sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Os palpites de Baco

Sempre são os mais honestos
Os poemas que nos saem 
Aconselhados por Baco
Tão cheios de verdade
De miseráveis detalhes
Dessa miserável existência
Que é melhor, às vezes 
Ao fogo entregá-los.

Português sem salamaleques

Desisti de falar o português corretamente
Olham-me como se não fosse deste século
É que meus livros são de tempos antigos
Amigos cheios de formalidades e salamaleques
Falarei de hoje por diante meu bárbaro dialeto
Em que fumo não é fumaça, é verbo bandido
Nas tábuas das conjugações dos tempos malditos
Amar, então! Não mais com galanteios e carinho
Este ato ser-me-á apenas um transgressor delito
Do desejo insano de dar uma sem compromisso
Assim, foder com a língua não terá mais duplo sentido.

Nem mesmo um sábio para entender a mulher

Santo Deus! Há tanta coisa difícil nesta vida
Física Quântica, Latim, Matemática...
Mas todas com certo esforço se entende
Mas nunca, mesmo o mais sábio dos viventes
Vai entender uma mulher desesperada
Escolhendo roupas e sapatos para sair de casa.

Na manhã, o bem viver

Feliz daquele que tem ainda esta manhã para escutar o canto dos pássaros e o dia para animar seu próximo com a esperança doutras manhãs; pois, se houve noite, há o raiar do Sol e a possibilidade de se continuar a bem viver este dia que é anunciado pelo que é belo para se fazer belo, como são os cantares dos passarinhos.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Axiomas do viver

Ah, se o mundo fosse
Menos axiomático
Ai, meu Deus
Que enfado, que chato!

Haikai à Camões - A vida para todos passa

MOTE ALHEIO

Este tempo vão
Esta vida escassa,
Para todos passa,
Só para mim que não.

GLOSA

Sorri para a vida
E senti que só nos há
Este tempo vão

¿Mas, chorar por quê?
Tolo seria amargurar
Esta vida escassa

Certo tenho o credo
Que esta inexplicável vida
Para todos passa

Mas, quero levá-la
Mesmo que ela sorria a todos
Só para mim que não.

Haikai à Camões - Os olhos para vos ver

MOTE ALHEIO

Da alma e de quanto tiver
Quero que me despojeis,
Contanto que me deixeis
Os olhos para vos ver.

GLOSA

Arrancai-me tudo
Da alma e de quanto tiver
No último beijo

Até de minhas roupas
Quero que me despojeis
Deixai-me em nudez

Negai-me o viver
Contanto que me deixeis
Apertado abraço

Matai-me e me deixai
Os olhos para vos ver
Pela eternidade.




terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Janela para vida

A janela estava fechada com tramela
Ao abri-la, ouvi um longo enhéque
Agora tá arreganhada para a vida
Emperrada, eu não a fecho mais.

Coração molesto

Trago no meu peito molesto
O mais soberano e doce jeito
De buscar alívio aos desgraçados
Pois de justa poesia ele foi feito.

Amor em boa dose

Tenha o amor em doses
Sempre bem dosadas
Se pouco, ele definha
Se muito, ele estraga.

Soneto-haikai - Peão na ventania

Todo dia que nasce
É promessa de esperar
Sol para se viver

No lombo das horas
Vou montado em rebeldia
Peão forro a voar

Por assim vou na ventania
Sem medo da asa quebrar

Peio versos a laço
Levo-os presos na cabeça
No pasto a ruminar

Depois à tardinha
Faço-os cantar na viola
Na alforria do ar.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Soneto-Haikai - Meus antepassados

Meus antepassados
Por todos céus são dispersos
Em alma e espírito

Existiram sempre
Porém não são as deidades
Dos livros sagrados

Nem anjos demônios
Horripilantes caídos
Sobre nossa Terra

São dispersas luzes
No espaço de Deus

São as energias
Doutras primitivas eras
Que por mim esperam.

