segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Beijo solar

Quando o Sol brilhar
Deixe-me adormecer
Num sono diurno
De sonhos iluminados

Deixe-me desfalecer
Abandonado no lago
Desta manhã azulada
E de espreguiçamentos

Quando o Sol queimar
Quero teu beijo
Tão terno e eternizado
Quanto o azul do amanhecer.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Amor infinitesimal

Destripei e esquartejei
Um átomo de mim.
Tirei-lhe os prótons
Arranquei-lhe os elétrons.
Com os nêutrons fiz
Um colar de contas para
A mulher que me olhava da janela.
Para ela, e só para ela,
Que tinha os cabelos enfeitados
Com todas as cores
Da Rosa dos Ventos.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Flores solares

Setembro, 22...
Hoje o Sol deveria anunciar a Primavera,
A nona deste Século nado-morto,
Mas não há Sol e as flores banham-se numa chuva de tristeza imponderável.

Há uma frente fria congelando os jardins
E os poemas vegetam dentro de sementes que não brotaram.

Escuto o sussurrar do vento soprado do Norte...
Promete-me noutro dia, quem sabe na morte, a luz das primitivas eras.

O tempo, os elementos, a poesia
E tudo que nos enche a vida de vida
Felizmente desconhecem calendários
E se fazem, simplesmente se fazem,
desconsiderando relógios e as revoluções solares.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Etérea

De que matéria tu és,
De que tênue trama atômica
Surgiram teus olhos
Em súplicas de amor?

Quero agora saber do teu cheiro
Que tu abandonas
No circuito dos astros,
Nas revoluções dos planetas ao invés.

Por que deixas tuas mãos,
Enfeitadas com os anéis de Saturno,
Agarrarem o luar
E iluminar todos os sóis?

Que energia faz teu corpo tremer
Num beijo, num soluço até,
Neste prazer ínfimo e infinito
No qual te orbitei?

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Para a inveja dos anjos e demônios

Deus não quis que o homem voasse,
Por isso, criou os poetas, anjos e demônios,
Que são seres parecidos com os homens;
Nem no mais nem no menos,
Só nas asas não são iguais.

E nesta parecença apenas,
Para espanto dos bichos alados,
Num porém da vida,
Nesses poréns que a vida descuida,
Em noite de encantamentos, talvez,
Em noite de poesia cheia,
Os poetas, que por assim não saberiam voar,
Negam-se em humanidade e
Avoam, e avoam, e avoam...

Avoam para invejança doutras criaturas
Que tentam cantar a manhã
Numa mesma melodia que se arrepete em eternidades.

Não há poetas entre os anjos e demônios,
Por isso eles desconhecem os versos do dia que se faz.
O voo deles é apenas parte da melodia da coisa repetida.

Para desesperança dos tinhosos e imaculados
Que gostam da ordem e coisa não mexida,
O senhor criou o poeta,
Para voar, para escrever Sua poesia,
A mistura de tudo o que foi criado.

Lá do alto, completo,
O verso escapa da boca do poeta e diz
Do tempo que há de vir
Do tempo que perdeu a asa,
Do agora, deste poema sem hora.

Avoa poeta
E canta inteira a poesia de Deus.
Avoa poeta,
Sua vida é avoar
Para a invejança das criaturas
Cante o poema que se escondeu
Na mais alta nuvem
No céu, nas alturas
E que nem Arcanjos e anjos caídos
Podem alcançar.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Negativa III

Não.
Não pode ser o vácuo
O lugar das inexistências
Pois tudo que existe
E que virá a existir
Precisa de espaço.

Não.
Os astros que enchem nosso céu de luz
Que nos fazem em poemas
Que nos velam o sono
Que nos têm em sonho
Não são vaga-lumes condenados à morte.

Não.
A vida não pode ser explicada apenas
Pelo início e pelo fim
Pois há o meio
E é no meio que se vive.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Miudezas

Juntem esses poucos retalhos,
Juntem esses pequenos ciscos,
Juntem os pensamentos apequenados,
Juntem as migalhas da mesa,
Juntem o que nos sobra direito ou torto,
Juntem essas pequeninas coisas
Porque é de miudezas que se enche o mundo.

Juntem os últimos suspiros dos moribundos
Juntem tudo que vaga entre os vagabundos
Porque é a partir do miúdo que se explica o todo.

Juntem o ar da manhã com o vento noturno
Juntem os signos às luas de Saturno
Juntem o perdão à pena do condenado
Juntem o remédio aos irremediados
Porque é da miudagem que se tem o inteiro.

