Por que queres me beijar assim, polaca?
Poeta beija de um jeito diferente,
Com versos que te mordem a língua
E que no céu da boca estrelas acendem.
É que guardei para ti palavras em fogo
Que hão de me escapar ao lamber-te
E que lentas e silenciosas se juntarão
Ao clarão de teus olhos em êxtase.
Não. Não renego teus lábios quentes,
Dulcíssimos como a rubra groselha
A enfeitar teu lácteo corpo, doce deleite.
Assim, murmuro a dizer-te o quão és bela...
É que no sussurro também há cálida carícia
A provocar arrepios no vão entre tuas pernas.
Copyright © 2005 by Fernando Nandé, poesia, literatura, Curitiba-PR Brazil.
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quinta-feira, 19 de agosto de 2010
O beijo na polaca
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sábado, 24 de julho de 2010
Vento na macega
"Ainda sinto na pele o sol e a lua,
ouço a chuva cair na minha rua,
e a vida ainda me aperta nos seus braços".
Fernanda de Castro in
"E Eu, Saudosa, Saudosa"
ouço a chuva cair na minha rua,
e a vida ainda me aperta nos seus braços".
Fernanda de Castro in
"E Eu, Saudosa, Saudosa"
Ame, triste moça! Ame, pobre pirralho!
Amem! Amem ao infinito, jovens e velhos!
A vida afora amar não pode ser algo
Além de daninha erva a espera da sega.
Amem! Proclamem algures e alhures a pessoa amada.
Gritem! Pode ser clamor avulso e perdido na tarde.
Importante que o amor a todos seja gratuita dádiva,
Porque se abrasada, toda macega na ventania arde.
Assim, que nos incendeiem os estrênuos ventos
Por este mundo feito de tumulto e tempestades.
No amor sabemos que não somos bem seguros,
Sem amor somos no mundo o conteúdo do nada.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
A felicidade é polaca
Doirada toda até nos mais escondidos pelos
Por sobre uma pele arrepiada em puro rosa,
És albinua sob a Lua,
És o lume do meu Sol,
És a minha lúdica polaca.
És aquela que grita lá da cozinha
Inda esfaimada, em pelo, sem pudor:
- Estou fritando "maréco", amor!
E doiras na intensa chama a ave
Que, na cama, darás a comer
A este poeta que sofre no torpor
Da anterior extenuante cruzada,
Mísero sarraceno sobrevivente
Do mais loiro dos incêndios.
Por sobre uma pele arrepiada em puro rosa,
És albinua sob a Lua,
És o lume do meu Sol,
És a minha lúdica polaca.
És aquela que grita lá da cozinha
Inda esfaimada, em pelo, sem pudor:
- Estou fritando "maréco", amor!
E doiras na intensa chama a ave
Que, na cama, darás a comer
A este poeta que sofre no torpor
Da anterior extenuante cruzada,
Mísero sarraceno sobrevivente
Do mais loiro dos incêndios.
sábado, 17 de julho de 2010
Meu coração
Não mais pulsarás
Vou te congelar
Numa câmara fria
Usando a criogenia
Dos adeuses
Das barregãs perdidas
E das amantes
De um único dia.
Não mais baterás
Pelas belas mulheres
Pelos perfumes alucinantes
Pelo amor terrível
Em outros peitos lascivos.
Não mais sentirás
Encantos
Nos oblíquos olhares
Nos sorrisos dissimulados
Nas formas de feitio feminino
A chamar-me para o pecado.
Serás apenas um enfeite
Da vida meu pingente
Frio como o vácuo das trevas
Inerte como solitária erva
Que alegra este mundo
Porém, estática,
Às criaturas serve de pasto.
Vou te congelar
Numa câmara fria
Usando a criogenia
Dos adeuses
Das barregãs perdidas
E das amantes
De um único dia.
Não mais baterás
Pelas belas mulheres
Pelos perfumes alucinantes
Pelo amor terrível
Em outros peitos lascivos.
Não mais sentirás
Encantos
Nos oblíquos olhares
Nos sorrisos dissimulados
Nas formas de feitio feminino
A chamar-me para o pecado.
Serás apenas um enfeite
Da vida meu pingente
Frio como o vácuo das trevas
Inerte como solitária erva
Que alegra este mundo
Porém, estática,
Às criaturas serve de pasto.
domingo, 30 de maio de 2010
Amorímetro
Inventei máquina nova,
Finalmente, um engenho útil!