Soneto-Haikai - Roupas para o pobre espírito

Venturoso lírio
Tecido por Deus no campo
Com divinas vestes

Dá-me tua roupagem
Tuas cores da linda tarde
Sou um pobre que pede

Númen radiante
Quase nada tu precisas
E tudo me falta

Nada tenho além do ar
Que ainda me é de graça

Veste a minha alma
Dá-me essa graça divina
E que ela renasça.

Soneto-Haikai - Teu nome é Felicidade

Gritarei teu nome
Nos vastos dessas estradas
Até ficar sem voz

Na noite e no dia
Mesmo com meus pés cansados
Buscarei por ti

E pelas sendas vou cantar
Essa louca esperança

De ter-te ao meu lado
Porém não como espectro
Mas como verdade

Cansei de ser só
Procuro-te e por ti clamo
Ó Felicidade.



Soneto-Haikai - A te procurar

Eu venho do longe
Doutros céus, terras e mares
Sempre a te procurar

Ao vencer as serras
Caminhando sem destino
Fado hei de achar

Mas agora se faz urgente
Encontrar-te no meu penar

Nas horas quietas
Com minha viola muda
Que me dano a pensar

Já tanto matutei
-- Deus, para que mais castigo? --
Hei de te encontrar.


Soneto-Haikai - A luz que comigo dorme

Meus olhos se abrem
E te encontram em sono
Leve ao meu lado

Tu és a calma que sonha
És meu sonho vivo

Teus peitos se mostram
Belos, ondulam arfantes
Como arfa a vida

Em tua boca vejo
A volúpia dos teus beijos
No batom desfeito

Enxergo-te e rezo
Mui grato à Santa Luzia
És a luz que dorme.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Soneto-Haikai para quem me guia

Que louvados sejam
O meu Senhor e meus Anjos
Por darem-me a ti

Tu és a luz dos escuros
Minh´alma não é por si

Não sinto-me em abandono
Há muito tempo
Pois tu és no meu espírito

És o meu vento suave
Pelas tardes quentes
Brisa que me dá a vida

Deste meu céu tão sem graça
És estrela e guia
Por meu Deus, nunca me faltes. 

A Lusitana Saudade

A palavra Saudade, que não tem tradução exata em outras línguas, é o retrato do nosso peito lusitano; é essa grande capacidade que temos de não esquecer o que nos foi querido e amado. Por isso, talvez, o encanto dos poetas que cantam em outros idiomas a nossa Saudade. Até o grande Pablo Neruda se ocupou em decifrá-la em seus poemas, mas nem mesmo um poeta como Neruda pode saber como é a Saudade no peito de um brasileiro, no coração de um português. Essa coisa é só nossa, é um sentimento pátrio.

Sentenças & Colóquios

E que a pobreza esteja somente nos espíritos dos que não se comovem com o sofrimento alheio. Ricos são os que têm a humildade e a vontade de aprender, apesar de tudo.

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Quem vive de lembranças é o dono de bazar. Vivo do agora, minha luta é o agora, o resto foi aprendizado.

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O que realmente marca esse povo que diz nos governar é sua inteligência ímpar e capacidade de dizer com sinceridade grandes asneiras.

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Chegamos ao cúmulo do fiofó da mula, em que pensar com a própria cabeça tornou-se crime; em que patrulheiros orelhudos, que nunca conseguiram ler a orelha de um livro, se sentem no direito de questionar os que pensam; em que a ignorância é mérito e não defeito.

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Os fascistas matam. É disso que falo.

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Só há uma violência legítima, a que reage contra os violentos.

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A propaganda é uma arma como qualquer outra numa guerra. Ela é tão poderosa que convence homens pacatos a lutarem por tudo e todos e às vezes por nada; a morrerem por deuses ou a mais das vezes por patifes. E aos que sobrevivem, ela tem que convencer que tudo foi por uma boa causa e que valeu a pena tanto sofrimento.

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Mais do que fuzis e metralhadoras, o que derruba governos hoje são imagens fotográficas de violência.