Juntem tudo que não presta
Juntem tudo que tem serventia
Juntem tudo e bem juntado
Porque é da miuçalha que o Universo se veste.

Canora

Ouça,
A verde ave canora canta...
É um canto único, novo.
Em suave sonoridade
Canta
A velha esperança renascida na aurora.
Ouça,
Não há dor neste canto,
A esperança não comporta dores de outrora.
Ouça,
No último agudo
Há o riso de uma criança
Gerada na dor - esta velha senhora.
Ouça,
Ouça a esperança canora
Que nada espera
E se faz num canto único
A cantar o agora.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Lá fora

Minha doce Senhora,
O céu já é claro,
Vejo isto pela janela de seus olhos,
Lá fora o frio quer encontrar sua pele
Durma novamente
Vou-me
Vou-me
Lá fora, vejo pela janela,
A labuta quer tirar a minha pele.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Ausente

-->

Tinha o olhar de nadavê,
As feições do nadacrê,
E estava no mundo
Satisfeito como grama
Em dia de chuva.

Dava por si raramente
Quando na dor se sentia.
Percebia nestes momentos,
E somente neles,
Que tinha em si, nos ossos,
O ruminar do existir
E o tempo a roer tudo.
Mas logo esquecia o tudo e o tempo.
De resto, como vivia bem
Na ignorância total de si!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

O pavor de sempre

Cansam-me as tragédias do mundo,
Elas se repetem, tragicamente se repetem...
Meus amigos arregalam os olhos,
Comentam manchetes,
Fazem o sinal da cruz...
E na fila do banco, e no conforto da cama,
Na solidão sanitária,
Oram evocando terrível Deus.
Cansam-me meus amigos
Com as tragédias embutidas em suas rezas.
Ignoram eles, ou assim pensam ignorar,
Que ser homem entre os homens
É a única e verdadeira tragédia
De final por demais conhecido:
A estupidez se repete na morte
E, estupidamente, nos apavoramos sempre.

terça-feira, 7 de julho de 2009

A caminho de Cocanha


Meus pés são cansados
Mas, a Cocanha chegarei!

Em Cocanha não há pecado
E se houver, um abade esfarrapado
Há de dispensar minha confissão.
Em verdade, em tal cidade
Não viver bem é aberração .

Meus pés são cansados
Mas, a Cocanha chegarei!

Ah, Cocanha fica além de Pasárgada,
Dorme no colo do vento
E tem, em léguas bem medidas,
O tamanho do nosso pensamento!
Lá todos são soberanos,
Porque só há engano
Em apenas ser amigo do rei:
É preciso também ser rei no lugar do rei!

Meus pés são cansados
Mas, a Cocanha chegarei!

Em Cocanha, o amor se tem aos metros
Cantado em versos e de graça dado.
Lá não há o certo e o errado,
O direito e o avesso,
O torto e o perfeito.
Lá cada um é de seu jeito.

Meus pés são cansados
Mas, a Cocanha hoje chegarei!

Lá meus amigos não negarão seus abraços,
As belas mulheres não medirão minha carteira.
E dividirei meu copo servido por Baco
Com o abade gordo, sorridente e bêbado,
Porque em Cocanha não há pecado
Para quem desejou na vida apenas ser e ter estado;
Em Cocanha sou rei no lugar do rei!

Meus pés são cansados
Mas, a Cocanha hoje chegarei!


sábado, 27 de junho de 2009

Toada corre-mundo

Corro mundo, corro dia,
Carrega-me o vento, ventania.
Meu caminho é a saudade
De teus beijos vida minha.
Sou caboclo corre-mundo,
Que tem nos olhos
O feitio das paisagens,
No peito, vida minha,
Carinhos não esquecidos,
Amor, calmaria e tempestade.
Corro mundo, corro dia,
Só não corro da saudade.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Quinta Avenida



Seres bovinos ruminam o ar da manhã.
Guiados por seus pés, deixam-se engolir por carcaças de lata.
Bovinamente vão fazer alguma coisa,
Ocupar o tolo tempo entre o nascer e o morrer.
Tolamente moverão mundos e fundos.
E no ruminar do ar da noite,
Depois destas tolicies todas,
Num fundo poço, hão de descobrir
Que de nada valeu tanto esforço
Porque o mundo, que de seu eixo não se moveu milímetro,
Bovinamente rumina o tempo do homem.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Insulto

Fagundes Varela
Morreu no Século XIX
De insulto cerebral
(Está no seu atestado de óbito!)
Vou adiante
Em nosso Século
Século findo
Permeado de absurdos
Profundamente nauseantes
E bárbaros
Esta é a causa da morte
De todos os poetas! (29/10/97).

