quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Em nada

Às vezes fico com os olhos perdidos
Perdidos por aí
Você fala, fala, fala...
Da roupa, da festa, do dia
E eu nada escuto

"No que você está pensando?"

Olho para você e nada digo
A avó doente
O irmão imprestável
O limão e a cachaça
A vida e a morte
Um cachorro
Ou um filho

"No que você está pensando?"

Olho para você e nada digo
E rio no meu rio interior
Que vai da fonte
E corre além
Além de mim, além

E respondo:

"Nada. meu bem, em nada"

E no outro dia
Um poema sonhado
Surrado e pensado
Clava-se num papel amarelo

"Nada, meu bem, em nada".

5 comentários:

Luciene de Morais disse...

Essa é uma grande verdade, nos nossos pensamentos (e sentimentos) mais íntimos, estamos sós. Mas um pouquinho dá para partilhar, não?

José Fernando Nandé disse...

A poesia pode ser compartilhada sempre, por isso nunca as guardo na gaveta. Já os poetas nem sempre!

Luciene de Morais disse...

RISOS!!!!!!!!!

Amarildo Ferreira disse...

Não sei se é a Vida que imita a poesia ou a poesia que imita a Vida. Não, não, não...Pensando bem...Huummm... deixa pra lá!

José Fernando Nandé disse...

Amarildo:

Há uma cumplicidade aí, a vida e a poesia se imitam. Porém, a poesia dá o tom: tragédia ou comédia.
Seja bem-vindo.