A noite liberta de meu peito todo carinho
Que voa, voa... Até encontrar o seu coração.
Aninho-me nele e sonho suavidades
Ouvindo sua canção a compassar carícias
Doces e eternas como o beijo da saudade.
Copyright © 2005 by Fernando Nandé, poesia, literatura, Curitiba-PR Brazil.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Asas noturnas
Marcadores:
asas noturnas,
curitiba,
josé fernando nandé,
poesia brasileira,
poesia de amor,
poeta paranaense
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Neandertal cibernético
Absolutamente não.
Não é preciso navegar até as Galápagos
Para entender a evolução
Que nos determinou esta incrível
Vocação para a violência.
Temos no sangue o mesmo rubro ferro
Que corria nas veias dos neandertais.
Por isso, pensamos a cibernética
Enquanto acalentamos monstruosidades.
Brutos deuses de nosso tempo,
afetos à loucura, somos capazes de matar
Em guerras, em disputas por território,
Por comida e por outros torpes motivos
Que envolvem até mesmo a falta de motivo.
- Quer coisa mais primitiva do que isso?!? -
Matamos, ferimos e trucidamos
Até mesmo outros corações desejados.
Podemos matar o que nos apaixona!
A racionalidade não nos suprimiu
A passionalidade, o amor de morte,
Este desejo de ter o impossível,
E matar por desejar é nossa alucinação divina.
Verdadeiramente não.
Não é preciso ver as tartarugas-das-Galápagos
Para saber que o verdadeiro amor
Só atingirá o coração dos homens
A passos pesados marcados por absurda lentidão.
Não é preciso navegar até as Galápagos
Para entender a evolução
Que nos determinou esta incrível
Vocação para a violência.
Temos no sangue o mesmo rubro ferro
Que corria nas veias dos neandertais.
Por isso, pensamos a cibernética
Enquanto acalentamos monstruosidades.
Brutos deuses de nosso tempo,
afetos à loucura, somos capazes de matar
Em guerras, em disputas por território,
Por comida e por outros torpes motivos
Que envolvem até mesmo a falta de motivo.
- Quer coisa mais primitiva do que isso?!? -
Matamos, ferimos e trucidamos
Até mesmo outros corações desejados.
Podemos matar o que nos apaixona!
A racionalidade não nos suprimiu
A passionalidade, o amor de morte,
Este desejo de ter o impossível,
E matar por desejar é nossa alucinação divina.
Verdadeiramente não.
Não é preciso ver as tartarugas-das-Galápagos
Para saber que o verdadeiro amor
Só atingirá o coração dos homens
A passos pesados marcados por absurda lentidão.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Cicuta, o colírio dos olhos
Na realidade - não leves em maldade -
Tu só podes existir reflexo nas retinas
Desses olhares vazios e entediados que perambulam mundo.
Mas, por sorte ou desespero,
Tu não tens importância para esse vulgo que vê apenas o que deseja ver.
Afinal, como existir de verdade
No olhar desta gente desnorteada que, apavorada, tenta esquecer do triste destino, da própria e inadiável morte, assistindo ao Big Brother e tendo na retina aquilo que jamais vai encostar o dedo?
Desta multidão que lava os dentes após ruminar o nada?
Como existir de verdade
Aos olhos desses pobres condenados
Que nunca vão entender, minimamente que seja, o existir?
Não penses, por isso,
Ser a cicuta o melhor colírio para tais globos oculares.
Não os tenhas em ódio.
Lembra:
Não é permitido ao homem
Deixar de ser somente porque vaza
Os olhos de quem o vê.
Ainda, lembra:
É a ignorância que mantém o juízo
De boa parte da humanidade.
Todos querem viver, mesmo que inutilmente,
Fazendo besteiras, colecionando ossos,
Estocando dinheiro... Todos querem
Ser a insanidade dentro da insanidade.
Assim são distraídos pelas inutilidades,
Porque pensar para eles
É vislumbrar a própria, a escura, e inevitável cova
E crê, essa não é uma boa imagem de companhia!
Tu só podes existir reflexo nas retinas
Desses olhares vazios e entediados que perambulam mundo.