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Celas abertas

A Ana Clara Garmendia

Arrependimento mata, Maninha
Se eu soubesse que seria tão duro assim
Tudo de errado teria feito

Teria Cativado a flor
Num jardim somente meu

Teria preso os pássaros
Armado arapuca
E guardado o canto deles
Numa concha pequenina
Abandonada no jardim

Teria roubado a flor do campo
E aprisionado sua beleza
De uma semana
Numa garrafa carmim

Arrependimento mata, Maninha
Se eu soubesse
Roubaria de você o perfume
E o guardaria todo num frasco
Antigo, translúcido, marfim

Arrependimento mata, maninha
Por respeitar o belo
Nada de belo guardei para mim

Estou morto, Maninha. (Verão de 1998).

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Noite

Na mais profunda das ausências
Sinto teu cheiro e teu calor
Enfim, teu corpo inteiro
Enrolado no meu
Como lençol
E teu peito serve-me
De magnífico travesseiro.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Fogueiras de antigo Inverno

Zunido de bala no escuro
Zumbido de abelha na bananeira
Estampido das cores do arco-íris
Assobio de cana chupada numa tarde de Inverno
Calafrio do medo de assombração
Frio medroso ao namorar Maria Imaculada da Conceição em arrepios
Debaixo do abacateiro plantado pelo pai da moça, "Seo Matassete"
Frio aquentado nas mornas fogueiras de São João que queimavam:
Estampidos de um coração moço, inocente e absurdamente tolo.

terça-feira, 24 de março de 2009

Sem pecados

Maria Francisca
Tem no nome marcas da caridade.
E na Casa da Luz Negra
Maria Francisca
Troca, com orgulho,
A luxúria pela piedade.
E para os homens avaros
Dá, sem ira, gratuito amor.
Bela, Maria Francisca é invejada
Pelas gulosas e gordas companheiras de ofício.
Maria Francisca ri da vaidade alheia
E, em silêncio, depois de mais um ato de caridade,
Pede a Francisco e Maria
A paz de impudica santidade.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Devoto

Sou devoto das coisas simples.
Na complexidade própria,
Na complexidade do entardecer,
Fico simplesmente parado,
Observando, vendo... Escutando
As explicações dos matos e flores,
Que crescem sem fazer barulho,
Sem mostrar que crescem.
Escuto minhas explicações
Sobre as dúvidas que crescem:
Por que a chuva molha a terra,
Por que deste molhar leve,
Por que dos adeuses,
Por que dos encontros,
Por que do conhecer...?
E em resposta simples,
Sem fazer barulho,
Devotamente rezo.

terça-feira, 10 de março de 2009

Eternidades

Senhora dos pensamentos meus,
É hora de recomeçar os versos,
Alisar esse tempo de bárbaros
E dele tirar a fina pele.
Sonho contigo, minha senhora,
Pois de ti emana toda poesia
Que se faz luz na noite dos homens.
Descobri a eternidade, minha senhora,
Queria confessar isso agora,
Ela mora nas entrelinhas dos versos
E, escondida, só se mostra aos poetas.
A poesia é eterna,
O poeta é eterno,
E tu, minha senhora,
És a substância
Dessas eternidades.

Felicidade

Sei que a felicidade é fugidia
E o tempo é a sua desgraça.
Não adianta trancá-la numa garrafa,
Como um gênio a nos dar fortuna,
Ela vem e simplesmente passa.
Resta-nos reconhecê-la,
Vivê-la em plenitude
E tê-la depois em recordação;
A lembrança do tempo bom
Faz belo o que foi ilusão.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Coração

Veio-me com o coração cansado.
No peito, um largo rasgo
Dizia-me de antigos sofrimentos.
Veio trazendo-me antigo amor
E o riso de antigas tristezas.
Veio-me acordar de letárgico sono
Imposto por mim mesmo.
Veio-me linda como em criança
Na doçura do primeiro beijo.

terça-feira, 3 de março de 2009

Crescente

A Lua quer crescer
E forma um “cê” enorme
Num céu inexplicável, escuro e limpo
A Lua é a alegoria da vida
Do crescente ao minguante, do "cê" ao "dê"
Sempre Lua
Sempre, sempre...
Venha ver a Lua
Venha ver a gente
Nossos braços
Formam “cês” e "dês" enormes
Que tocam ombros
"Cês e dês" de abraços
Que aninham amizades
Que guardam amores
"Cês e dês" complementares
Que, num minguante,
Estarão cruzados sobre nossos peitos
Definitivos
Em adeus e despedida.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A cor do abismo

