quarta-feira, 31 de julho de 2013

Os sapos da Fazenda

Era uma vez um governo que dizia que a inflação estava sob controle. E na fazenda do Engana-Trouxas, o sapo-pai coaxava: "Dólar dois!"... E os sapinhos da lagoa respondiam: "E trinta!". E assim, se revesavam, por noites seguidas: "Dólar dois... e trinta... Dólar dois... e trinta"...

Poema pelado

Quisera fazer um poema doce doce
Desses para deixar os mal-amados enjoados
Cheios de brincos e vestidos de babados
Rechonchudos como anjos barrocos
De versos pelados como tomates enlatados
Vermelhos de timidez, mas ousados
Só para te dizer que estou com uma puta saudade!

terça-feira, 30 de julho de 2013

Os agudos do silêncio

Tens em ti
Em noites quentes
Em tardes dormentes
Um canto na voz
Desses que apenas cantarolado
Dizem tantas coisas
Como numa ária na ópera
Teu silêncio tem os agudos
Da soprano que sofre.

Do respirar

Ela me pergunta qual é objetivo da minha poesia. Respondo com outra pergunta: qual é o teu objetivo quando respiras?

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Croquis dos Sonhos

Foi um vento que passou
Tão rápido, tão rápido
Mas tão denso, tão denso
Que carregou sonhos
Coisas que nem lembro
Projetos, muitos projetos
Quimeras arquivadas
Para o depois que nunca veio
A juventude passou
Deixando-me os rascunhos
Os croquis do pensado
Mas digo, antes os rabiscos
Mal elaborados, capengas
Do que não ter rabiscado.

Tragédias e Comédias

Sim, diante das tragédias devemos rir
Sim, diante da comédia devemos chorar
São loucuras que se completam
E por serem paradoxos de quem vive
Há se responder com contradições
A esse viver em solavancos
A essa descida que nos alcança desde o berço
E nos coloca sem freios
Ladeira abaixo, sem encosto
Sem barrancos para nos socorrermos
Rio das tragédias, das palhaçadas da morte
Rio com um riso automático, porque doutra forma
Como aguentar essa comédia sem graça
Que dá o sopro de vida às patéticas personagens
Ao mesmo tempo que as sufocam no palco?

Os lírios do campo

Somente quem dormiu no chão
Na dura terra, em noites de frio
Tendo as estrelas como cobertas
Entende o mistério dos lírios do campo
Que não tecem nem fiam
E mesmo assim são a beleza divina.

Invisível

Ah! Tempo,
Assassino de tocaia,
Invisível
Como minha Alma.

domingo, 28 de julho de 2013

Sonho de Poeta

Dormir
Sonhar em versos
E sentir-te
Dentro do poema:
Ah, que vontade
De não acordar!

Sabedoria Cabocla

Seo moço, sabe que sou matuto
Aprendi com os meus olhos
Assuntando coisas que pouco entendia
Mas juro pela Virgem Santa Maria
E tudo quanto é mais sagrado
Que vossa mercê pode fugir de tudo
De muié braba e contrariada
De peixeira baiana voando no escuro
De cachorro louco desenbestado
De coisa ruim na encruzilhada
De touro gaúcho na invernada
Mas nunca vai conseguir fugir do tempo
Nunca, porque é ele que dá a vida
Com mais tristezas do que alegrias
E num dia qualquer
Enjoa de vossemecê
Como quem enjoa de comer cocada
Doce que de tão doce perde a graça
O tempo... Ele vem mansinho
Some com vancê todo dia um bocadinho
E mansinho, mansinho mata sem ocê sentir.

O último trem

Pensa bem
O passado já não tens
Perdeste
O futuro é trem
Que pode atrasar
O presente é o que tens
Única coisa que realmente
Existe e te pertence
Vive e aproveites
Porque, certamente
O último trem
Tem hora marcada
Para chegar
E esse não atrasa.

sábado, 27 de julho de 2013

Perto de ti, longe de mim

Para a J. D.
Viver a vida inteira
Até te redescobrir ao meu lado
Perto, perto
Como sempre esteve
E não ter me tocado disso
É a prova
Que joguei
Boa parte da vida fora.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Nossas asas

Voo pelos infinitos
Porque tenho asas...
E só quem por lá
Também voa alto
No vento da poesia
Pode vê-las e senti-las.