Mas, por sorte ou desespero,
Tu não tens importância para esse vulgo que vê apenas o que deseja ver.
Afinal, como existir de verdade
No olhar desta gente desnorteada que, apavorada, tenta esquecer do triste destino, da própria e inadiável morte, assistindo ao Big Brother e tendo na retina aquilo que jamais vai encostar o dedo?
Desta multidão que lava os dentes após ruminar o nada?
Como existir de verdade
Aos olhos desses pobres condenados
Que nunca vão entender, minimamente que seja, o existir?
Não penses, por isso,
Ser a cicuta o melhor colírio para tais globos oculares.
Não os tenhas em ódio.
Lembra:
Não é permitido ao homem
Deixar de ser somente porque vaza
Os olhos de quem o vê.
Ainda, lembra:
É a ignorância que mantém o juízo
De boa parte da humanidade.
Todos querem viver, mesmo que inutilmente,
Fazendo besteiras, colecionando ossos,
Estocando dinheiro... Todos querem
Ser a insanidade dentro da insanidade.
Assim são distraídos pelas inutilidades,
Porque pensar para eles
É vislumbrar a própria, a escura, e inevitável cova
E crê, essa não é uma boa imagem de companhia!
Marcadores:
cicuta,
curitiba,
josé fernando nandé,
o colírio dos olhos,
poesia brasileira,
poeta paranaense
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
O berço do pequeno Jimi
Curtiu muito Rock and rool
Na breve e interrompida adolescência.
Hoje, ao lavar panelas
Olha para o berço descontente.
Chora ao ouvir um blues da Joplin
E reclama da vida
Ao ver aquele miúdo vermelho
- com a carinha de joelho -
A escancarar a boca,
Ainda sem dentes,
Num gutural choro de fome.
Impaciente, tira o peito e grita:
"Mamãe já vai dar o mamá, Hendrix!".
Na breve e interrompida adolescência.
Hoje, ao lavar panelas
Olha para o berço descontente.
Chora ao ouvir um blues da Joplin
E reclama da vida
Ao ver aquele miúdo vermelho
- com a carinha de joelho -
A escancarar a boca,
Ainda sem dentes,
Num gutural choro de fome.
Impaciente, tira o peito e grita:
"Mamãe já vai dar o mamá, Hendrix!".
Tarde de vento
Vieste com o vento,
Num final de tarde,
Cheia de flores amarelas
A te enfeitar os cabelos.
É, vieste com o vento
Soprado em branda brisa.
Deste-me, depois, um beijo leve
A pedir-me breve amparo
Neste voar constante da vida.
(Amparei-te - estava só -
Por que não te dar o braço?
No conhecer do adeus somos esquecidos)
Cômodo, inerte e preso
Guardo-te, muda rouxinol,
Na gaiola dourada
Como triste e calado enfeite.
Hoje, quando sinto o vento,
Vislumbro nele aragem mágica
A lecionar para ti, cativa,
Os antigos e olvidados mistérios
Do voar livre e contente.
Num final de tarde,
Cheia de flores amarelas
A te enfeitar os cabelos.
É, vieste com o vento
Soprado em branda brisa.
Deste-me, depois, um beijo leve
A pedir-me breve amparo
Neste voar constante da vida.
(Amparei-te - estava só -
Por que não te dar o braço?
No conhecer do adeus somos esquecidos)
Cômodo, inerte e preso
Guardo-te, muda rouxinol,
Na gaiola dourada
Como triste e calado enfeite.
Hoje, quando sinto o vento,
Vislumbro nele aragem mágica
A lecionar para ti, cativa,
Os antigos e olvidados mistérios
Do voar livre e contente.
Marcadores:
curitiba,
josé fernando nandé,
poesia brasileira,
poesia de amor,
poeta paranaense,
tarde de vento
domingo, 24 de janeiro de 2010
Presença
Ausente de mim mesmo
Ando pela cidade a esmo
A sentir-te n’alma presente.
Em latim:
Praesentia
Absens mei ipse
Temere urbe ambulo
In animam te sentiendo.
Taverna do Limbo

Uma mulher flutuava nua...
