segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Canga de peão

Nunca se acostume 
Com essa sina e cangalha de peão
De trabalhar por castigo, 
Juntando dinheiro para patrão
E de guardar somente o domingo 
Para esfriar os calos das mãos.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Humano destino

Guarda en tu corazón
Por lo menos un día en que haya valido la pena vivir
Recuérdate siempre de él, olvídate de las monotonías
Porque recordar es el humano destino
Y aún en infelicidad, podemos en el pensamiento
Recordar la antigua felicidad, y en ella revivir.

(Versão para o espanhol de Félix Coronel)

Versos natimortos

Tenho saudades
Dos meus versos que se perderam
E foram tantos que nem sei
Alguns, natimortos, não ganharam papel
Não se vestiram do azul eterno
Porque não trajavam a casaca da academia
Nasceram, deram um suspiro, e seguiram
Eram noturnos versos
Gestados no mistério das estrelas
Viajantes em infindáveis espaços, etéreos
Hoje vão adiante, procuram poeta atencioso
De boa memória e que não os julgue bobos
Ao falarem de coisas simples
Como o arvoredo que canta na brisa
Como o amor empenado que não desempena
Como a vida, que é só isso, vida apenas.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Lembrar é humana sina

Guarde em teu coração
Pelo menos um dia que valeu a pena viver
Lembre-se sempre dele, esqueça as monotonias
Porque lembrar é a humana sina
E mesmo em infelicidade, podemos no pensamento
A antiga felicidade recordar e nela revivermos.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Impudicas senhoras

Impudicas e flanantes senhoras
Que ao desfilarem calçada afora
Esfriam a quentura que vai dentro
No vento que deixa a bunda de fora!

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Corredor da morte

Sim, temos nossa pena de morte
Para os aflitos nas filas do SUS
Ou largados nos corredores dos hospitais
Que outra pena precisamos mais?

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Fiat Lux

Havia trevas sobre a face do abismo
E Deus disse: "Fiat Lux"
E o homem inventou a tarifa elétrica
Uma companhia de fósforos
Os automóveis da Fiat
E o sabonete Lux para lavar sua alma.

domingo, 18 de janeiro de 2015

As árvores da Rua das Flores

Vejo as árvores da Rua das Flores
Quando menino, eram tão fracas, raquíticas
Hoje são enormes, tão fortes
Sombreiam meus passos
E escondem o antigo relógio
Mas não o tempo que me escapou.

Volume morto

Nas desilusões do amor
Pode ser que se esgotem todas as lágrimas
Mas, sempre é possível usar o volume morto.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Meditações sanitárias I

De nada adianta
O mármore no banheiro,
Se da obra obrada
Sempre se tem
O mesmo cheiro!

O soneto adormecido

Dois passarinhos cantam na janela
E o poeta tira as palavras para dançar
Em três versos de passos curtos, um haikai
Mas quando se juntam ao dueto outros pássaros
Na sinfonia para acordar a manhã
Ele dança abraçado aos versos alexandrinos
E traz à vida velho soneto de há muito adormecido.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Planetas perdidos

Procurou o amor verdadeiro a vida inteira
E hoje, ao ver o relatório da Nasa
Descobriu que nos planetas perdidos
Certamente, seu amor lá se encontrava.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Deus não tem religião

Deus não está só em tédio nos céus
E não é esta falsa divindade de intolerância das crenças
Pensando bem, Deus nem tem religião
Deus está agora do teu lado e se faz amor no teu coração
É Ele que te abraça como abraça a Terra o Universo todo
Deus é piedade, é alívio das humanas dores, é comiseração.

Com o tempo que tenho agora

Com o tempo que tenho agora
Faço o que tem que ser feito
Pois essa vida guarda um defeito
Acabar sem nos avisar a hora.


Con el tiempo que tengo ahora

Con el tiempo que tengo ahora
Hago lo que tiene que ser hecho
Pues esta vida tiene un defecto
Acabar sin avisarnos la hora.

(Versão para o espanhol de Félix Coronel)

domingo, 11 de janeiro de 2015

Carro de boi

Meus sonhos viajam de carro de boi
Lentos vão, são poeira, na estrada são
Velhos bois tangidos por antigo menino
Que nunca deixou de sonhar não.

Estou de saudade nova

Estou de saudade nova
Soube disso no aeroporto
Quando senti minha alma
Ganhando asas junto a ti.

Sob o Sol, no cabo da enxada

Quem já puxou um cabo de enxada
Ombro a ombro com irmãos iguais a si
E sob o Sol, do duro eito tirou todas as riquezas
Sabe que a honestidade para o povo brasileiro é regra
E que roubo é coisa de vagabundo que deve ser preso.

sábado, 10 de janeiro de 2015

As estrelas do Hubble

Os olhos do homem que estão nos céus
A nós descortinam velhos mundos
Meu Deus, quantos planetas novos
Quantas galáxias no balé sobre o vácuo
Quantas estrelas para namorar!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Quadrinhas curitibanas I


Uhuhu faz o trem
Buá faz o nenem
Toda cidade tem prefeito
Só Curitiba não tem.

II
Curitiba não tem único rio limpo
E todos seus lagos estão sujos
São as águas de banho dos políticos
Sujeira do roubo dos ditos cujos.

domingo, 4 de janeiro de 2015

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Vento do Novo Ano

Há um vento
Que sopra pela minha janela
Veio da madrugada 
E do teu coração em festa
Tem tua voz e sussurra-me 
A paz que pediste em prece.