Uma mulher flutuava nua... A taverna à noite ardia, Mil poemas ali, no espaço, Desenhados pelo corisco Que rasgava o céu negro e nu. Vergílio estava sóbrio e quieto, Tinha em suas mãos novos versos Que o temporal logo ouviria. Tácito procurava a tragédia No vermelho do molho do prato Que levado à boca escorria Pela barba, peito, até a túnica. Nua flutuava uma mulher Na taverna que na noite ardia.
Em latim:
Limbi Taberna
Femina nuda fluctuabat... Noctu hac taberna ardebat Mille poemates ibi, in spatio, Fulmine adumbrabant Quod caelum nigerum et nudum lacerabat. Vergilius sobrius et quietus erat, Novi versus in manibus habebat Quos propediem tempestas audiret. Tacitus tragoediam quaerebat In rubricam conditionis patinae; Qui oris barba, pectore, Tunica tenus stillabat. Femina nuda fluctuabat In tabernam quam nocte ardebat.
Ilustração de Gustave Doré (séc. XIX): Dante, Homero, Lucano, Virgílio e outras grandes figuras da Antiguidade no Limbo.