A taverna à noite ardia,
Mil poemas ali, no espaço,
Desenhados pelo corisco
Que rasgava o céu negro e nu.
Vergílio estava sóbrio e quieto,
Tinha em suas mãos novos versos
Que o temporal logo ouviria.
Tácito procurava a tragédia
No vermelho do molho do prato
Que levado à boca escorria
Pela barba, peito, até a túnica.
Nua flutuava uma mulher
Na taverna que na noite ardia.
Em latim:
Limbi Taberna
Femina nuda fluctuabat...
Noctu hac taberna ardebat
Mille poemates ibi, in spatio,
Fulmine adumbrabant
Quod caelum nigerum et nudum lacerabat.
Vergilius sobrius et quietus erat,
Novi versus in manibus habebat
Quos propediem tempestas audiret.
Tacitus tragoediam quaerebat
In rubricam conditionis patinae;
Qui oris barba, pectore,
Tunica tenus stillabat.
Femina nuda fluctuabat
In tabernam quam nocte ardebat.
Ilustração de Gustave Doré (séc. XIX): Dante, Homero, Lucano, Virgílio e outras grandes figuras da Antiguidade no Limbo.
Naufrágios
Uma escuna de sonhos
Navega meus mares neuroniais.
O timoneiro é neurótico,
O capitão é lunático
E a tripulação vive
De conspirações e motins.
Em latim:
Naufragia
Sominii navis
Cerebri maria mea navigat.
Gubernator iracundus,
Classis praefectus lunaticus est.
Nautae homines vivunt
Conspiratium et tumultuum.
Navega meus mares neuroniais.
O timoneiro é neurótico,
O capitão é lunático
E a tripulação vive
De conspirações e motins.
Em latim:
Naufragia
Sominii navis
Cerebri maria mea navigat.
Gubernator iracundus,
Classis praefectus lunaticus est.
Nautae homines vivunt
Conspiratium et tumultuum.
sábado, 23 de janeiro de 2010
Oi!
Estou apenas de passagem
Por isso, trago no peito
A solidão dos mestres
E a sabedoria dos imbecis.
Em latim:
Heus!
Solum transitus sum
Ergo, in pectus adduco
Magistrorum solitudo
Et stupidorum sapientia.
Marcadores:
curitiba,
josé fernando nandé,
Oi,
poema moderno em latim,
poesia brasileira,
poeta paranaense
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Vadia
Marcadores:
curitiba,
errabunda,
josé fernando nandé,
poema moderno em latim,
poesia brasileira,
poeta paranaense,
vadia
Vingança
Sei que o tempo me gasta,
Mas eu gasto o tempo também.
Em latim:
Tempus me consumit, non ignoro,
Sed tempum quoque ego consumo.
Mas eu gasto o tempo também.
Em latim:
Pæna
Tempus me consumit, non ignoro,
Sed tempum quoque ego consumo.
Marcadores:
curitiba,
josé fernando nandé,
Paena,
poema moderno em latim,
poesia brasileira,
poeta paranaense,
vingança
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Haiti, os deuses que te devoram
Ai de ti, Haiti,
Que sofres ao ouvir
Os ais de teu povo.
A terra tremeu por ti Haiti,
Pelos anos de fome,
Pelos anos de matança,
Nos ais infinitos de ti.
Ai de tuas crianças, Haiti,
As que sobraram órfãs.
Ai de tuas mães, Haiti,
As que sobraram sem filhos.
Hoje só há zumbis pelas ruas
E os ais sufocados por entre escombros.
Hoje tuas mães não beijam seus filhos
Que, sem nomes, dividem vala infecta.
Hoje a fome não será dividida,
Os mortos não passam fome.
Hoje a esperança chora
No interior da terra
E os tremores dos ais são seus soluços.
Terra de tantos deuses,
Por que os deuses te devoram?
Que sofres ao ouvir
Os ais de teu povo.
A terra tremeu por ti Haiti,
Pelos anos de fome,
Pelos anos de matança,
Nos ais infinitos de ti.
Ai de tuas crianças, Haiti,
As que sobraram órfãs.
