terça-feira, 29 de novembro de 2011

Os números que vos representam

Deus meu, tenha misericórdia
Dos homens que contam o mundo
Em frias parcelas numerais...
Eis seus algarismos, eis nossos pecados:
Sete bilhões de almas
Dois terços de famintos
E outros tantos percentuais
De doentes, de sobreviventes
Dos que já repousam em terra fria
Dos que se cobrem com o vento
Daqueles que não têm alento
Daqueles que não sabem ler nem contar
E ignoram que são números
Talvez terror, errante erro,
Nas tabelas da indiferença
Do burocrata a calcular.


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Zanga das horas


Que enfado! Que amofinação!
Repetir a vida a vida inteira
Tirar a remela dos olhos, acordar
Escancarar a bocarra diante do espelho
Lavar os dentes que ruminam afazeres
Todos ainda por fazer
E que se repetem, repetem, repetem
Espero, hoje, algo novo no ritualístico
Caminho que vai da mesa ao sanitário
Talvez, uma música desrotinante, nova
Feita numa escala de doze ou mais notas
Realmente diferente
Para embalar o repetir e a zanga das horas.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Metafísica


Metafisicamente
Procuro teus olhos na noite
A Lua de monóculo
Grande e cheia
Não gosta de metafísica
Apaga-se em melancolias
E deixa-me o negro dos céus
A mostrar-me
Que nem em sonho
Teus olhos vivem.