Sou de Escorpião,
Concebido de coração escondido
E provido de mortal veneno guardado.
Tu és de Virgem,
De alma escondidinha também,
Entretanto, transbordante em afetuosidade.
A rigor, não combinamos.
Porém, desconfio das estrelas
Que te entregaram em fado aos nativos em Peixes
E a mim a esta gente regida por Vênus.
Tu és, portanto, meu desafio
A arder a fio em férreo desejo incendiado.
Duvido igualmente que tenhas que viver só, triste em terra
E que eu deva triste viver entregue à solitária e fria água.
Creio que há possibilidades
De combinarmos a púrpura com o azul-prateado,
Altas temperaturas com teu rubor e senso prático.
Mas, o que eu queria te dizer, soprar-te aos ouvidos,
É que sou a constância pela qual pelejas,
Cercado de mistérios, é verdade,
Mas que tua inteligência já tem por compreendido.
Meu ciúme iria bem com tua entrega total...
Sabes, sou poeta, e posso suplicar às estrelas
Para que elas te digam das falhas dos horóscopos
Ao te olvidares dos signos ascendentes
E dos desejos que ignoram as vontades dos astros.