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Um idiota que desconhece história sempre será um idiota que desconhece a si mesmo.

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De uma elite de berço para uma elite proletária, esta escrava da ignorância e aquela escrava da soberba que promoveu a ignorância.

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Um homem livre que se convence pela força se tornará um escravo. Um homem livre convencido pela razão será sempre um homem livre.

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Já fui um crente. Em outros tempos, olhava para uma escola ou hospital sendo construídos e ficava contente. Hoje, descreio e somente penso nas maracutaias que estão por trás das obras, quem realmente está ganhando com o roubo embutido nos projetos e seus super-faturamentos.

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Qualquer regime que para se justificar persegue, encarcera e mata seu povo, não é um bom regime de governo. Nada pode justificá-lo, pois nele não há o bem para todos, apenas a estupidez de poucos.

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Sem maldades - vi gente fantasiada de zumbi, mas que dispensaria tranquilamente a fantasia. São zumbis naturalmente, vivem a vida sugando sangue alheio, se alimentam das carcaças mortas no golpe do puxa-tapete. Vivem lambendo saco e só renascem no Carnaval.

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Aqueles que fazem apologia à ignorância tecem para si uma defesa prévia. A ignorância é a pior das conselheiras, porque se cerca de aduladores que dizem suprimi-la ao ignorante. Ser governado por ignorantes, portanto, não nos parece algo inteligente e razão de orgulho; a ignorância geralmente produz fanáticos, homens de um livro só e pior, homens de livro nenhum.

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Não vos preocupeis se não deu certo na primeira vez. Insista, a Ópera Carmen foi um fracasso na sua estréia; hoje, é uma das mais executadas e encenadas no mundo.

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A política brasileira é piada desde que foi inventada. Aqui, o cidadão chama certo político de ladrão e o sujeito fica bravo, esperneia, ameaça processo; porque na na cabeça desse político, ele está cumprindo, patrioticamente, com sua obrigação e dever de esfolar o povo.

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.-- Acordaste cedo, hoje! -- observa, sorridente, o Portuga da Padaria.
-- É para ver o fim do mundo, com mais gosto e detalhes! -- disse a ele que, de boca aberta, nada entendeu.

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Ela me disse -- Estou meio ´´fora de si´´...
Eu a corrigi, delicadamente -- ´´Fora de mim´´... Você quis dizer...
Ela retrucou rindo -- Você também! Que legal! Vamos se dar bem!
Senti uma taquicardia. Realmente ela tinha uma terceira pessoa dentro de si, burra que doía. Daí pensei, mas era bonita e se houver justiça neste mundo, um dia ela perde a voz, fica muda, sei lá...

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Prometi não mais escrever sobre a Lua. Já tem muita Lua nos meus poemas, mas esta que está enquadrada na minha janela pede, suplica, ordena-me. É a última Lua Cheia deste Verão, do ano da graça de 2014.

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Foi difícil explicar para a infeliz que, com este corpinho, eu me encaixava melhor no estereótipo de símbolo sexual do que de poeta.

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Acabo de comer um abacate com gosto de abacate, pensando seriamente em algum dia transformá-lo num bife por meio de engenharia genética. Neste instante, suco de couve com maracujá, creio que agora sei o gosto da água daquele lago verde e poluído do Passeio Público.

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Um xingamento para lá de educado - por gentileza, excelência, nobre deputado: vá para a casa do falo!

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Aqui em Curitiba, para ver estrelas só se o peão apanhar da mulher ou da polícia. Céu sempre fechado.

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Os fotógrafos sabem disso. A variação da luz de uma estação para outra em Curitiba é um fenômeno que podemos verificar na prática. A luz das últimas semanas foi diminuindo como uma lâmpada em que se reduz a corrente elétrica que passa por ela e no Inverno essa variação será mais notável ainda. Um bom exercício seria fotografar o mesmo lugar em datas diferentes do ano e com a máquina sempre nas mesmas condições. A luz dá à fotografia sempre uma emoção diferente, é sua poesia.

