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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Cantiga do Andarilho


Depois de andar muitas léguas
Na vida feita de dor
Sinto meu peito cansado,
Na boca um amargor
Do que ficou engasgado
E me deixou em pavor.

Ai, ai meu Deus, cruz em credo!
Acode-me Virgem Maria
Dos males que vi no mundo,
Angústia que aparecia
No choro que amargurava,
Na poeira que eu comia!

Eu venho de muito longe,
Lá de trás daquela serra,
Em poucos eu vi bondade;
Gente que por gosto erra
Para causar sofrimento
Nos que vivem nesta Terra.

E é por isso que digo
Agora e sem a escola,
A vida é um tormento,
Inferno que apavora,
Mesmo ao que vive direito
A desgraça o namora.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Canção para o amor que termina

Loucuras de amor eu também fiz,
E ao amar quem também não faz?
No amor a gente quer ser feliz...
Românticos o coração nos faz.

Senti ao te conhecer, senti
A loucura que aos céus nos ascende.
Louca ternura por ti senti,
Louca loucura que o Sol acende.

Nunca imaginei a vida sem ti,
O começo do fim não se sente.
Há castelos que caem por si,
Por que o nosso seria diferente?

Loucuras de amor eu também fiz,
E ao amar quem também não fez?
No amor a gente quer ser feliz...
Romântico o coração me fez.

Samba da ingratidão

Amor é brincadeira dela,
Que não respeita ninguém.
Amor é brincadeira dela,
Que não respeita ninguém.

Vivia numa viração danada,
Caminhava aos trancos e barrancos,
Quando a vi deitada na calçada,
Da vida quase entregando os pontos.

Da rua não se deve juntar nada
Diz velho ditado, que eu ignorei.
Da rua não se deve juntar nada
Diz o ditado, por isso eu chorei.

Amor é brincadeira dela,
Que não respeita ninguém.
Amor é brincadeira dela,
Que não respeita ninguém.

Dei conforto e fiz tudo por ela
E ela desfez e a tudo não quis.
Dei carinho e fiz tudo pra ela
E ela me fez um infeliz.

Da rua não se deve juntar nada
Diz velho ditado, que eu ignorei.
Da rua não se deve juntar nada
Diz o ditado, por isso eu chorei.

Amor é brincadeira dela,
Que não respeita ninguém.
Amor é brincadeira dela,
Que não respeita ninguém.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Teu colo


Eu estou voltando
Minha flor e caminho,
Levando nas mãos
Infinito carinho
E no coração
Saudade imensa,
Tão grande, tão grande,
Quanto o céu estrelado.

Trago aqui comigo,
No peito guardado,
Teu cheiro e perfume;
O teu meigo lume,
Brilho de teus olhos,
Luz deste meu caminho
Que busca teu colo,
Sempre teu, teu colo!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Sina nordestina

A meu pai Heleno, nordestino e
pioneiro das terras norte-paranaenses
Sou um cabra nordestino,
Vim para o Paraná,
Encontrei aqui trabalho
Para o mato derrubar.

Ganhei tanto dinheiro
Que eu nem podia contar.
Passou tanto Janeiro
E eu querendo voltar.

Esqueci mariazinha
Que estava namorando,
Esqueci da rocinha
E do gado minguando.

Ah, meu Deus, triste sina
Do caboclo nordestino
Que deixa sua terra
Pensando voltar pro ano.

Hoje já estou bem velho
Mas, posso me alembrar
Do pedido do meu velho
Para um dia eu voltar.

Pra poder fazer uma prece
Junto ao cruzeiro da estrada,
Pois o infeliz não esquece
De sua primeira morada.

Quero lá deixar minha alma,
Aboiar os bois que não aboei.
Talvez no céu e com calma,
Abraçar a mãe que abandonei.

Ah, meu Deus, triste sina
Do caboclo nordestino
Que deixa sua terra
Pensando voltar pro ano.

Forró do burrão


Pisa, pisa, pisa, pisa...
Meu coração pode pisar,
Pisa só pra me judiar.
Pisa, malvada, só pisa...
Meu coração pode pisar...


Mulher já fiz que não posso
Pra você ficar comigo.
Você diz que sou só amigo,
Assim eu vou ter um troço.

Eu comprei água de cheiro,
Vendi o burro, comprei carro,
Sou honesto, tenho trabalho,
E de você nenhum beijo.

Mas, vou lhe dar um agrado,
Talvez o último agora,
Não me faça acreditar, ora,
Que eu vendi o burro errado!

Pisa, pisa, pisa, pisa...
Meu coração pode pisar,
Pisa só pra me judiar.
Pisa, danada, só pisa...
Meu coração pode pisar...