Ai de tuas mães, Haiti,
As que sobraram sem filhos.
Hoje só há zumbis pelas ruas
E os ais sufocados por entre escombros.
Hoje tuas mães não beijam seus filhos
Que, sem nomes, dividem vala infecta.
Hoje a fome não será dividida,
Os mortos não passam fome.
Hoje a esperança chora
No interior da terra
E os tremores dos ais são seus soluços.
Terra de tantos deuses,
Por que os deuses te devoram?
Marcadores:
curitiba,
josé fernando nandé,
poesia brasileira,
poeta paranaense,
que te devoram
RG & CPF
Haveria, sem dúvida,
direito de se me perguntar:
Mas quem é esse todo mundo?
F. Dostoievski
direito de se me perguntar:
Mas quem é esse todo mundo?
F. Dostoievski
É óbvio:
Tens cabelos
Porque existe xampu
Tens dentes porque existe a Colgate
Que te permite mastigar os teus dias sem gosto
Tens olhos
Porque existem óculos
Tens fome porque existem vacas e agricultura
Afinal, existir nos impõe preço
Existes porque fazes parte das estatísticas do IBGE,
Tens RG, CPF e um fogão a gás
Existo porque posso te ver na TV
E, em dois minutos, saber de tua história.
Marcadores:
curitiba,
josé fernando nandé,
poesia brasileira,
poeta paranaense,
RG e CPF
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Sono lento
Daqui a pouco pretendo escurecer,
!!!Pensar em nada dá uma preguiça danada!!!
Morfeu há de dar-me sono movimentado
Arejado pelos morféticos demônios,
Que se aproximam sem sinos no pescoço
E fustigam a insanidade humana.
E neste breu em que tudo se vê,
Andarei, morfeticamente,
A desafiar abismos
Porque mesmo em sonho
Viver se faz arriscado.
!!!Pensar em nada dá uma preguiça danada!!!
Morfeu há de dar-me sono movimentado
Arejado pelos morféticos demônios,
Que se aproximam sem sinos no pescoço
E fustigam a insanidade humana.
E neste breu em que tudo se vê,
Andarei, morfeticamente,
A desafiar abismos
Porque mesmo em sonho
Viver se faz arriscado.
Marcadores:
curitiba,
josé fernando nandé,
poesia brasileira,
poeta paranaense,
sono lento
Cantagalos
Cabecinha de Vento
Sobe nos móveis
Cai, bate a cabeça
Mas não chora.
O macaquinho se levanta
Sobe na cadeira
(É teimoso nosso
Cabecinha de Vento)
E cai infinitamente
Pela manhã, cedinho
Toda a vizinhança acorda
Com o canto de mil galos
Que vivem no poleirinho
Do Cabecinha de Vento.
Sobe nos móveis
Cai, bate a cabeça
Mas não chora.
O macaquinho se levanta
Sobe na cadeira
(É teimoso nosso
Cabecinha de Vento)
E cai infinitamente
Pela manhã, cedinho
Toda a vizinhança acorda
Com o canto de mil galos
Que vivem no poleirinho
Do Cabecinha de Vento.
Marcadores:
cantagalos,
curitiba,
josé fernando nandé,
poesia brasileira,
poeta paranaense
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Atleta
O poema teimou horas
Em minha cabeça.
Enjoado, fugiu,
Tomou a rua,
Dobrou a esquina...
Memória falha,
Poema ligeiro.
Em minha cabeça.
Enjoado, fugiu,
Tomou a rua,
Dobrou a esquina...
Memória falha,
Poema ligeiro.
Marcadores:
atleta,
curitiba,
josé fernando nandé,
poesia brasileira,
poeta paranaense
sábado, 16 de janeiro de 2010
Negro
O Brasil é racista
Só alguns negros não sabem disso
O branco disse que o preto tem nova cor
E a chama de "afrodescendente"
O negro aceitou essa nova cor
Como quem aceita um novo chicote
Que humilha sem ofender
O branco inventou cotas
Para se desculpar de antigos pecados
E o negro aceitou ser cota
Que humilha sem ofender
Cota
Que discrimina outros brasileiros
Também sem ofender
No Brasil,
O branco continua branco como sempre foi
E preta
É apenas uma cor de pele
A ser banida dos dicionários.