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Esta minha firma anda mal. Não tenho nem mesmo um estagiário para dar um esporro quando some um capítulo inteiro do livro que estava editando. Pen drive lazarento!

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Não quero um mundo cão
Quero sim, um mundo são.

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Não, minha flor de jaca, antagônica não é uma anta agoniada.

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Um intelectual que tenta calar quem pensa diferente não é um intelectual, é um idiota sectário e presunçoso que aprendeu as letras sem entender seus significados. O pensamento se forma na multiplicidade das ideias e conceitos. Ideias antagônicas e díspares geram uma terceira ideia e outra e depois outra. Ideias iguais nada prosperam a não ser a ignorância que se encerra nelas próprias.

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O guri pançudo, ainda cheio de espinhas, veio e me falou que queria uma dica para publicar seu livro de poemas pelo governo e depois vendê-los. Disse-lhe, profundamente triste, pois ele começava mal -- Poesia não é mercadoria; vaidade e vagabundice não podem ser pagas com o dinheiro da fome de nosso povo. Tu serias excelente artista se pedisses que todo esse dinheiro, que é empregado para financiar vaidades, fosse usado para ajudar os que realmente precisam e morrem nas filas dos postos de saúde, por exemplo. Essa é uma das essências de toda arte que fala pelo coração: importar-se, antes de tudo, com o sofrimento de nossos semelhantes e não formar uma casta pretensamente intelectualizada que vive puxando o saco do governo, qualquer governo, para ganhar uns trocados do mecenato público.

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Vai minha amiga, vai meu irmão, vive. É tempo de viver e tu és nele.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Soneto do Jardim em Flor

Senta aqui ao meu lado, Amor
Aprecie o teu jardim comigo
Para os meus olhos é muita flor
Preciso dividi-las contigo

Assim como este morrer da tarde
Este nascer encantado dos escuros
E de todas a coisa que vivem neles
E que são da paz que eu procuro

Há uma estrela no céu argentina
Que com meus olhos míopes acuro
Traz-me a nota que a viola afina

Asim vou cantando a vida, Menina
Entre suas sovas, maldades e apuros
Canto a ti que meu peito ajardina.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A valquíria

Ah, se os deuses vikings
Fizerem acontecer o fim
Nesta manhã de sábado
E tudo que foi vaticinado
Em tempos obscuros
O início do final de tudo
Ah, meu Cariño, eu juro...
Das valquírias, a mais linda
Eu juro, eu juro, eu juro...
Pelos deuses mais sagrados
Que hei de morrer contente
Em teu colo, em teus braços
Odin há de me perdoar
Pois meu deus é o Amor
E mesmo na final batalha
No meu inevitável tombar
É a ti que hei de abraçar.


Luta de punhal

Travamos nesta vida louca batalha
Luta de mano, luta de punhal
Com a Verdade e sua afiada lâmina
Sempre disposta a golpe fatal
Muitos desistem do entrevero
A covardia não lhes permite
Enfrentá-la de peito aberto
Preferem o abraço amigo
E todos os falsos carinhos
Da doce e amistosa mentira
Por isso, de seus arrepios
Quando se deparam com ela
Com a Verdade das coisas
Com a realidade pesadelo
Por isso, inventam para si
Castelos de areia, contos de fadas
Mas, um dia neste mesmo castelo
Haverá a batalha final
Entre o demente que de si foge
E a Verdade dura e crua
Que se chama Morte.