Saudadinha

Hoje, nesta manhã de medonho frio
Não queria fazer poema, tirar as mãos dos bolsos
Mas como é de costume
Há em mim essa pirraça matinal
E depois, veio-me uma saudadinha de ti
Daquelas de dar suspiro e tropeço
E tropeçando com as lembranças
Estabanadamente, estupidamente
Deparei-me comigo, o meu eu anterior
Aquele sujeito que não mais existe
E te chamava em dias frios assim
Para aquecimentos em fogo imaginário
Da lareira que nunca mais acendi
Porque nela tudo queimou-se
Como queimam as paixões instantâneas
Sem a lenha dos juramentos
De cumplicidade eterna
Querias casar-te
E eu, guarda-te
Para ter pelo resto da vida
Esta boa saudadinha
Que me vem em desaviso.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Batom nas palavras moças

O problema de revisar os próprios escritos
É que você não revisa, reescreve o texto;
E se tentar revisar novamente, outra vez o reescreve,
Porque nunca vai estar bom,
Haverá sempre um detalhe a ser acrescentado,
Um penduricalho, um batonzinho naquela palavra sem graça,
Dando alma de moça para frases sisudas, gastas e soltas.

O enterro da joaninha

A louca da minha rua fugiu de casa. Foi vista nesta manhã passeando noutro bairro. Vestida de fino vestido negro, cantava e cantava um réquiem para o funeral das flores mortas na geada. E para a joaninha, defunta encolhidinha, providenciou rápido enterro feito no jardim mesmo, com o caixão improvisado numa caixa de fósforos.

terça-feira, 23 de julho de 2013

O ocaso levou Dominguinhos

Vinte e três são os dias passados de Julho
E no céu o ocaso vermelho de nuvens serenas
Aponta para uma noite frigorífica e de gente recolhida

Ao cair da noite, Curitiba é tomada pelo vazio
E as ruas ficam parecidas com um grande sertão
Sem vida
Frio
Com suas árvores desfolhadas
Descabeladas
Em súplica não pela chuva
Mas pelo calor do agreste
Pelo Sol que nunca brilhou por aqui
Em intensidade como na caatinga

Somos outro Brasil
O Brasil das águas, do gelo
O Brasil que Dominguinhos visitou várias vezes
O Brasil que conheceu o forró pela sanfona
Desse cabra que aqui veio
E nos alegrou em outros ocasos
Em outras outras noites frias de arrasta-pé

E como esquecer dessas noites?

Com a minha camisa molhada a ponto de torcer
Fiz-me aquecer pela sanfona cabra da peste
Na voz de quem nos trazia todas as luzes da alegria
E o calor dos nossos irmãos nordestinos

Vá em paz, meu irmão
Gonzaga precisa de mais um sanfoneiro
Zambumbeiro e cantador
Para alegrar o forró do céu. 

Banho de gelo

Ó chuveiro
Senhor de todas as tempestades
Que bem funcionaste
Em verões passados
Em invernos mais cálidos
Tinhas que queimar logo agora
Quando sabão ainda me cega os olhos?
Fazes parte da sacanagem universal
Bem sei disso
Mas hás de acabar no ferro-velho
Lata imprestável dos meus suplícios!

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Espero a neve

Espero a neve como se esperasse
Um Dom Sebastião, o luso salvador
Que desde sua última batalha
Retorna sem chegar da Terra Santa
Por certo nossas ruas ficarão brancas
Nossas casas, nossos jardins...