Só alguns negros não sabem disso
O branco disse que o preto tem nova cor
E a chama de "afrodescendente"
O negro aceitou essa nova cor
Como quem aceita um novo chicote
Que humilha sem ofender
O branco inventou cotas
Para se desculpar de antigos pecados
E o negro aceitou ser cota
Que humilha sem ofender
Cota
Que discrimina outros brasileiros
Também sem ofender
No Brasil,
O branco continua branco como sempre foi
E preta
É apenas uma cor de pele
A ser banida dos dicionários.
Marcadores:
curitiba,
josé fernando nandé,
negro,
poesia brasileira,
poeta paranaense
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Por aí, paisagens
Caminho
A queimar paisagens.
Árvores, campos e até o mar
Fumam;
Ardência nos meus olhos.
A fumaça estampada no céu
Tatua
A brevidade em coisa eterna.
Meus braços soltos
Ardentes
Despedem-me do meu tempo.
Caminho e a fumar ardo,
Queimo,
A queimar-me nas paisagens.
A queimar paisagens.
Árvores, campos e até o mar
Fumam;
Ardência nos meus olhos.
A fumaça estampada no céu
Tatua
A brevidade em coisa eterna.
Meus braços soltos
Ardentes
Despedem-me do meu tempo.
Caminho e a fumar ardo,
Queimo,
A queimar-me nas paisagens.
Marcadores:
curitiba,
josé fernando nandé,
paisagens,
poesia brasileira,
poeta paranaense,
por aí
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Logo agora, Zilda!
Como são inoportunas as tragédias.
Zilda Arns parte agora,
Parte assim, como devem ser as partidas,
Sem adeuses, no mais repentino repente,
E logo agora, Deus meu!
Quando este pobre mundo carece
De pequeninos gestos de amor!
Zilda Arns parte agora,
Parte assim, como devem ser as partidas,
Sem adeuses, no mais repentino repente,
E logo agora, Deus meu!
Quando este pobre mundo carece
De pequeninos gestos de amor!
Marcadores:
curitiba,
josé fernando nandé,
poesia brasileira,
poeta paranaense,
Zilda Arns
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Choro de espera
Meu pensamento viaja pelo silêncio
E encontra indecifrável lágrima em teus olhos.
Por que chora? – pergunto ao vento.
Por que choras? Por que mesmo feliz tu sofres?
E uma brisa soprada dos mares de todas as sortes
Diz-me que choras, porque chorar é rir às avessas
Dessa humana louca loucura
Que é viver a espera da morte.
E encontra indecifrável lágrima em teus olhos.
Por que chora? – pergunto ao vento.
Por que choras? Por que mesmo feliz tu sofres?
E uma brisa soprada dos mares de todas as sortes
Diz-me que choras, porque chorar é rir às avessas
Dessa humana louca loucura
Que é viver a espera da morte.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
A luz da Bem-amada
Bem-amada,
O Sol desponta
E nos promete um dia feliz.
Bem-amada, vive este dia,
Banha-te de luz,
Amanhã o Sol pode não vir.
Dá-me tua luz nesta hora,
Porque noutras auroras
Meu peito pode anoitecer
E sentir saudades
Desta breve manhã de Sol
Que nasce em teus olhos.
Querida e Bem-amada,
Amemo-nos hoje
Na intensa e finita intensidade
Das horas boas que vamos juntar
E que miseráveis minutos já consomem,
Porque
Ser noite é o destino em tristeza da luz,
Anoitecer é a sina única e triste dos homens.
O Sol desponta
E nos promete um dia feliz.
Bem-amada, vive este dia,
Banha-te de luz,
Amanhã o Sol pode não vir.
Dá-me tua luz nesta hora,
Porque noutras auroras
Meu peito pode anoitecer
E sentir saudades
Desta breve manhã de Sol
Que nasce em teus olhos.