Augusta Esdrúxula

Augusta, Augusta...
Augusta, estava tão amargurado
Que quis fazer rima esdrúxula
Toda cheia de babados
Para esse samba mal educado
Todo amalucado
Para pedir o teu perdão

Mas, hoje sei não... Sei não...
Augusta foste dona do meu coração
Hoje sei não... Sei não....
Se esse amor vale tanta paixão (bis)

É melhor fazer um choro
Desses de desconsolo
Com pandeiro e violão
Ando tão desnorteado
Que fico na rua parado
Esperando condução
Vou pra casa, perco o rumo
Sem prumo
Não tá fácil levar essa vida não

Augusta, augusta
Esdrúxula
Esdrúxula
Augusta
Me perdoe
Essa canção
Mas essa rima
Foi a que sobrou
Dessa paixão. (bis)

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Assombra-me

Como um fantasma a arrastar correntes
Tu frequentas meu sono e meus sonhos
Assombra-me a minh´álma a tua presença
Ilusão do desejo personificada na ausência.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Os estúpidos hão de pagar

À Genésis Carmona, in memoriam



Diante dos estúpidos
Toda beleza morre
Mas diante da coragem
E valentia de um povo
Diante da liberdade
Todo ditador imoral
Também sucumbe

A tua vida não foi em vão
Assim como a dos outros
Venezuelanos também não
E teu povo há de te vingar
Pois ainda há justiça neste mundo
E para buscá-la, basta lutar.



A Liberdade é poder pensar

A Liberdade não está no outro
Não está também em líderes
Geralmente falhos e sem brios
Ela é o teu pensar, está em ti
Contigo vive, mas deseja sair
Teu pensamento é a Liberdade

Se outros dizem, te comandam
-- Faças assim, desta forma e jeito
Pensa como nós e nada mais, ou
Não faças por tua sorte e vontade --
E tu obedeces, crês e a eles segues
Tu não vives. Tu és uma carcaça
De podre carniça a espera da morte.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Os vis tiranos

Quando surgem da noite em breu
As temíveis ondas e vagas de ódio
Ameaçando o que tu amas, os teus
Em violentos episódios de terror
Há de se levantar a voz do poeta
Pois a vida e o amor têm mais valor
Do que essas loucuras que nos infeta
Falsos perfumes de urdidos planos
A feder nas bocas dos dissimulados
Supostos democratas, porém vis tiranos.



domingo, 16 de fevereiro de 2014

Pelo que vale: Amor e Liberdade

Amor e Liberdade
São as duas coisas pelas quais vale a pena lutar nesta vida
Mas ambas nos impõem custos:

Entregar-se de coração é o preço do Amor
A coragem com valentia é o preço da Liberdade.

II

Há uma enorme diferença entre apoiar a liberdade em nome de coisas que na realidade são prisões e violência e a Liberdade que dignifica o homem, pois ela não tem outro nome e não é feita em nome de nada. Liberdade é Liberdade sem adjetivos e é ela que eu defendo, o resto é a liberdade das segundas intenções, geralmente más.

III

Falar de Liberdade para quem teima em ficar preso dentro de si, ou enterrado na vala comum das convicções alheias, é o mesmo que tentar explicar a maravilha das galáxias para um rochedo submerso em abissal oceano.

IV
Nessa vida não se inventou nada melhor do que o amor. Dinheiro, poder, posses, luxo, luxúria, etc, são paixões que nos igualam aos animais apenas. O amor nos aproxima do divino. Portanto, desperdiça a vida aquele que não ama, pois se primitiva carne somos, temos que usar o que nos diferencia das feras, a inteligência que nos foi dada para encontrar o divino que nos habita.

V
A paixão aprisiona,
O amor liberta.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Soneto da minha explicação

Há em mim a cronologia das eras
Que fala pelas minhas células
Desde os primeiros tempos
Até este tempo que está em mim

Sou a energia das luzes perdidas
Que erraram espaço afora
Numa velocidade desmedida
Para se dissiparem no agora

Assim, fui condensando matéria
Partículas de um mundo infinito
Elas são comigo e são eternas

De sorte, que vago pela Terra
Cantando aos meus bons amigos
Que viver é dádiva, não é castigo.