Consigo agora medir o amor.
Na realidade, é um medidor
Que tem uma escala infinita
Vem dos negativos números
Passa pelo zero e avança ao eterno.
É invisível e funciona assim:
Traga para seu peito
O objeto do teu querer;
Segure-o firme, apertado mesmo;
Sinta-lhe o calor, o desejo;
Depois, meça o bater do coração alheio
E multiplique pelo logaritmo
Da quentura que sobe ao rosto.
Não há erro nessa operação.
Na máquina só há um defeito,
Ela não funciona em sujeitos
Que desejam o amor em precisão monótona.
Naturalmente, tem que ser usada todos os dias.
No amar sempre haverá uma quantia nova
Que foge das imutáveis tabelas, da álgebra fria.
No modo de usar, ainda uma advertência,
Tal máquina aponta para o nada em vidinhas vazias.
Finalmente, um engenho útil!
Consigo agora medir o amor.
Na realidade, é um medidor
Que tem uma escala infinita
Vem dos negativos números
Passa pelo zero e avança ao eterno.
É invisível e funciona assim:
Traga para seu peito
O objeto do teu querer;
Segure-o firme, apertado mesmo;
Sinta-lhe o calor, o desejo;
Depois, meça o bater do coração alheio
E multiplique pelo logaritmo
Da quentura que sobe ao rosto.
Não há erro nessa operação.
Na máquina só há um defeito,
Ela não funciona em sujeitos
Que desejam o amor em precisão monótona.
Naturalmente, tem que ser usada todos os dias.
No amar sempre haverá uma quantia nova
Que foge das imutáveis tabelas, da álgebra fria.
No modo de usar, ainda uma advertência,
Tal máquina aponta para o nada em vidinhas vazias.
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Manias da ninfa
Desfrutável:
Para ela, a brisa não é simples vento
Para ela, qualquer soprinho é carícia
Insaciável:
Para ela, interessa a infinita repetição do ato
Para ela, o ato só é real na delícia da fantasia
Ilacrimável:
Para ela, sofrer de amor não é sofrer
Para ela, morrer de amor é estar viva
Incansável:
Para ela, só importa a paixão sem fim na horizontal
Paralela a mim, amar é adiar-se no orgasmo animal.
Para ela, a brisa não é simples vento
Para ela, qualquer soprinho é carícia
Insaciável:
Para ela, interessa a infinita repetição do ato
Para ela, o ato só é real na delícia da fantasia
Ilacrimável:
Para ela, sofrer de amor não é sofrer
Para ela, morrer de amor é estar viva
Incansável:
Para ela, só importa a paixão sem fim na horizontal
Paralela a mim, amar é adiar-se no orgasmo animal.
terça-feira, 4 de maio de 2010
Instrumental I
Dá-me, estimada e querida amiga,
Divino e celeste diapasão para afinar
O estampido da cosmogonia explosiva
Desse Big Bang que nos fez em vida
Dá-me, ainda, um metrônomo novo
Que consiga mensurar a vagabundagem
Desse nosso tempo andarilho e pulsante
Em ordinários relógios descartáveis
Dá-me, querida, uma semínima pontuada
Para que eu possa compor uma infinita ária
Com os longos ais suspirados no sofrimento
Dessa gente que só espera a câmara que arde.
Divino e celeste diapasão para afinar
O estampido da cosmogonia explosiva
Desse Big Bang que nos fez em vida
Dá-me, ainda, um metrônomo novo
Que consiga mensurar a vagabundagem
Desse nosso tempo andarilho e pulsante
Em ordinários relógios descartáveis
Dá-me, querida, uma semínima pontuada
Para que eu possa compor uma infinita ária
Com os longos ais suspirados no sofrimento
Dessa gente que só espera a câmara que arde.
sábado, 24 de abril de 2010
Amor galático
Em noites de Lua,
Tinha por hábito
Orbitar galáxias.
Circundava estrelas,
Bebia da láctea via
E ficava bêbado.
Tinha este estranho hábito
De fugir da gravidade
E ocupar vácuos profundos.
Seu mal foi encontrar a Anã Branca.
Paixão doida, provocada por neutrinos.
