quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Sonoridades mudas

O que dizem os acordes do violão distante
A não ser a solidão plena em Ré menor?

Grande é a distância entre o som vibrado
E aquele que nunca sairá da garganta
Venha senhora dos pensamentos meus
E diga-me o que vai em sua alma

Mostre-me tudo o que você não vai me falar
Nesta noite de abismos ao invés
Nas estrelas medidos e perdidos
Em mil sons, notas longas, decibéis

Conte-me o que você jamais ousaria
Faça um gesto com sua voz muda e conte-me
Do luar que desapareceu, das terras
Outras eras, outros mundos seus e só seus

Caminhe por todo o meu corpo
E aqueça este peito frio que lhe chama
Arda-me em seus s, no seu seio
E afague todas estas lembranças, chamas

Quero um poema mudo, um violão calado
Um segredo guardado e uma nota nua
Quero ouvir o que você fala e eu não escuto
Quero um sussurro em seu suspiro guardado

Sonhos sôfregos sofridos sorrateiramente soltos
Busquem os segredos desta mulher que me assombra.

3 comentários:

Luciene de Morais disse...

Gostei muito desse poema. A mim, pareceu a busca de um síntese, porém com uma certa descrença em alcançá-la.

José Fernando Nandé disse...

Este poema pertence ao meu primeiro livro, foi escrito no final da adolescência. Quisera fosse síntese, mas tornou-se sina. E desde então venho tentando ouvir a senhora dos pensamentos meus!

Luciene de Morais disse...

Depois que Mefistófeles falou conosco, não há como voltar a "arar o campo"...