diabo é a obra
Que fez Eva padecer no Paraíso,
Que fez até padre perder o juízo
E nora tonta assobiar na cobra.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Apinchado

Andar na chuva e descalço...
- Não se apinche, menino!
Tem caco de vrido n'água,
Corta o pé, descomungado!

Namorar menina-moça...
- Não se apinche, menino,
Amarre o burro noutra moita.
Seu delegado está de zóio,
E o pai dela, Virge Mãe,
É marvado que nossa!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Casa Estrela

O nome fazia-se bonito e imponente
- Casa Estrela, Secos & Molhados.
Era de Antônio e João
(Seo Antônio e Seo João).
Um balcão enorme,
Com bacalhau salgado,
Sardinha na salmoura,
Pedra de rio de peso para o papel,
Corda para o poço,
Rolo de fumo "Tietê",
Enxada Duas Caras,
Querosene Jacaré,
Maizena, azeite de oliva,
Grão de bico,
Feijão e arroz a granel.
Seo Antônio com a caneta atrás da orelha,
Vendia, anotava no caderno, vendia.
Seo João lidando com a máquina de contas
Girava manivelas, para frente e para trás,
Jamais errava número, a vida se contava em menos e mais.
Sim, havia uma portuguesinha
- Menina filha de Seo João.
Aliás tudo ali era português,
Até o barbante que vinha nas mercadorias
Embrulhadas em velhos jornais japoneses.

Voltei lá dia desses, estava de passagem.
O armazém está naquela mesma esquina,
Seo Antônio não mais.
Seo João, velhinho, ainda trabalha
- Não vi sua máquina de calcular
Nem a portuguesinha.

Meu desejo, o que me movia,
Era encontrar um velho menino ali.
Tudo estava quase igual,
As velhas xícaras de porcelana barata,
O ferro de brasa para passar roupa...

Aperto danado no coração...
A certeza de que toda a infância
E o velho menino
Estão empacotados e perdidos,
Ganhando pó e dó,
Nalguma prateleira da Casa Estrela.

Tardes de Maringá


Era assim
Tardes quentes
Faca jogada no centro do redemoinho de vento
E sebo nas canelas porque ninguém queria ver o tinhoso


Tardes quentes
E toda preguiça do mundo cabia na sombra da mangueira
Era ali que todo menino sonhava


Tardes quentes
Roubar goiaba tinha lá seus perigos, galho liso e tiro de sal
Roubar beijo da vizinha também, bem escondido, para o pai da moça não desconfiar

Tardes quentes
A bola de meia sumia sob nosso pés nus e pingávamos suor
A bola de capotão era luxo, só para o jogo de domingo

Tardes quentes
Banho no ribeirão só escondido da mãe e matando aula
A maldade era uma árvore que ainda não havia florido


Tardes quentes
Doce de tacho, ralar milho para fazer pamonha
Buscar açúcar na venda e ver o mundo no cartaz do cinema

Tardes quentes
O pião que rodava na palma da mão
Na roda, as meninas giravam e não cansavam de maltratar o gato de dona Chica

Tardes quentes
Que anunciavam as noites de lua, repletas de vaga-lumes, mariposas
E que nos traziam o nosso único e verdadeiro medo: assombração, alma penada

Era assim
Tardes quentes em que a vida parecia ser tão boa e simples.

Sonho bom

Queixas que sou calado,
Mas saiba que ao teu lado
Calo-me para não acordar.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

H202

Amar inda o que já foi amado
É derramar na mesma ferida
Litros e litros de água oxigenada.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Presente

Ausente de mim mesmo
Ando pela cidade a esmo
A sentir-te presente.