Logo ele, que nunca descia das alturas!
Mas, amor é amor. Cacete,
Branca estava iluminada
Por raios gama!
Tinha agora um buraco negro no coração.
Calculava: luzes não percorrem linha reta;
O amor universal segue linha torta.
Talvez, ao vencer 10 mil anos-luz,
Consiga coragem para pedi-la
Em casamento. Tímido, tímido.
Caminhava pela Via Láctea,
Sonhava buracos de minhoca
E se enforcava na teoria das cordas.
Tinha por hábito
Orbitar galáxias.
Circundava estrelas,
Bebia da láctea via
E ficava bêbado.
Tinha este estranho hábito
De fugir da gravidade
E ocupar vácuos profundos.
Seu mal foi encontrar a Anã Branca.
Paixão doida, provocada por neutrinos.
Logo ele, que nunca descia das alturas!
Mas, amor é amor. Cacete,
Branca estava iluminada
Por raios gama!
Tinha agora um buraco negro no coração.
Calculava: luzes não percorrem linha reta;
O amor universal segue linha torta.
Talvez, ao vencer 10 mil anos-luz,
Consiga coragem para pedi-la
Em casamento. Tímido, tímido.
Caminhava pela Via Láctea,
Sonhava buracos de minhoca
E se enforcava na teoria das cordas.
sábado, 10 de abril de 2010
Linda vai embora
Ó linda, para onde tu vais
Com o olhar a queimar
Este dia tão frio e de tanta solidão?
Ó linda, para onde tu vais
Com a luz de meus olhos
Roubada de tanta coisa triste.
Ó linda, não vás não, é que cansei,
Cansei de ver o horror do mundo,
Horror que tanto me entristece.
Linda, ó linda, de mim não desertes,
É que careço de tua beleza numa prece,
Mandinga para espantar tanta coisa feia!
Com o olhar a queimar
Este dia tão frio e de tanta solidão?
Ó linda, para onde tu vais
Com a luz de meus olhos
Roubada de tanta coisa triste.
Ó linda, não vás não, é que cansei,
Cansei de ver o horror do mundo,
Horror que tanto me entristece.
Linda, ó linda, de mim não desertes,
É que careço de tua beleza numa prece,
Mandinga para espantar tanta coisa feia!
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Virgo et Scorpio
Não ligue não,
Sou tímida e tenho medo!
Não o medo de amar somente,
Mas o medo da solidão
Que certamente virá de brinde.
Paixão e solidão cultivam antiga amizade.
Não há constância nos homens.
Nem mesmo nos regidos por Plutão.
É de sua natureza;
Os escorpianos matam o objeto do desejo
Quando deles se fazem enfastiados.
De modo contrário, gostamos de guardar entulhos.
Nós, as nascidas em Virgem, conservamos organizadamente
Em nossos corações amores únicos e impossíveis.
A púrpura é sua cor predileta
E combina com a dor que sangra
Na pele de quem você fere.
Você há de se ressentir dos meus amores antigos,
Terá até mesmo ciúme do que ficou guardado em meu peito.
Ciúme dos infelizes que fizeram minha história.
É este férreo desejo que você arrasta como mistério...
Ele me assusta e diz que devo guardar de você distância.
(Seu veneno escondido sussurra-me que sou a próxima vítima!).
Sou tímida e tenho medo!
Não o medo de amar somente,
Mas o medo da solidão
Que certamente virá de brinde.
Paixão e solidão cultivam antiga amizade.
Não há constância nos homens.
Nem mesmo nos regidos por Plutão.
É de sua natureza;
Os escorpianos matam o objeto do desejo
Quando deles se fazem enfastiados.
De modo contrário, gostamos de guardar entulhos.
Nós, as nascidas em Virgem, conservamos organizadamente
Em nossos corações amores únicos e impossíveis.
A púrpura é sua cor predileta
E combina com a dor que sangra
Na pele de quem você fere.
Você há de se ressentir dos meus amores antigos,
Terá até mesmo ciúme do que ficou guardado em meu peito.
Ciúme dos infelizes que fizeram minha história.
É este férreo desejo que você arrasta como mistério...
Ele me assusta e diz que devo guardar de você distância.