A rua será branca, certamente
Mas e os nossos corações?
Nossos corações? nossos corações...?
Serão o que são e foram sempre
O riso e festa para o inusitado
E a carranca aos necessitados
Que têm numa marquise
O único teto protetor deste mundo

De resto, que venha a neve
Para a felicidade de nossos olhos
E para o terror dos que padecem

Eis a esperança: ver tanta injustiça
Derreter junto com os brancos flocos
E barrentos descerem pelas sarjetas.

sábado, 20 de julho de 2013

Garimpo das gentes

Na beira deste grande rio que segue,
Ora lento, ora veloz e turbulento,
Como num garimpo, você aprende
A dar umas peneiradas naqueles
Que se dizem amigos "sinceros"
E acaba ficando somente
Com os raríssimos
Os que valem ouro mesmo
O resto é areia que devolvemos
Para o rio lodoso e barrento
Das coisas sem serventia.  

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Cosmopolita Curitiba

Volto do centro da cosmopolita Curitiba. Lá, chuva de barril, brigas de guard'águas sob as marquises, chineses nas lanchonetes, coreanos nas lojas em noite antecipada. Ao largo, no bondinho, peregrinos argentinos se cobrem com a própria bandeira. E uma das gringas resolve acabar com a minha poesia da tarde, ao pedir-me a indicação de um lugar para mijar nos banheiros públicos que Curitiba não tem. Mostrei a ela a direção de um bar, daqueles fedorentos que temos na Rua XV. Com vergonha de mim mesmo, fico a pensar no penar daquela bela criatura ao encontrar no sanitário boiante figura toroidal. Ah, como poderia ter explicado à hermana que, por herança cultural e imposição da Prefeitura, o pudico curitibano somente mija e caga se for no conforto residencial!?!

O inventar gramatical

Na poesia, onde se cria a língua, temos licença para subverter a gramática e tornar o que era torto em regra. Em nenhum outro fazer literário isso é possível, porque o inventar gramatical é propriedade da poesia e somente dela.

Poesia tímida

Num tempo que vai na memória enevoado
Mas, em aguda dor peito guardado
Em arrependimento e desgosto
Ainda vejo sob a lindeira da janela
Ela, linda e olhadeira, a mais bela
Que meu coração fazia cantar
Essas coisas de paixão verdadeira
Passava ali várias vezes
E a moça sob a lindeira da janela
Todas as noite se bem me lembro e sei
Jamais ouviu o meu canto abafado
Que na juvenil garganta de poeta
Morreu de timidez e engasgado.

O poeta canta na feira

Os amigos me dão licença
Vou cantar nesta praça
Do amor todas as crenças
Porque amo por pirraça

Há o amor manso
De poesia, seresta e serenata
Do coração o descanso
Que todo ódio afasta

Há o amor cigano
Que acampa no vazio que chora
Fica talvez por alguns anos
E inexplicavelmente vai embora

Mas há o amor tirano
Desses que grudam igual piche no asfalto
Faz se sofrer amando
E faz poetas os que amam incautos.

Os amigos me dão licença
Já cantei do amor as parecenças
Que todo mundo tem no coração
Quem não gostou nunca amou não!





quinta-feira, 18 de julho de 2013

Ousadia & Loucura

Neste mundo tudo conspira contra a vida
E quem vive sabe que viver é um ato de ousadia
Muito além da coragem cantada na Filosofia
Tudo que vive já nasce morrendo
E o resto é birra, doida teimosia apenas
Então, assim sendo, desafia-te vivendo
Porque respirar nos exige aquele bravo heroísmo
Dos que se colocam na primeira fila da batalha
E dançam diante das armas do inimigo
Loucamente vive, portanto, não sejas são
Porquanto a sanidade não combina com essa loucura
Nos imposta em nossa escandalosa inexplicação.


terça-feira, 16 de julho de 2013

À mulher vestida de noite

Linda como a noite
Vive donde nasce
O Vento Norte
Que arrasta de si
Todo seu mistério
Tem uma Lua
Que se esconde
No seu colo nu
E que só se revela
Aos que merecem
É uma Lua assim
Grande, grande
E misteriosa
Como a noite
Que a veste.