Telefone mudo

E se a TIM deixar... Te ligo
Para falar de amor neste dia
De São Valentim e perdão
E se o amor VIVO for
CLARO, mando mensagem
Pois o preço da ligação
É um castigo, amor, castigo.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Minha Companheira

Há anos, nem lembro quando
Fiz da Solidão minha companheira
Sim, minha amiga, fazemos bodas
De todas as companhias que tive
É a que mais me deu gosto
Ela tem o carinho do silêncio
Sabe a hora de chegar e de sair
Dorme sono tranquilo e a mim se abraça
E ouve-me e me dá conselhos
Que transformo em versos
E quando me faço triste, triste
Tão triste de não mais me querer
Ela sussurra-me aos ouvidos
Lembranças tão vivas, tão vivas
A devolverem-me a vontade de viver.

Dia de São Valetim

Sexta-feira festeira
Dia de São Valentim
Um bom dia sim
Para namorar, casar
Fazer besteiras.

Bingo

A Igreja anuncia grande bingo
Beneficente
E não oferece milagre como prêmio.

Feridas

Há homens que andam pelo mundo
Em grandes temores, com medo
Maldizem os céus, suas feridas
Mas se esquecem que os céus
Têm sob si a humanidade inteira
E que homem nasce de ferimentos
E viver nada mais é do que tentativa
De sarar-se, curar-se o tempo inteiro
Sem compreender os céus e seus medos.

Sereia mal cantada

Depois de tê-la visto ao banho no mar, disse-lhe -- tu és uma sereia! -- E ela me respondeu desapontada: -- Sereia é bicho de rabo grande... -- Pois é querida, não havia notado tua exuberância... Na água só dava para ver acima de teu pescocinho...

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Sextilha do bom caminho

Vou pelo bom rumo das flores
Pelas veredas da criação
Das coisas encantadas
Seguindo quem tem coração
Caminho que dão em nada
Ou da safadeza não sigo não.


Bolsa Baderna

Como é bom ser blaquibosta
Com cabeça de alfinete
Ganhar bolsa baderna
Cento e cinquenta por cacete

Como é bom ser blaquibosta
Um bosta que faz cagada
Matar gente honesta
Por causa da mesada.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Minha bandeira é branca


A esperança é minha bandeira
Branca, branca... Paz nunca morre
Morre o poeta, morre o homem
E outro sonhador vem e a carrega.

Poesia, a alma das coisas e criaturas


Para descrever as coisas, falar sobre elas, há de se ter prestado muita atenção no mundo, caso contrário, serão descritas e faladas apenas superficialidades, aquilo que todo mundo vê. A poesia é a linguagem apropriada para esse mundo que está aí e pouca gente sente. A poesia é a alma escondida das coisas e das criaturas.
II
Falsa é a ideia de que o poeta é um aluado, que não presta atenção em nada, na realidade, ele presta atenção em tudo.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Os Conformados


Conformados apenas esperam morrer: renderam-se à insensibilidade
Eles têm dentro de si o peso do vazio que os prendem às convenções
Tristes, são homens autômatos, coisas que perderam a poesia da vida.

Trabalho & Preguiça


O homem só trabalha para deixar a preguiça cada dia mais confortável.

Vadios, porém responsáveis


Poetas são os vadios mais responsáveis sobre a Terra. Sem eles, o sonho morre.

Chatices, só para depois


Procrastinar...
Um dos verbos mais preguiçosos de nossa língua
Sim, deixa para depois
Talvez amanhã
Sem data
Sem hora
Sem previsão
Para a hora que encaixar na agenda sempre vazia
Procrastina tudo aquilo
Que te alucina e aborrece
E não te apetece
A chatice
As tolices
As bugigangas
Tanta coisa à toa...

Sê feliz
Porque viver é o que interessa

Pois no tecer inexato dessa curta vida
Só a Morte nossa hora exata tece
E essa não se posterga, não tem conversa.

Não é só isso...

