quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Quisera só falar de amor

Quisera só falar de amor
De interior sentimento
Que não se faz parto
E que não se retira de dentro do peito
Em dor aguda
Como se fosse um dente são
Arrancado sem preparativos
E sem a piedade da anestesia

Quisera cantar a flor
E jamais a sua decadência
Que vai da bela e fresca cor
Para a putrefata murchesa
Sobre o próprio galho
Até servir de pasto aos insetos

Quisera ser poeta das coisas leves
E carregar um fardo de penas
E falsamente dizer aos que meu canto ouvem
As falsidades de um feliz poema

Quisera, cariño meu,
Que só você existisse neste mundo
E que todo o resto fosse somente isso
Resto
Coisa que de tão ruim
Não merecesse um único verso

Quisera... Mas, sou poeta
E meu coração me inquieta
E rumino esses males
Como quem chafurda os próprios excrementos
Para deles aprender como se faz
A natural transformação do que não presta
Em coisas tão sublimes como as rosas
Que se alimentam dos cadáveres da terra.

Um comentário:

iara vilella disse...

Nandé, quisera poder falar de sua inspiração ... quisera ...
mas só sinto uma beleza deslumbrante,um sentimento mágico!
Lindo, meu poeta !
iara