segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Teus filhos




Ó Deus de todas as eras! Deus da guerra!
Vejo de novo as crianças trucidadas,
Mortas no solo sagrado palestino
À sombra da igreja, templo e sinagogas.

São cenas de terror ou apenas cenas
Para lembrarmos de tua ira e grandeza,
Ou para mostrarem nossa crueldade
Tão grande quanto de ordinário assassino?

São cruéis teus caminhos e mistérios,
Que toda fé não resiste e sucumbe
No sangue desses inocentes meninos.

Vamos à guerra em teu nome, bom Deus!
No matar - tolice! - não somos covardes!!
No matar somos, em verdade, teus filhos!!!

I

Terra de homens e santos,
Sagrada, purificada,
Santificada por teus mártires,
Levanta teu véu para chorar,
Levanta teus olhos e vê:
De tuas fontes brota o sangue
Do terror, da dor e morte.
Não escondas mais teus crimes!
Todos já sabem da infâmia
Ocultada pelos teus muros,
Outrora sólidos, firmes
E hoje finas cascas de vidro.

II

Ó Israel! Ó vil lugar
Da discórdia e do pecado;
Em nome do que é sagrado,
Hipócritas, despi-vos do véu!
Mostrai que vosso Deus é a paz,
Mostrai que vosso Deus é a vida
Tão sagrada quanto a terra
Que vossos imundos pés pisam.

Soem as trombetas agora,
Mostrem a carnificina
E que os céus nunca perdoem
Estas torpes iniquidades.
E que os infernos recebam
Os animais que usurpam
O Santificado Nome
Para matar a inocência.

3 comentários:

Luíza Lira disse...

"Ó Israel! Ó vil lugar
Da discórdia e do pecado;
Em nome do que é sagrado,
Hipócritas, despi-vos do véu!
Mostrai que vosso Deus é a paz,
Mostrai que vosso Deus é a vida
Tão sagrada quanto a terra
Que vossos imundos pés pisam.

Soem as trombetas agora,
Mostrem a carnificina
E que os céus nunca perdoem
Estas torpes iniquidades.
E que os infernos recebam
Os animais que usurpam
O Santificado Nome
Para matar a inocência."


Todo o poema é belíssimo, mas em especial essas duas últimas estrofes, me arrepiaram por dentro. Pura emoção!

José Fernando Nandé disse...

Obrigado Luiza. Vou criar um link da tua página no blog, caso tu permitas, é claro!

Luíza Lira disse...

Claro poeta. Obrigada!