domingo, 26 de junho de 2011

História abreviada


Andei pelo Campo Santo,
Olhei morada por morada,
E vi nas fotografias
Histórias abreviadas,
Nos rostos da crianças,
Nos rostos dos homens,
Na beleza das mulheres eternizadas.

Andei pelo Campo Santo
Com um ramalhete de flores
Para enfeitar tua nova casa,
Para tê-las em teu jardim
E perfumar teu sono eterno.

Levei também um maço de velas
Para te fazer menos escuro
O caminho que caminhas
Desprovido de Sol, da luz que tinhas.

Levei ainda o último poema
Escrito para ti em desespero:
Foste tão cedo, na manhã da vida
E me deixaste antes do entardecer.

Fui ao Campo Santo dizer-te
Que tenho que quebrar meus votos,
Deixar de ser fiel a ti
Neste caminho que me resta.

Há muitos anos que não vivo
Porque deitei-me onde estás
Para esquecer-me. E ontem,
Num sonho disseste-me: viva!
E vivo teimosamente hei de ser.

2 comentários:

ana coeli disse...

"Eu vi nas fotografias
histórias abreviadas"Muito Triste, me emocionou..
Luz
Ana

José Fernando Nandé disse...

Às vezes a poesia nos sai assim. Ainda bem que é só às vezes! Caso contrário, não aguentaríamos escrever.