terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Verão

Chove. Trovejou a noite toda.
É manhã. O céu é sem graça
E os olhos da desgraça
Avizinham-se, rondam-me.

É Fevereiro
Anúncio de Março,
Vermelho inferno
No céu feito de mormaço.

Canto e Vozes. Ouço um canto,
Soprado da igreja ao lado.
É um desses cantos antigos,
longos, medievais,
Anuncia: "O Paraíso é infinito
E os homens são mortais".

Caio em mim,
Ou antes, tropeço
E um anjo Serafim
Sopra-me aos ouvidos:

"Dezenove dias de Fevereiro,
Cinqüenta após Janeiro,
Sem respostas, sem cartas,
Ou um sinal de fumaça, talvez",

Choveu e nos meus olhos
Nem parece que tanta água desceu.

2 comentários:

Luciene de Morais disse...

Que verão triste...

José Fernando Nandé disse...

Faz parte de uma série de estações!