segunda-feira, 29 de setembro de 2014

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Bundão primaveril

A bunda andante
Abundante
Visão do inferno de Dante
Diante de meus olhos
Segue errante e adiante
Por entre as flores da Rua das Flores
Nesta fria manhã primaveril.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Mais uma Primavera

Estás a acrescentar
Mais uma Primavera
Em tua vida
Eis o que importa
O resto são
Folhas mortas!

Poesia é o tato do espírito

Nos últimos séculos, a poesia sofreu a ditadura da forma, dos românticos aos concretos, poetas do mundo todo usaram a forma como camisa-de-força. Hoje não damos tanto importância à forma. Pois redescobrimos o óbvio: o segredo da poesia (que não é segredo para ninguém!) não está apenas na forma, mas na intensidade da mensagem e no equilíbrio entre sílabas fortes e fracas, ou seja, na cadência do verso. Os poetas gregos e romanos já sabiam disso ao desenvolverem todos os temas universais que perduram até nossos dias.

Assim, não obstante a tecnologia que se utilize, falamos de amor como falou Ovídio, cantamos o nosso tempo com igual intensidade de Catulo ou Camões, em pretensa modernidade, na soberba infantilidade de nos pensarmos fora dos paradigmas poéticos construídos por séculos. A poesia é nossa alma e se tem alguma coisa que nunca vai mudar é a alma humana, e por mais que o tempo passe, ela será a mesma sempre.

O sentir de hoje, dentro de nossos corações, é o mesmo sentir do homem da caverna que tateou o lado exterior da montanha em que se abrigava, em medo, susto e êxtase, ao se descobrir dentro de um contexto cada vez mais inexplicável, principalmente ao mirar os astros e as estrelas. Poesia é, portanto, a forma que encontramos de dar explicações ao que não se explica, de dizer o que não foi dito; é acrescentar em nós mesmos mais do que nossos cinco carnais sentidos, dando sutil tato aos nossos espíritos.

sábado, 20 de setembro de 2014

Ir, lusitano verbo

Essa vontade de sempre ir além
Nos faz seguir
Ignorando os perigos
Vaticinados nas irregularidades
Do mais lusitano dos verbos.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Ser diferente

Tanta gente tentando ser diferente.
Ah, se soubessem que neste mundo
Para se ser diferente basta ser gente!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

sábado, 13 de setembro de 2014

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Flor latente

Se dizes antigo amor ter esquecido
Tu mentes
Amor não se esquece, arrefece
Ele vive
Em saudade, como flor latente
Em espera
Para florar em oportuna Primavera.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Las aguas del amor

Beber de las aguas del amor
Es siempre tener sed
Una sed que nunca se acaba.

(Versão para o espanhol de Félix Coronel)

11 de Setembro

Rancoroso e odioso tempo em que vivemos
Diz-me uma mariposa que foge deste poema.
Não há luz, ela reclama, brilhos de encanto
Nas baionetas caladas, no fuzil que canta
Nos planos das carnificinas de novas guerras
Que hão de calar, como sempre, o canto dos pássaros
E, em asco, tornar maldita toda voz que na paz teima.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Todos são poetas

Aos 15 anos, todos são poetas. Aos 18, alguns continuam poetas. Porém, aos 20 anos, boa parte dos nascidos poetas se obriga a viver o que outros apelidam de realidade, a qual não passa de pobre invenção dos homens de ásperos espíritos, esses que colocam preço em tudo -- tolos, que nos deixam igualmente tolos e doentes do espírito, a nos venderem a suposta cura embutida em inutilidades artificiais. Assim, poucos continuam no caminho da convivência natural com as coisas que valem a pena e, principalmente, da magnífica convivência com o próprio espírito, com a nossa alma e essência humana, ou seja, com a poesia da vida.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O castigo do Vento

Por entre as vagas e ondas
O Mar brame teu nome
E o Vento ao castigar-me, diverte-se
Trazendo-me aos meus ouvidos
O que tolamente pensei ter esquecido.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Das coisas que não cuidei

Se te amei?
Sim te amei e como amei!
Mas, miseravelmente falhei,
Namorei a flor
E das raízes não cuidei.

Añoranza, dolor de los dolores

Mi vida fue hecha de dolor - dolor siempre
Y dolor uno no lo muestra, apenas lo siente
Dolor en altar, expuesto, es triste vanidad
Es dolor que se divide en dolores por maldad.

Tuve dolores pequeños y dolores enormes
Todos ellos me dejaron el pecho disforme
Dolores de dulce amor; de dulce quedó amargo
Dolores apasionados dejados a lo largo.

Pero, de los dolores no hay peor que el de la añoranza
Clavado como cruz en la soledad de la muerte
De los míos que me dejaron en vacía amistad.

Pero si la suma de los dolores nos sacan el norte
Es preciso arreglar el bien en la atrocidad
A fin de que se ría para fingirse fuerte.


(Versão para o espanhol de Félix Coronel)

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Matéria escura

Procuro tua matéria no escuro
Sigo teus suspiros, risos e ais
Sou tato a procura do prazer exato.

Inexplicáveis

Um grande problema
Que não adianta indagação
Por mais que se negue,
Por mais que se diga não,
Somos existentes, sem atinar
Nossa inexplicável dimensão.