Noite de São João



Quisera ver-te
Nesta noite em que a Lua fica maior do que a Terra e mesmo assim faz parada em teus pequenos olhos noturnos e de estrelas eternamente enfeitados

Quisera ver-te
Nesta noite em que o orvalho desfolha minha alma e que depois, no seco jardim, em gota, torna-se desolada lágrima na solitária roseira que nunca gerou sequer miserável rosa

Quisera ver-te
Nesta noite de São João, coberta com o brilho das fagulhas da fogueira que ardem no meu espírito e ao meu desatino servem

Quisera ver-te
Nesta noite em que meu destino chora em oração e suplica perdão por saber-se perdido e a ti, em vão, fadado em desejo e pecado

Quisera ver-te
Nesta noite em que meu coração pulsa em angústia por sabê-la docemente impossível e por isso já vestida de toda saudade que se enfeita com os longos laços da despedida

Quisera ver-te
Nesta noite, santíssima e sem pudor, sobre o cansado andor e carregada por toda essa devota gente, a cantar as cantigas profanas que por ti, em andanças, eu hei cantado.

Bacanais

Nossos pensamentos são do pecado
Pecado mortal, é bom que se diga
Vivem em bacanais neuroniais
Em incestos, idéias gerando idéias
E matricídio, descartando idéias
Em infantícido, eliminando idéias nascentes
Em parricído, zombando do pensador
Porque nunca terminam o caminho
Sem a próxima idéia
Sem a próxima pergunta
Que exigirá outros bacanais
Outra luta de aparentados
Para se chegar em resposta alguma.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A morada

Tinha os olhos presos no infinito.
O gemido era a voz marcada em ais.
Os gestos, poucos e sem estudo,
Expressões únicas da alma alienada.

Vivia, portanto, sem se saber,
Para longe do alcance do olho,
Para adiante do alcance da fala.
Noutro mundo deveras habitava.

Num dia deu um grito medonho,
Terror mesmo, o mais profundo.

Não sei que noutro mundo viu,
Não sei que o trouxe do nada.

Mas sei que até hoje está paralisado.
É um corpo que a própria alma esqueceu.

Aquele foi seu momento único aqui deixado,
O medo manifesto, seu grito desesperado,
Que fez morada no hospício e lá permaneceu.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Sonhos


Dormiu para sonhar
E não se viu nos sonhos
Não mais dormiu
Não mais sonhou
E viu que estava morto.


Entrou na fábrica
Bateu o cartão
Bateu ferro
Apertou parafusos
E viu que estava morto.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Preguiça

Acordei indisposto com a vida
Serei preguiça nas próximas 24 horas
Amigos
Não me telefonem
Não queiram saber como vou
E se preciso de alguma coisa
Sim, preciso e desejo o silêncio
Mas, o silêncio que não incomoda
Não quero o silêncio das lembranças
Não quero o silêncio dos amores perdidos
Não quero o silêncio dos sonhos mortos
Quero o silêncio que se esqueceu de tudo
Pois estou indisposto com a vida e
Viver, às vezes, nos dá preguiça.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A vida dos santos

O livro
Falou-me da maldade dos homens,
Das crueldades e tudo que já sabemos.
Coisa medonha, coisa medonha!
Deus meu, sei que causo incômodo
A Vossa solidão eterna:
Mas, tenho notado
Que este espetáculo repetitivo
Vos deixa distraído,
Além de ser uma boa maneira
De testar a fé dos amigos!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

As cruzes do caminho


A cruz na beira da estrada
É a memória de alheia jornada.
Foi ali que alguém deixou a vida,
Foi ali que alguém virou saudade.

Assim, prosseguimos viagem,
Deixando muitas cruzes pelo caminho,
São nossas memórias, nada além,
Até viramos saudade também.

Viajante, no prosseguir é importante,
Ao cruzar com a solidão da madeira vazia,
Fazer o sinal da cruz,
Rezar ao pé da cruz,
Pois de cruzes são feitos os nossos dias.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Dos perigos de ser só

Deve ser pavoroso encontrar-se
Consigo, sem ninguém, a sós de verdade.
Creio que o hospício está cheio dessa gente
Que se encontrou.
A realidade, o eu nu e só,
A consciência de si,
Enlouquece.