As normalista do Sacré-Coeur

Houve um tempo
Que nada poderia ser mais encantado
Do que os olhos e os joelhos de uma normalista
Meninas adolescentes, colegiais apenas
Eram olhos que se faziam no futuro
Olhos feitos para ensinar ao se olhar
E na saída do Sacré-Coeur,
Elas encurtavam suas saias pregueadas
E acima das meias três-quartos
Expunham seus brancos joelhos
Para o delírio da rapaziada
Que dos mistérios do amor
Procuravam aprendizado
E assim por nós passavam
Em dissimuladíssimos olhares
Para aquela platéia de embasbacados
Que mal sabia que naquelas moças
Nos olhares e joelhos das normalistas
A primeira de todas as aulas se lecionava.



Aos lacaios do status quo

A função máxima da poesia é subverter, revolucionar, é dizer não, é negar esta realidade que tanto agrada a seus construtores, porque o que nos dizem ser real não passa de servidão. Por isso, poesia não pode estar a serviço do status quo, dos que dizem nos governar até mentalmente, esses exploradores do silêncio alheio. Fora dessa poesia libertadora, é a poesia lacaia, menor e que faz gosto aos que nos escravizam. 

Canção do andarilho

Na manhã fria caminhava leve
Era da paisagem a composição
Via ao longe outras terras
A serem alcançadas com o coração

Ao redor, um campo belo
Com árvores solitárias aqui e acolá
Desfolhadas por duro Inverno
Geadas que as fizeram descabelar

E os sons sumidos dos outros lugares todos
Se juntavam ao seu calado silêncio
Num coro de anjinhos gordos e rosados
A entoar canções, a cantar com o vento
Na cadência de seus ordinários sapatos
Coisa que só a brisa entende
Felicidade, talvez, agonia, talvez
E certamente, calmarias e tempestades

E seus pés cansados de vira-mundo
Se colocavam um após o outro
No caminho incerto e desrumado

Andar, andar... Seus pés pediam
Porque é isso que lhes dá sentido
Na insana busca pelo perdido
E muito mais do que isso
Na procura do que está dentro de si
E que vai sempre para adiante de si
Numa brincadeira de pega
Que nunca acaba

As ideias de si, aquelas que nos contam
De nossas misérias e real condição
São fugidias, fujonas à luz do dia
E por mais que o andarilho as persiga
Por mais forças que coloque nas pernas
Mais elas de si se distanciam
Mais para o fundo do mundo
Na bocarra que a tudo engole
Além do horizonte não alcançado
Elas se embrenham e se acodem.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

O relógio marcha

Trata com carinho tuas horas todas
Esses minutos preciosos que tu gastas
Com tantas tolices, com tantas coisas bobas
Vive com intensidade e pelo que vale a pena:
Relógios não sabem devolver tempo perdido!

Hoje

Bela, tu és esta manhã que nasce
do dia mais importante de todos
Hoje, sempre hoje.

domingo, 14 de julho de 2013

Desordens do coração

Contava-me das desordens de seu coração de pouco mais 20 anos, amava e desamava na velocidade da luz. Disse-lhe em sinceridade que toda ordem no mundo não passa de visagem e representação; não existe. Mesmo os céus repudiam a ordem. Volta e meia alguma estrela explode e tudo começa novamente do caos. Ela olhava-me de olhos arregalados. Mas a acalmei, creio, ao acrescentar que nosso Sol só se implodirá daqui uns 5 bilhões de anos.

Tríade filosófica

Os filósofos lutam para a explicar três coisas: a beleza, a verdade e a justiça. Das três, a única que obtiveram algum sucesso é a justiça. Caso praticassem a poesia, talvez soubessem pelo menos o princípio das outras.

