segunda-feira, 26 de maio de 2014

Lonjuras e proximidades

Investigo os espaços, estudo galáxias
Lonjuras medidas em bilhões de anos
Depois olho para os meus amigos próximos
São as partes do Universo que se fizeram perto
E que podem ser entendidas num abraço.

Não é por ti

Um entardecer descansado,
Espetáculo gratuito e único
E tu, pobre alma, no trânsito,
Nas fábricas, no duro emprego,
Juntando grana para comprar um Céu
Artificial, inútil e que não é por ti.

O guizo

A cascavel tem um guizo, não para ataque, mas para mostrar que pode atacar.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Almas lacradas


Têm gentes que não sentem
Lacram suas almas
Calam seus espíritos
Mas em leito de morte
Quando o horror de si irrompe
Que susto essas gentes
Terão como único sentir.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Todavia rio

Todavia rio: quando achei que não, havia uma via e estou nela. Enfim, é a via de todos, com mesmo destino, danado fim e que pode ser percorrida em choro ou riso. E rir dá o mesmo trabalho do que chorar.

terça-feira, 20 de maio de 2014

À tardinha entardeço

À tardinha entardeço já sem pressa
Devagarinho, sem vontade de ir-me
Porque aprendi apreciar a luz
Na curta vida das pequenas criaturas
Borboletas, caracóis, joaninhas
Que tiveram por um momento
Suas feições no feitio do meu dia. 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

De olhos fechados

Como te esquecer
Se no abandono da manhã
Nos meus lábios tenho teu batom
Vermelhos desejos
Se nas minhas mãos
Guardo teu perfume e cheiro
Da saudade o beijo
E quando os olhos fecho
Em exatidão te vejo?

Hospital dos mortos

Todos os dias, santos ou profanos, frios ou ensolarados,
Sou desgraçadamente obrigado
A ver a longa fila de doentes no hospital.
À merda, ó indecentes mercadores da coisa pública!
À merda, ter a certeza que o meu irmão ali vai morrer
Como um cão abandonado, como um indigente roubado!
À merda... Esse assassinato em massa nunca será para mim
Fato normal, obra humana, e sim obra de gente podre e ruim.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Busca tua Alma

Em que canto escuro abandonaste a tua Alma?
Ouve, rouca e menina ao longe ela te chama.
É tempo ainda. Finge o coração que vive oco,
Que louco bate por costume apenas, sem vida.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

As belas coisas do mundo

As belas coisas do mundo
Já estão nele inventadas desde todo o sempre
Com o tempo, descobrimos que somos trouxas
Ao perder a vida tentando reinventar belezas
Não. Nunca teceremos tecido melhor do que o véu da noite estrelada
Do que um amanhecer de Sol vivo e de céus multicores
Nunca faremos lugar mais quente e terno
Do que o colo do ser amado ao nos sustentar a cabeça
Que sonha em contemplação e êxtase
Ao descobrir um algo sempre diferente na sábia criação de Deus.

Bons-dias

Pela manhã desta quarta-feira que avança pelo cinzento frio,
Cruzo o centro de Curitiba e recebo dois únicos bons-dias,
Da puta da esquina e do aleijado que pede -- certamente não são curitibanos.

Coração airado

Ela tinha um coração airado, leve e doce como um chocolate. Era de dar água na boca e provocava, por assim ser, apetites insanos até mesmo em quem se julgava saciado. Um mulherão de arremessar ao coma diabéticos.

O triunfo da besta

Não posso crer que o Amor abandonou de vez este mundo,
Mas, temo que nossos desejos e insistências para que tal aconteça
Um dia se concretizem de fato. Passar pelo mundo e não amar
Será para o homem o triunfo da bestialidade sobre o que nos faz humanos.

terça-feira, 13 de maio de 2014

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Mentira de amor é esquecer

O morno vento mente
Ao fingir refrescar em tardes quentes.
Igualmente, o amor mente
Ao fingir esquecer o que se sente.

O olhar das mães

Não sei bem definir ternura e carinho
Mas quando escrevo, grato, tiro d'alma
O doce olhar das mães depois do parto.

Mães que sofrem

Lembra-te hoje em tuas orações, nos teus silêncios
Dos soluços das mães que choram em dor
Seus ausentes filhos, suas inacabadas obras
Interrompidas pela violência de nosso bruto tempo.

sábado, 10 de maio de 2014

Germinal

Há um fim que germina nas coisas.
Tudo tem seu tempo, Tudo é finito;
Lembra-te: Tu és vivo, é o que vale.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

A gralha azul



A gralha azul voa, voa... Desespera-se

Procura seu antigo pinheiro, seu lar

Pobre gralha, jamais irá compreender

Que as araucárias de Curitiba estão condenadas

Por homens que não se importam com nada

Além da especulação imobiliária e o vil dinheiro.

A árvore cortada

Em troca de pouca água e raios de sol
Dei a ti refrescante sombra para te guardar
Ar para que tu tiveste de mim a vida
Abrigo e alimento em teu temerosos dias
E deste-me na alma com a lâmina do machado
E com os dentes das serras me ofereceste
Teu egoísta sorriso de indiferença e morte.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

A luz no teu rosto

O Sol brilha em teu rosto
Somente para dizer-te vivo
Vive pois, além disso
Só há o Sol que imaginamos
Em outro dia, em outra hora,
Mas, o verdadeiro mesmo
É este que te ilumina agora..

terça-feira, 6 de maio de 2014

A prisão de Fulano de Tal

Impudica, despudorada mesmo
Andava quase nua entre os animais da Rua XV
Foi quando Fulano de Tal, que nunca fora preso por assanhamento
Descarado, resolveu cantá-la... Está em cana, guardado e incomunicável;
Acusação -- sentir tesão em pleno centro da cidade.

Poeta louco

Olhar para o Céu, contar estrelas, viajar galáxias
Não são somente coisas de poeta doido
São exercícios de humildade
Em que aprendemos a nossa verdadeira dimensão:
Diante de tais grandezas, somos o nada que pensa.

Poeta loco

Mirar hacia el Cielo, contar estrellas, viajar galaxias
No son solamente cosas de poeta loco
Son ejercicios de humildad
En los que aprendemos nuestra verdadera dimensión:
Delante de tales magnitudes, somos lo nada que piensa.

(Tradução para o espanhol de Félix Coronel)

Nada nos proíbe

Salve, sonhadores!
Nada nos proíbe, pensar e sonhar são as nossas únicas e verdadeiras liberdades de fato e direito!

Pedras

O menino morreu sob o Sol da sexta-feira
Na paranoia das pedras em plena praça pública
Ao longe uma mãe grita, as pessoas a ignoram
Há uma grande pedra em nossos corações.

Manchetes de sangue

O sangue nas manchetes de jornais
O ódio e a rapina nas manchetes de jornais
Não são obras de ficção, são fatos
Jornalista algum teria tanta criatividade
Para reinventar tanto horror e diariamente.

Imóvel

Estética
Estática:
Estátua.