terça-feira, 19 de julho de 2011

A "expertise" dos jacus de teta


O Brasil não tinha uma boa ave mitológica
Até que a sábio e certeiro homem do povo
Criou o fantástico pássaro jacu de teta.

Resultante de uma cruza, porco tetrápode
Com a ave bípede, esse animal não anda direito
E também tem dificuldades para alcançar os céus.

Tal a Fênix, ele se banha em resina do que não presta
Para atear fogo sobre o próprio corpo
Porém, renasce das cinzas em ignorância profunda.

Não é ave solitária, gregária anda em bandos
Pela iniciativa privada. Da cloaca tira a iniciativa,
Usa e abusa do público com se usasse uma privada:
Defecando todos os horrores do mundo,
O roubo, a pilantragem, a dilapidação do erário.

Ave política, para justificar sua fome pelo patrimônio do povo
Inventa discurso novo, cheio de voltas e floreios
E palavras vazias de significados, mas que soam bonitas:
A última agora é a tal de "expertise",
Que roubou aos gauleses, mas que afirma ser dos ingleses.

Nem uma nem outra, caros jacus mamários:
Essa palavra é dos romanos e também de nossa língua.
Vem de primários tempos, sendo nada mais do que adjetivo
Com outra terminação, é claro: expertus, experto.

Assim sendo, caros jacus espertos,
As suas espertezas de voar sobre o idioma,
Como voa uma galinha, nos mostra que esperto mesmo
É falar experteza e não cantar como o galo europeu.
E depois, o povo brasileiro já sabe que a grande "expertise"
Desse pássaro folgado é se fingir de leitão para mamar deitado!

2 comentários:

ana coeli disse...

"É renascer das cinzas em ignorância profunda..."
Nandé,mestre das palavras, crítica com sabedoria...Não sabia desta ave brasileira,nem o mito.
Luz
Ana

José Fernando Nandé disse...

Está inventada em verso e prosa!