Esperar-te...Esperar-te...
Quanto tempo inda posso
Mirar ao longe a esperar-te?
Lá, leve sombra passa
À sombra das disformidades,
Tão viva, tão presente...
Lá, teu rosto some
Tão vivo, tão presente:
Sei que tens ainda os cabelos da noite estrelada,
Ainda tens como prisioneiro o riso de minh’alma,
Ainda tens teu olhar distante pregado no que não foi,
Tão infinito que não mais o tens em alcance.
Ainda tens nos olhos todas as profundidades;
Neles, o negro é meu antigo abismo,
Vazio contínuo, queda sem fim...
Neles desde a infância caio; desabo sentindo no rosto o vento,
O leve vento soprado pela tua eterna e terrível ausência.
Desabo e nele caio
A esperar-te... A esperar-te...
Quanto tempo posso ainda?

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Unidos do Vaticano

Há um boi nos ares
Da América do Sul
Há uma brasa, ilha,
No Planalto Central
E um rio que nos arrasta
Para as águas da Guanabara
Em todo janeiro
Que se faz em fevereiro
Nas carnes das mulatas nuas
Nos morros, vilas, favelas.
Viva, salve, Mangueira!

O burocrata não caiu no samba
Por falta de protocolo, terno e gravata

O turista argentino não foi para a avenida
Por pura incompatibilidade com os seus pés

Todos, a mulata, o burocrata
E o argentino sumiram na quarta-feira
Pois há um boi nos ares
Da América Latina
E uma brasa, ilha, no Planalto Central.
E viva o Vaticano, que decide todo ano
Quando será o nosso Carnaval!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Ford



Primeiro apito
Seis horas da manhã repetida

Chaminés nervosas
Tiram o azul do céu
Pois ele não se faz necessário

Segundo apito
Sete horas da manhã sem esperança

A avalanche azul-servil
Desaba sobre o portal fabril
Num automatismo maquinal

Apitos
As oito horas seguintes ainda sem esperança

Tantãs, baques surdos, cronômetros,
Parafusos, arruelas, porcas,
Chave inglesa, martelos, micrômetros

Apito
Seis da tarde, não esperança no inferno
Metade das duas sagradas diárias horas extras

Caldeiras, suores, vapores,
Músculo, porcas, engrenagens,
Apertos, força, controle, tempo

Apito
Sete horas da noite que promete ser igual a todas as noites

Fila, cartão-ponto, pernas
Portão, calçada, rua
Bar, cachaça, amigos, casa

Badalada
Dez da noite que parecia boa e igual a todas as noites

Filhos, choros, cachorro
Sogra, mulher, novela
Marmita pronta, uniforme limpo, sono

Primeiro apito
Seis horas da manhã repetida.

II

"Zé... Ó Zé!
A fábrica já pitou; Zé, alevanta, home!...
Zé... Ó Zé..."

"Que é, muié!?"

"A fabrica pita, é seis, alevanta."

"Humm..."

"Que vida home, todo dia a mesma coisa!"

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Montagem

Quisera ter agora, neste momento
Minhas vacilantes mãos sobre as suas...
Repousar minha cabeça, meu pensamento
No seu colo, nas suas coxas nuas

Quisera. Quero tanto e tanto quero
Seu sorriso guardado num dos bolsos

Quisera tanto
Sua voz num eterno acalanto

Quisera e tanto
Quero. Quisera tanto
Juntar esses pedaços e tê-la,
Uma vez que seja, inteira.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

A poesia de Rosa

Dona Rosa chora saudade
Da filha que ganhou mundo
Está prenha? Não sabe
Está viva? Não sabe
O marido morreu de desgosto e cachaça
O mais velho está preso
Roubou, matou, fez o diabo
Dona Rosa chora,
Faz faxina em casa alheia
Limpa, lava, cozinha
Mas não consegue limpar a saudade
Rosa chora, não é mais dona
Não é mais nada
Além do choro que endurece
Rosa pensa em deixar o mundo
Mas quem há de limpar o mundo?
Rosa pensa sumir
Mas quem há de chorar sua saudade?
Rosa pensa em não pensar
Rosa pensa
Rosa pensa
E Rosa não sabe.
Rosa lava a roupa
Amanhã lavará outra vez
Rosa limpa a casa
Amanhã limpará outra vez
Rosa chora
Rosa chora
Amanhã, Rosa será outra vez
Pobre vida, pobre Rosa
Rosa só tem poesia no nome.
.