(Seu veneno escondido sussurra-me que sou a próxima vítima!).
terça-feira, 6 de abril de 2010
Scorpio et Virgo
Sou de Escorpião,
Concebido de coração escondido
E provido de mortal veneno guardado.
Tu és de Virgem,
De alma escondidinha também,
Entretanto, transbordante em afetuosidade.
A rigor, não combinamos.
Porém, desconfio das estrelas
Que te entregaram em fado aos nativos em Peixes
E a mim a esta gente regida por Vênus.
Tu és, portanto, meu desafio
A arder a fio em férreo desejo incendiado.
Duvido igualmente que tenhas que viver só, triste em terra
E que eu deva triste viver entregue à solitária e fria água.
Creio que há possibilidades
De combinarmos a púrpura com o azul-prateado,
Altas temperaturas com teu rubor e senso prático.
Mas, o que eu queria te dizer, soprar-te aos ouvidos,
É que sou a constância pela qual pelejas,
Cercado de mistérios, é verdade,
Mas que tua inteligência já tem por compreendido.
Meu ciúme iria bem com tua entrega total...
Sabes, sou poeta, e posso suplicar às estrelas
Para que elas te digam das falhas dos horóscopos
Ao te olvidares dos signos ascendentes
E dos desejos que ignoram as vontades dos astros.
Concebido de coração escondido
E provido de mortal veneno guardado.
Tu és de Virgem,
De alma escondidinha também,
Entretanto, transbordante em afetuosidade.
A rigor, não combinamos.
Porém, desconfio das estrelas
Que te entregaram em fado aos nativos em Peixes
E a mim a esta gente regida por Vênus.
Tu és, portanto, meu desafio
A arder a fio em férreo desejo incendiado.
Duvido igualmente que tenhas que viver só, triste em terra
E que eu deva triste viver entregue à solitária e fria água.
Creio que há possibilidades
De combinarmos a púrpura com o azul-prateado,
Altas temperaturas com teu rubor e senso prático.
Mas, o que eu queria te dizer, soprar-te aos ouvidos,
É que sou a constância pela qual pelejas,
Cercado de mistérios, é verdade,
Mas que tua inteligência já tem por compreendido.
Meu ciúme iria bem com tua entrega total...
Sabes, sou poeta, e posso suplicar às estrelas
Para que elas te digam das falhas dos horóscopos
Ao te olvidares dos signos ascendentes
E dos desejos que ignoram as vontades dos astros.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Meus versos não eram teus
Guardo em mim tua amena e delicada meiguice,
A mesma de quando vieste a meus olhos míopes
Tão mulher - fresca água boricada n'alma em desânimo.
Não. Não há raiva nem vingança
Naquilo que te digo e hei miseravelmente escondido.
É que me faltou tempo e jeito enquanto esperava-te outra.
Sei que menti, meus versos não eram teus,
Eram para uma deusa rematada,
Como bem acabadas devem ser as deidades de Apolo.
Mas os poemas casavam tão bem contigo!!!
Tinham tuas medidas, tuas adjacências,
E, logo, deslizavam tão lisamente sobre tua alucinante língua.
Confesso: meus escritos não eram para ti,
Eram dulcíssimos oblatos para coisa em eternidade;
Singelas linhas para quem se ama em segredo e verdade.
Tu foste, aparentemente, meu sonho aprumado em vida sem prumo.
Porém, meu verso buscava outra diva
Tão perfeita e em imperfeição que, por certo, nunca te teria em rumo.
Bela tu és,
Musa não és;
Perdoa-me
Essa liberdade
Sem licença
E maléfica
Na minha
Imprudência
Poética.
A mesma de quando vieste a meus olhos míopes
Tão mulher - fresca água boricada n'alma em desânimo.
Não. Não há raiva nem vingança
Naquilo que te digo e hei miseravelmente escondido.
É que me faltou tempo e jeito enquanto esperava-te outra.
Sei que menti, meus versos não eram teus,
Eram para uma deusa rematada,
Como bem acabadas devem ser as deidades de Apolo.
Mas os poemas casavam tão bem contigo!!!
Tinham tuas medidas, tuas adjacências,
E, logo, deslizavam tão lisamente sobre tua alucinante língua.
Confesso: meus escritos não eram para ti,
Eram dulcíssimos oblatos para coisa em eternidade;
Singelas linhas para quem se ama em segredo e verdade.