Missa de Domingo

Contritas, genuflexas, as almas
Rezam as fórmulas das ladainhas
Ali, onde os ofícios são santos
Onde os pecados são esquecidos

Ao pé do altar, entoam-se cantos
Corações suspensos aos céus
Vozes de súplicas e clemência
Monólogos que esperam respostas

De repente um silêncio a tudo enche
Há de se interpretá-lo, entendê-lo
Sim, porque essa é a língua das almas

Silêncio dos silêncios é a Sua voz suave
Que vem na leveza do vento, calma
Alento a nossas tristezas e sofrimentos.



quinta-feira, 11 de julho de 2013

No peito tenho um bem-te-vi

Nasci forro como o bem-te-vi
Que vagueia pelas flores todas
Vou com o vento, vou pelos aromas
Busco o melhor perfume, a doce seiva
Para trazê-los aos meus poemas
Como um rito de santificação
Como um culto ao belo da vida

Nasci poeta também
Desses que carecem de versos alforriados
Porque não entende outra poesia
Que assim não seja, companheira
Em andanças e atrevimento
Em liberdade e avoanças

E do que me vale buscar seivas sintéticas
Para a fortaleza da natural poesia
Que em simplicidade sempre nos deu
Esta natureza toda, o amor todo
Espalhados no vento a esperar colheita?

E benditos me sejam esses versos livres
Que não se prendem a formulações teóricas
Porque do que adianta voar com rota prevista
De pára-quedas e sempre para o mesmo horizonte?
Versos carecem da ousadia da morte quase certa.


segunda-feira, 8 de julho de 2013

Trem das dez

O trem das dez acaba de passar
E o maquinista não economiza apitos
Mas não o alcanço
Agora é esperar o trem da onze
Que vai inevitavelmente para Jaçanã
Quero ver Adoniran e o Arnesto 
Nas noites paulistanas, lá no Brás
Junto a uma casa velha, um palacete assobradado
É aí sou moço, que vive nosso povo
Convidado para uma festa inexistente
De ovo e arroz na marmita
E às vezes, só com a marmita.

Proibido morrer aos domingos

As pessoas todas deveriam ser proibidas de morrer aos domingos
Principalmente em magníficos domingos de Sol
Nesses dias em que nossa alma é mansa e saúda o Senhor
E para aqueles que continuassem com tal costume
O de morrerem em hora imprópria
Deus deveria barrá-los na porta do Céu
E dizer que para eles havia um castigo
Tão terrível por ter morrido no domingo
Que era bom até não saber
Voltar ao mundo e dizer para os amigos
Que o Paraíso está fechado nos dias santificados
E por isso havia de se ficar vagando na eternidade
Até que noutro dia se aprendesse a morrer.

domingo, 7 de julho de 2013

À flor que nunca mais floresceu

Quando te vi cruzar o limiar doutro incerto mundo
Atravessar a fronteira do que vive e do que já morreu
Quis tirar meus olhos com as mãos ali mesmo
Pois nada me interessava no sozinho que me obrigavas

E quando na dura tábua da urna bateu a primeira pedra
Dos terrões dos coveiros desatentos e lerdos
Quis, por Deus quis, atirar-me sobre ti em desespero

Era final de tarde e sob uma árvore de solidão
Tu repousavas sob todas as minhas primaveras

Ali fiquei velho num instante, ancião que perdeu o rumo
A olhar aquela gente em tua despedida última
Condenado que estava a ser morto em vida
Amante da flor que nunca mais floresceu.

Vozes da Zona do Baixo Meretrício

Ó Cabral e bravos nautas que o mar cruzaram
Os largos oceanos nunca dantes por naus singrados
Vós sois os culpados por essa esculhambação
Pois junto de vós trouxéreis a pesada mão del Rey
Que Pero Vaz de Caminha tanto puxava o saco
E desde então esta terra que era pura e sem pecado
Em que todos andavam de bunda fora, ao vento, pelados
Virou um imenso puteiro de políticos engravatados.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Teu perfume na tarde chanel

Respiro a tarde porque ela é o teu perfume
Que me vem em hora distraída a me distrair.
Chanel
Daquela tardinha que se faz outrora e até agora
Está em mim -- teu cheiro, os aromas dos carinhos
Inesquecíveis e leves como antigas saudades.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Versos de apartamento

Nova janela
Nova rua da pressa
Olho... Escuto os motores
E não mais vejo pássaros
Povoando minha poesia
É, vou ter que colocar gente
Muita gente apressada
Vestida de máquina
Mecanizada e sem alma
No recheio, na receita
Desses novos versos.