terça-feira, 31 de maio de 2011

Insultos por e-mail


Mandou-me um e-mail
Doido, patético, desaforado:

"Poeta do que é feio,
Pobre morfético, descomungado!",
Pois sua beleza estética
Nunca eu havia louvado.
Como não falar ou mencioná-la
Em versos, poemas e épicos?
Uma deusa na terra, um anjo encarnado!

Mando em resposta
Este e-mail perverso, porque fui provocado:

Você é engano para quem quer ser enganado;
É que sua imagem poética
Falsa e triste ficaria
A destacar uma linda cabecinha
Feita de vácuo perpétuo, dura e vazia.

Os poetas não mentem
Diante do esdrúxulo:
Bonita por fora
E por dentro pão bolorento!

Você é o invólucro do nada,
Embalagem do vento.

Como falar da rosa que nasce na bosta
Sem considerar a sabedoria da roseira,
As virtudes do solo e do adubamento?

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