Tu foste, aparentemente, meu sonho aprumado em vida sem prumo.
Porém, meu verso buscava outra diva
Tão perfeita e em imperfeição que, por certo, nunca te teria em rumo.
Bela tu és,
Musa não és;
Perdoa-me
Essa liberdade
Sem licença
E maléfica
Na minha
Imprudência
Poética.
sábado, 20 de março de 2010
Amor físico
Fui atraído pela sua singular matéria
Na razão direta de nossas massas
E na razão inversa do quadrado de nossas distâncias,
Tudo isso multiplicado por uma constante
De atração animal e sexual;
De forma empírica, irracional,
Sem equações e validações matemáticas.
Hoje, estudo a termodinâmica de seus beijos
E a hidrodinâmica de sua boca na minha boca.
Perto de você, as batidas de meu coração
Têm brusca variação na aceleração
E se perdem na velocidade e no tempo.
Já quebrei dois termômetros e um calorímetro
Quando fiquei longe de seus olhos em plasma.
Calor, sentia muito calor. O médico disse ser febre,
Inexplicável e delirante febre de amor carnal.
Ao seu lado sinto-me curado
E temo - e como temo! - que tudo termine
No zero absoluto em que as paixões são extintas,
No zero glacial da total ausência de sua energia vital,
No zero representativo do nada em que nos tornamos
Quando do amor somos ausentes ou em tolice dele desertamos.
Na razão direta de nossas massas
E na razão inversa do quadrado de nossas distâncias,
Tudo isso multiplicado por uma constante
De atração animal e sexual;
De forma empírica, irracional,
Sem equações e validações matemáticas.
Hoje, estudo a termodinâmica de seus beijos
E a hidrodinâmica de sua boca na minha boca.
Perto de você, as batidas de meu coração
Têm brusca variação na aceleração
E se perdem na velocidade e no tempo.
Já quebrei dois termômetros e um calorímetro
Quando fiquei longe de seus olhos em plasma.
Calor, sentia muito calor. O médico disse ser febre,
Inexplicável e delirante febre de amor carnal.
Ao seu lado sinto-me curado
E temo - e como temo! - que tudo termine
No zero absoluto em que as paixões são extintas,
No zero glacial da total ausência de sua energia vital,
No zero representativo do nada em que nos tornamos
Quando do amor somos ausentes ou em tolice dele desertamos.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Todos os e-mails de amor...
Escrevo-te e-mails instantâneos
Tão ridículos quanto as cartas de amor
Do tempo de Fernando Pessoa.
(Escrever coisas de amor
Será sempre esdrúxulo a qualquer tempo)
Criatura, hoje não há mais carteiro!
Meus e-mails trafegam pelo ciberespaço
E, miseravelmente chegam, talvez,
Ao imaculado juízo de teus olhos
Não mais em mal traçadas linhas;
Sem perfumes, sem pingos de lágrimas.
São elétrons ridículos a falar de amor
E que temem a despropositada tecla delete
Ou o simples esquecimento na tua Caixa Postal.
Tão ridículos quanto as cartas de amor
Do tempo de Fernando Pessoa.
(Escrever coisas de amor
Será sempre esdrúxulo a qualquer tempo)
Criatura, hoje não há mais carteiro!
Meus e-mails trafegam pelo ciberespaço
E, miseravelmente chegam, talvez,
Ao imaculado juízo de teus olhos
Não mais em mal traçadas linhas;
Sem perfumes, sem pingos de lágrimas.
São elétrons ridículos a falar de amor
E que temem a despropositada tecla delete
Ou o simples esquecimento na tua Caixa Postal.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Devassa
Teu beijo, amor meu,
É a mistura de finas essências,
A quintessência da loucura.
Tem o frescor da água pura
E a violência da tempestade
A surrar um campo de trigo.
Mas, ao sentir-te melhor, amor meu,
Vejo que teu beijo
Tem um leve amarguinho de fundo,
O amargor do lúpulo do coração
De todas as fêmeas.
É por isso que te bebo
E vivo embriagado de ti.
É a mistura de finas essências,
A quintessência da loucura.
Tem o frescor da água pura
E a violência da tempestade
A surrar um campo de trigo.
Mas, ao sentir-te melhor, amor meu,
Vejo que teu beijo
Tem um leve amarguinho de fundo,
O amargor do lúpulo do coração
De todas as fêmeas.