Querida e Bem-amada,
Amemo-nos hoje
Na intensa e finita intensidade
Das horas boas que vamos juntar
E que miseráveis minutos já consomem,
Porque
Ser noite é o destino em tristeza da luz,
Anoitecer é a sina única e triste dos homens.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Sopro solar
Coloca teus braços sobre meus ombros e vamos!
Vou te mostrar que a casa do poeta é o mundo inteiro
E que ela tem por teto, apenas,
O firmamento carregadinho de estrelas.
Sobre meus ombros...Vamos!
E bebe da luz do Sol,
Aos golinhos,
Porque a sede de poesia
É a verdadeira sede,
A da beleza que nunca se acaba.
Vou te mostrar... A tua mão dá-me...
Que é a poesia que nos torna gente
E que é por falta desta poesia
Que nossos corações tomaram as feições do Ártico.
Segure meus ombros curvados pelo peso da despoesia
Dessa gente que não é humana e nada sente...
Vamos!!
E te mostrarei o vale onde dormem as letras
Dos poemas que não foram domados.
Vale onde os poetas vagam
A amar os abismos
Por debaixo de cada coração empedrado.
Vou te mostrar... Que para se ter a poesia
Há de se amolecer, aos pouquinhos,
Com o sopro solar de nossas bocas,
O mar gelado dos corações dos homens.
Vou te mostrar que a casa do poeta é o mundo inteiro
E que ela tem por teto, apenas,
O firmamento carregadinho de estrelas.
Sobre meus ombros...Vamos!
E bebe da luz do Sol,
Aos golinhos,
Porque a sede de poesia
É a verdadeira sede,
A da beleza que nunca se acaba.
Vou te mostrar... A tua mão dá-me...
Que é a poesia que nos torna gente
E que é por falta desta poesia
Que nossos corações tomaram as feições do Ártico.
Segure meus ombros curvados pelo peso da despoesia
Dessa gente que não é humana e nada sente...
Vamos!!
E te mostrarei o vale onde dormem as letras
Dos poemas que não foram domados.
Vale onde os poetas vagam
A amar os abismos
Por debaixo de cada coração empedrado.
Vou te mostrar... Que para se ter a poesia
Há de se amolecer, aos pouquinhos,
Com o sopro solar de nossas bocas,
O mar gelado dos corações dos homens.
Marcadores:
curitiba,
josé fernando nandé,
poesia brasileira,
poeta paranaense,
sopro solar
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Beijo solar
Quando o Sol brilhar
Deixe-me adormecer
Num sono diurno
De sonhos iluminados
Deixe-me desfalecer
Abandonado no lago
Desta manhã azulada
E de espreguiçamentos
Quando o Sol queimar
Quero teu beijo
Tão terno e eternizado
Quanto o azul do amanhecer.
Marcadores:
beijo solar,
curitiba,
josé fernando nandé,
poesia brasileira,
poesia de amor,
poeta paranaense
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Amor infinitesimal
Destripei e esquartejei
Um átomo de mim.
Tirei-lhe os prótons
Arranquei-lhe os elétrons.
Com os nêutrons fiz
Um colar de contas para
A mulher que me olhava da janela.
Para ela, e só para ela,
Que tinha os cabelos enfeitados
Com todas as cores
Da Rosa dos Ventos.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Flores solares
Setembro, 22...
Hoje o Sol deveria anunciar a Primavera,
A nona deste Século nado-morto,
Mas não há Sol e as flores banham-se numa chuva de tristeza imponderável.
Há uma frente fria congelando os jardins
E os poemas vegetam dentro de sementes que não brotaram.
Escuto o sussurrar do vento soprado do Norte...
Promete-me noutro dia, quem sabe na morte, a luz das primitivas eras.
O tempo, os elementos, a poesia
E tudo que nos enche a vida de vida
Felizmente desconhecem calendários
E se fazem, simplesmente se fazem,
desconsiderando relógios e as revoluções solares.
Hoje o Sol deveria anunciar a Primavera,
A nona deste Século nado-morto,
Mas não há Sol e as flores banham-se numa chuva de tristeza imponderável.
Há uma frente fria congelando os jardins
E os poemas vegetam dentro de sementes que não brotaram.
Escuto o sussurrar do vento soprado do Norte...
