sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Sina nordestina

A meu pai Heleno, nordestino e
pioneiro das terras norte-paranaenses
Sou um cabra nordestino,
Vim para o Paraná,
Encontrei aqui trabalho
Para o mato derrubar.

Ganhei tanto dinheiro
Que eu nem podia contar.
Passou tanto Janeiro
E eu querendo voltar.

Esqueci mariazinha
Que estava namorando,
Esqueci da rocinha
E do gado minguando.

Ah, meu Deus, triste sina
Do caboclo nordestino
Que deixa sua terra
Pensando voltar pro ano.

Hoje já estou bem velho
Mas, posso me alembrar
Do pedido do meu velho
Para um dia eu voltar.

Pra poder fazer uma prece
Junto ao cruzeiro da estrada,
Pois o infeliz não esquece
De sua primeira morada.

Quero lá deixar minha alma,
Aboiar os bois que não aboei.
Talvez no céu e com calma,
Abraçar a mãe que abandonei.

Ah, meu Deus, triste sina
Do caboclo nordestino
Que deixa sua terra
Pensando voltar pro ano.

3 comentários:

Luciene de Morais disse...

Que poema saudoso e sensível! Sniiifff

José Fernando Nandé disse...

Fiz para meus parceiros botarem música. Sacrifiquei um pouco a técnica em função do balanço lento, quase num galope, triste mesmo.

Lê, Mare disse...

lindo pai,triste mas,TALVEZ,seja um dos mais bonitos que eu ja li,perdendo apenas para aqueles que futuramente ira fazer!