É por isso que te bebo
E vivo embriagado de ti.
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Asas noturnas
A noite liberta de meu peito todo carinho
Que voa, voa... Até encontrar o seu coração.
Aninho-me nele e sonho suavidades
Ouvindo sua canção a compassar carícias
Doces e eternas como o beijo da saudade.
Que voa, voa... Até encontrar o seu coração.
Aninho-me nele e sonho suavidades
Ouvindo sua canção a compassar carícias
Doces e eternas como o beijo da saudade.
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terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Tarde de vento
Vieste com o vento,
Num final de tarde,
Cheia de flores amarelas
A te enfeitar os cabelos.
É, vieste com o vento
Soprado em branda brisa.
Deste-me, depois, um beijo leve
A pedir-me breve amparo
Neste voar constante da vida.
(Amparei-te - estava só -
Por que não te dar o braço?
No conhecer do adeus somos esquecidos)
Cômodo, inerte e preso
Guardo-te, muda rouxinol,
Na gaiola dourada
Como triste e calado enfeite.
Hoje, quando sinto o vento,
Vislumbro nele aragem mágica
A lecionar para ti, cativa,
Os antigos e olvidados mistérios
Do voar livre e contente.
Num final de tarde,
Cheia de flores amarelas
A te enfeitar os cabelos.
É, vieste com o vento
Soprado em branda brisa.
Deste-me, depois, um beijo leve
A pedir-me breve amparo
Neste voar constante da vida.
(Amparei-te - estava só -
Por que não te dar o braço?
No conhecer do adeus somos esquecidos)
Cômodo, inerte e preso
Guardo-te, muda rouxinol,
Na gaiola dourada
Como triste e calado enfeite.
Hoje, quando sinto o vento,
Vislumbro nele aragem mágica
A lecionar para ti, cativa,
Os antigos e olvidados mistérios
Do voar livre e contente.
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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Choro de espera
Meu pensamento viaja pelo silêncio
E encontra indecifrável lágrima em teus olhos.
Por que chora? – pergunto ao vento.
Por que choras? Por que mesmo feliz tu sofres?
E uma brisa soprada dos mares de todas as sortes
Diz-me que choras, porque chorar é rir às avessas
Dessa humana louca loucura
Que é viver a espera da morte.
E encontra indecifrável lágrima em teus olhos.
Por que chora? – pergunto ao vento.
Por que choras? Por que mesmo feliz tu sofres?
E uma brisa soprada dos mares de todas as sortes
Diz-me que choras, porque chorar é rir às avessas
Dessa humana louca loucura
Que é viver a espera da morte.
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
A luz da Bem-amada
Bem-amada,
O Sol desponta
E nos promete um dia feliz.
Bem-amada, vive este dia,
Banha-te de luz,
Amanhã o Sol pode não vir.
Dá-me tua luz nesta hora,
Porque noutras auroras
Meu peito pode anoitecer
E sentir saudades
Desta breve manhã de Sol
Que nasce em teus olhos.
Querida e Bem-amada,
Amemo-nos hoje
Na intensa e finita intensidade
Das horas boas que vamos juntar
E que miseráveis minutos já consomem,
Porque
Ser noite é o destino em tristeza da luz,
Anoitecer é a sina única e triste dos homens.
O Sol desponta
E nos promete um dia feliz.
Bem-amada, vive este dia,
Banha-te de luz,
Amanhã o Sol pode não vir.
Dá-me tua luz nesta hora,
Porque noutras auroras
Meu peito pode anoitecer
E sentir saudades
Desta breve manhã de Sol
Que nasce em teus olhos.
Querida e Bem-amada,
Amemo-nos hoje
Na intensa e finita intensidade
Das horas boas que vamos juntar
E que miseráveis minutos já consomem,
Porque
Ser noite é o destino em tristeza da luz,
Anoitecer é a sina única e triste dos homens.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Beijo solar
Quando o Sol brilhar
Deixe-me adormecer
Num sono diurno
De sonhos iluminados
Deixe-me desfalecer
Abandonado no lago
Desta manhã azulada
E de espreguiçamentos
Quando o Sol queimar
Quero teu beijo
Tão terno e eternizado
Quanto o azul do amanhecer.
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