Há pessoas que vivem
Ao nosso lado a vida inteira
E delas nem sabemos o cheiro.
Mas há outras que, num olhar apenas,
Nos gravam seus perfumes singulares
Em nossas almas por eternidades.
Nunca mais vou vê-la, sei disso,
Mas fica-me a imagem
Que guardarei junto a outras,
Tão distantes que parecem não vividas.
O que fazer com essas lembranças
De coisas boas, lindas, efêmeras
E experimentadas uma única vez?
Nunca mais a verei
E mesmo assim ela me acompanhará
Em leves sussurros a me dizer
De uma esperança inexistente
Além do pensamento, do sonho,
De algum dia tê-la inteira
A dar-me perfume às horas.
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