sexta-feira, 26 de junho de 2015

A rolinha

Ó rolinha, que pelos céus voa
Voa... Voa com cuidado
Todo cuidado é pouco
Com o pastor abestado.

Elogio à mandioca

Mandioca brava ou mansa
Rígida, sapiente, ou fervente
Mandioca que tudo amansa
Até a saudade da presidente.

A bicicleta, o cavalo e a mandioca

Acordou cedo naquele dia. Lavou o rosto, olhou para o espelho e não se viu. Foi ao jardim, deu milho para bicicleta, bom-dia ao cavalo e saudou a mandioca, como uma velha e sumida amiga. Hoje, internada no hospício, não compreende a indiferença da humanidade para com a bicicleta, o cavalo e a mandioca, sapientes seres que alegram a natureza. 

O poder e a loucura

O poder castiga os maus com a loucura. 

Um brinde!

Habeas Copus
Evoé, Bacchus!

O médico e o leitão

Tenho bom coração, pena que o cardiologista não concorde com isso.

II

Estou proibido de comer frituras, mas olho na receita da dieta e não vejo objeção a assados. Pobre leitão!

Rolas e mandiocas

Homens e mulheres sapiens
Seguindo a pé, ônibus ou van
Que por essa vida vã passam
E confessam em certos divãs
Que procuram mandioca brava
Ou, na falta, somente rolas sãs
Atentem para o fim dos tempos
De bunda quente, em febre terçã.

Mulher Sapiens

Há um tempo de plantar a mandioca
Há um tempo de colher a mandioca
Há um tempo de saudar a mandioca
Há um tempo de socar a mandioca. (Livro da Sabedoria da Mulher Sapiens, Cap1, vers. do 1 ao 4.)

O animal e o humano



A paixão visceral
Animal
Nos faz gostar
Do branco
Do Preto
Do violeta
E odiar
O azul
O vermelho
E o amarelo
De paleta
Qualquer


O amor de coração
Humano
Nos faz amar
Todas as cores
Sem rancor
Sem ódio
Porque
Amor de verdade
Ama a totalidade
E não pedaços
A parte das partes.

O cortejo



Se pensas levar a vida numa procissão de rosas em pétalas
Estais enganado, a vida é que nos leva
E no seu insano cortejo vai nos apresentando
Os que vão nos oferecer mortas flores no findar desta tragédia.

domingo, 21 de junho de 2015

Encanta-me

Encantam-me as belezas do mundo
Encanta-me o belo que se vê
Encanta-me você.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Cobra não tem ombro

-- Pai, como as pessoas nascem?
-- No fogo que não queima e na mentira...
-- Como assim?
-- Um dia você vai aprender... É assim:
Homem e mulher... 
Juntando a fome 
Com a vontade de comer. 
O fósforo com a gasolina... 
Mentindo que da cobra é só a cabeça, 
Mas escondendo 
Que cobra não tem ombro,
Só pescoço e muita pressa!

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Enquanto vivo for

Enquanto vivo for
Hei de pensar que o Sol brilha por nós
Em pensamento, não darei a ele outra utilidade
Do que a de iluminar estes terríveis escuros dias
Para que possa te encontrar e dar-te um abraço.

Cães raivosos invadem a cidade



Cães vadios e raivosos
Disfarçados de homens
Andam pelas ruas
Da minha cidade
Da sua cidade
Qualquer cidade

Alguém soltou esses cães
Raivosos cães
Que espumam ódio
Por entre caninos
E pelas ventas
Expelem toda raiva

Raiva contra outros homens
Que não se comportam como cães
Eles têm raiva da liberdade
Do pensamento livre e doutras religiões

Eles têm raiva de tudo
Que não é feito
Combinando com seus focinhos

Na semana passada
Um cão mordeu as imagens
Tão caras aos católicos

Domingo, outro cão feriu
Com uma pedra
A cabeça de uma menina
Que tinha como crime
Não pensar como o cão
E praticar o candomblé

Esses cães são loucos
E dizem roer o osso
De suas únicas verdades

Como esse último cão
Que pensa ser dono de Deus
Mas que em seu coração
Só tem raiva, muita raiva,
Ódio de seus irmãos.

Rapaz de Ponta Grossa



Rapaz de Ponta Grossa,
À toa e só não mais ande,
Só namore moça bonita,
As moças de Campo Grande.


Sei que é muito distante,
Se o rapaz anda cansado,
Só namore moça bonita,
As moças de Campo Largo.

Moça do pé gelado



Moça do pé gelado,
Que nesta terra fria
Procura casamento:
Vais ficar pra titia,
Eis meu juramento!

Frio na carceragem

Minh'alma molenga
Faz-me sentir pena
Dos corruptos
Que experimentam
O avesso do inferno
Presos em Curitiba
Em vigoroso Inverno
Tendo que dormir
Na cárcere sem fogo
Para esquentar uma panela
Só contando com o calor
Da conchinha sem pudor
Com o colega de cela.

domingo, 14 de junho de 2015

Maneta

-- O que não tem a mão?
-- Maneta.
-- O que não tem a perna?
-- Perneta.
-- O que não tem o punho?
-- Pun...
-- Vade capeta! É maneta!

Brancas bundas curitibanas

Curitiba, terra que por engano
Abunda o Sol eterno
Que doira em horas extras
As brancas bundas
Que se farão no Inverno.

Quadrilha no Congresso

-- Onde ocê vai, menino?
-- Vou para Brasília, no Congresso...
-- Pra modo de quê, amardiçoado?
-- Pra ver quadrilha junina, mãinha!

Letras de Domingo

Minhas letras de Domingo
São versos bem vestidos
Que foram à missa e mendigam
Amor entre os homens perdidos.

terça-feira, 9 de junho de 2015

És poeta

Não é preciso ser poeta
Para se sentir poeta
Examina teu coração
Se nele houver sob custódia
Uma antiga flor do campo
Observada pela primeira vez
No alvorecer da infância
Com todas as suas cores e odores
A perfumar tuas lembranças
Foste e és um poeta a vida toda.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Frio curitibano

No frio curitibano
Que a tudo enferruja
O negócio é ir ao rendez-vous
Imitando coruja.

No frio curitibano
A zona é para o vivente
Que vive acordado sonhando
A boca do buraco quente.

Mas, no frio curitibano
Algo encolhe na Zorba
E nem rezando
A coisa termina em fo...

Alma perfumada

Mocinha de tudo
Tinha a alma perfumada
Até conhecer aquele estropício
Emprenhou, foi largada
Comeu o pão que o diabo amassou
Nunca conheceu o amor
Hoje é dama do meretrício
Triste essa vida né, doutor?

Junho quente

Ao contrário do que se prevê nos calendários
O mês de junho promete ser quente e bom
Porque nele temos fogueiras de São João
Dia de Santo Antônio, salvação das encruadas
E promessas de carícias, presentes da namorada.