Promete-me noutro dia, quem sabe na morte, a luz das primitivas eras.
O tempo, os elementos, a poesia
E tudo que nos enche a vida de vida
Felizmente desconhecem calendários
E se fazem, simplesmente se fazem,
desconsiderando relógios e as revoluções solares.
Marcadores:
curitiba,
flores solares,
josé fernando nandé,
poesia brasileira,
poeta paranaense
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Etérea
De que matéria tu és,
De que tênue trama atômica
Surgiram teus olhos
Em súplicas de amor?
Quero agora saber do teu cheiro
Que tu abandonas
No circuito dos astros,
Nas revoluções dos planetas ao invés.
Por que deixas tuas mãos,
Enfeitadas com os anéis de Saturno,
Agarrarem o luar
E iluminar todos os sóis?
Que energia faz teu corpo tremer
Num beijo, num soluço até,
Neste prazer ínfimo e infinito
No qual te orbitei?
De que tênue trama atômica
Surgiram teus olhos
Em súplicas de amor?
Quero agora saber do teu cheiro
Que tu abandonas
No circuito dos astros,
Nas revoluções dos planetas ao invés.
Por que deixas tuas mãos,
Enfeitadas com os anéis de Saturno,
Agarrarem o luar
E iluminar todos os sóis?
Que energia faz teu corpo tremer
Num beijo, num soluço até,
Neste prazer ínfimo e infinito
No qual te orbitei?
Marcadores:
curitiba,
etérea,
josé fernando nandé,
poesia brasileira,
poesia de amor,
poeta paranaense
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Para a inveja dos anjos e demônios
Deus não quis que o homem voasse,
Por isso, criou os poetas, anjos e demônios,
Que são seres parecidos com os homens;
Nem no mais nem no menos,
Só nas asas não são iguais.
E nesta parecença apenas,
Para espanto dos bichos alados,
Num porém da vida,
Nesses poréns que a vida descuida,
Em noite de encantamentos, talvez,
Em noite de poesia cheia,
Os poetas, que por assim não saberiam voar,
Negam-se em humanidade e
Avoam, e avoam, e avoam...
Avoam para invejança doutras criaturas
Que tentam cantar a manhã
Numa mesma melodia que se arrepete em eternidades.
Não há poetas entre os anjos e demônios,
Por isso eles desconhecem os versos do dia que se faz.
O voo deles é apenas parte da melodia da coisa repetida.
Para desesperança dos tinhosos e imaculados
Que gostam da ordem e coisa não mexida,
O senhor criou o poeta,
Para voar, para escrever Sua poesia,
A mistura de tudo o que foi criado.
Lá do alto, completo,
O verso escapa da boca do poeta e diz
Do tempo que há de vir
Do tempo que perdeu a asa,
Do agora, deste poema sem hora.
Avoa poeta
E canta inteira a poesia de Deus.
Avoa poeta,
Sua vida é avoar
Para a invejança das criaturas
Cante o poema que se escondeu
Na mais alta nuvem
No céu, nas alturas
E que nem Arcanjos e anjos caídos
Podem alcançar.
Por isso, criou os poetas, anjos e demônios,
Que são seres parecidos com os homens;
Nem no mais nem no menos,
Só nas asas não são iguais.
E nesta parecença apenas,
Para espanto dos bichos alados,
Num porém da vida,
Nesses poréns que a vida descuida,
Em noite de encantamentos, talvez,
Em noite de poesia cheia,
Os poetas, que por assim não saberiam voar,
Negam-se em humanidade e
Avoam, e avoam, e avoam...
Avoam para invejança doutras criaturas
Que tentam cantar a manhã
Numa mesma melodia que se arrepete em eternidades.
Não há poetas entre os anjos e demônios,
Por isso eles desconhecem os versos do dia que se faz.
O voo deles é apenas parte da melodia da coisa repetida.
Para desesperança dos tinhosos e imaculados
Que gostam da ordem e coisa não mexida,
O senhor criou o poeta,
Para voar, para escrever Sua poesia,
A mistura de tudo o que foi criado.