Não é só isso
Não é a esmola pública que damos aos pobres
Em forma de cestas e vales que humilham
Não
Não é esse falso desenvolvimento das classes
Essa falsa sensação de consumo no crédito
Não
Não é pelo subemprego e salários de fome
Destacados em estatísticas duvidosas
Não
Não é pelos milhares de universitários que estudam
E enchem as burras dos tubarões do ensino
Não
Não é pelo miserável mestre que ensina
Sem livros em escolas caindo aos pedaços
Não
Não é pelos milhões de analfabetos fora da escola
Condenados criminosamente à ignorância eterna
Não
Não é pelos banqueiros que sorriem e dão vivas
Após sugarem o suor do trabalhador e aposentados
Não é só isso
Minha revolta é contra a mentira de um governo cínico
É contra a propaganda da mentira
Não é só isso
Minha revolta é ver ladrões, ilusionistas, enganadores
Fingindo ser este o país do milagre e das maravilhas.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Os domingos azuis



Num céu tão azul assim, o calor é o de menos
Não há do que se reclamar
Pois dos melhores domingos
Que me lembro e que comigo tenho
Todos se fizeram em azul esplêndido.

Ombro a ombro

Quando em idos tempos
Em escuridão perdidos
Coloquei meu ombro
Junto aos ombros doutros amigos
E lutei e gritei contra a opressão
Era em defesa da liberdade
E dos meus compatriotas brasileiros
Não foi para defender, hoje, bandidos.

Margarida de vida torta


Não pertenço à sombra dos shoppings de Curitiba
Sou avesso as suas falsas badalações
O puxar de saco tão falso dos tapinhas nas costas
Sou das gentes das ruas, das vilas esquecidas
Dos loucos, dos estragados, dos lázaros
Converso com os desvalidos, com os esquecidos
Trato as pessoas por senhor, senhora, senhorita
Mesmo que senhores de roupas puídas
Senhoras de vidas tão sofridas, empregadas, diaristas
E canto para a senhorita de vida torta
Como se cantasse versos para triste margarida
Nascida no vão das pedras dessas pesadas portas
Que separam o que é povo dos que têm o rei na barriga.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Liberdade de pensamento

Só existe de fato uma liberdade, a de pensamento. As outras são falsas sensações que se submetem ao dinheiro e às convenções sociais. A liberdade de pensamento só depende do indivíduo, por isso é verdadeira. Portanto, jamais apoiarei a censura, mesmo diante do mais equivocado dos pensamentos.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Tua pele na tarde quente

Tarde quente
Calor e mormaço
Tua pele grudada
Na minha, queimo-me
Em ti que ardes

II

Tarde quente, quentinha
Tu a derreter-te em suor
E eu a derreter-me
Em jurinhas de amor.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Teorema das Paixões

Toda paixão em conformidade com os índices do coração
Deve ser maior do que zero
Dentro do Conjunto dos Amantes Irracionais
Nela nada pode ser menor ou igual a zero
Mesmo que não tenha aceitável correspondente no Conjunto B
Mesmo que os pares sejam desordenados
Ela deve ser tentada na mais perfeita irracionalidade
Mesmo que seus resultados sejam indeterminados
Sem elas, tu serás o homem que apenas respira
Um conjunto de células vazias, mais nada.

A pior das memórias

Tenho a pior das memórias
A que se lembra de tudo
Das paixões, os detalhes
Todos, dos sem importância
Até o gosto na língua.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Jogo de Capoeira

Olha o tombo na ladeira
Na Capoeira se você não vai, eu vou
Vou jogar a tarde inteira
Na Capoeira se você não vai, eu vou
Cuidado com a rasteira
Na Capoeira se você não vai, eu vou
É sempre a mesma confusão
Na meia-lua e na chapa de chão
Na Capoeira se você não vai, eu vou
Só troco a minha Capoeira
E esqueço o rabo de arraia
Se for moça solteira
Um bom rabo de saia
Na Capoeira se você não vai, eu vou.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Verdade & Mentira

A esquecida verdade e a viva mentira
São palavras longas
Para que lembremos seus longos efeitos.

***
Não existem pequenas ou grandes verdades
Não existem pequenas ou grandes mentiras
São palavras que intensidades não as modificam.


O Grito

No atual estágio da vil humanidade
O grito
É o mais sensato ato de civilidade.