Lá do alto, completo,
O verso escapa da boca do poeta e diz
Do tempo que há de vir
Do tempo que perdeu a asa,
Do agora, deste poema sem hora.
Avoa poeta
E canta inteira a poesia de Deus.
Avoa poeta,
Sua vida é avoar
Para a invejança das criaturas
Cante o poema que se escondeu
Na mais alta nuvem
No céu, nas alturas
E que nem Arcanjos e anjos caídos
Podem alcançar.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Negativa III
Não.
Não pode ser o vácuo
O lugar das inexistências
Pois tudo que existe
E que virá a existir
Precisa de espaço.
Não.
Os astros que enchem nosso céu de luz
Que nos fazem em poemas
Que nos velam o sono
Que nos têm em sonho
Não são vaga-lumes condenados à morte.
Não.
A vida não pode ser explicada apenas
Pelo início e pelo fim
Pois há o meio
E é no meio que se vive.
Não pode ser o vácuo
O lugar das inexistências
Pois tudo que existe
E que virá a existir
Precisa de espaço.
Não.
Os astros que enchem nosso céu de luz
Que nos fazem em poemas
Que nos velam o sono
Que nos têm em sonho
Não são vaga-lumes condenados à morte.
Não.
A vida não pode ser explicada apenas
Pelo início e pelo fim
Pois há o meio
E é no meio que se vive.
Marcadores:
cu,
josé fernando nandé,
Negativa III,
poesia brasileira,
poeta paranaense
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Miudezas
Juntem esses poucos retalhos,
Juntem esses pequenos ciscos,
Juntem os pensamentos apequenados,
Juntem as migalhas da mesa,
Juntem o que nos sobra direito ou torto,
Juntem essas pequeninas coisas
Porque é de miudezas que se enche o mundo.
Juntem os últimos suspiros dos moribundos
Juntem tudo que vaga entre os vagabundos
Porque é a partir do miúdo que se explica o todo.
Juntem o ar da manhã com o vento noturno
Juntem os signos às luas de Saturno
Juntem o perdão à pena do condenado
Juntem o remédio aos irremediados
Porque é da miudagem que se tem o inteiro.
Juntem tudo que não presta
Juntem tudo que tem serventia
Juntem tudo e bem juntado
Porque é da miuçalha que o Universo se veste.
Juntem esses pequenos ciscos,
Juntem os pensamentos apequenados,
Juntem as migalhas da mesa,
Juntem o que nos sobra direito ou torto,
Juntem essas pequeninas coisas
Porque é de miudezas que se enche o mundo.
Juntem os últimos suspiros dos moribundos
Juntem tudo que vaga entre os vagabundos
Porque é a partir do miúdo que se explica o todo.
Juntem o ar da manhã com o vento noturno
Juntem os signos às luas de Saturno
Juntem o perdão à pena do condenado
Juntem o remédio aos irremediados
Porque é da miudagem que se tem o inteiro.
Juntem tudo que não presta
Juntem tudo que tem serventia
Juntem tudo e bem juntado
Porque é da miuçalha que o Universo se veste.
Marcadores:
curitiba,
josé fernando nandé,
miudezas,
poesia brasileira,
poeta paranaense
Canora
Ouça,
A verde ave canora canta...
É um canto único, novo.
Em suave sonoridade
Canta
A velha esperança renascida na aurora.
Ouça,
Não há dor neste canto,
A esperança não comporta dores de outrora.
Ouça,
No último agudo
Há o riso de uma criança
Gerada na dor - esta velha senhora.
Ouça,
Ouça a esperança canora
Que nada espera
E se faz num canto único
A cantar o agora.
A verde ave canora canta...
É um canto único, novo.
Em suave sonoridade
Canta
A velha esperança renascida na aurora.
Ouça,
Não há dor neste canto,
A esperança não comporta dores de outrora.
Ouça,
No último agudo
Há o riso de uma criança
Gerada na dor - esta velha senhora.
Ouça,
Ouça a esperança canora
Que nada espera
E se faz num canto único
A cantar o agora.
Marcadores:
Canora,
curitiba,
josé fernando nandé,
poesia brasileira,
poeta paranaense
Assinar:
Postagens (Atom)
