sábado, 2 de julho de 2011

Fuxico ao pé da cerca

- Foi?
- Foi e danou-se...
- Arrastada pelo tinhoso?
- Virge Mãe, desconjuro!
- Em dia santo?
- Santo Antônio, comadre!
- Lambeta, eu sabia!
- Que nada, menina danada...
- Já foi daqui embuchada?
- Não vi barriga...
- E o pai? Aquele lesado!
- Agarrou na bebida!
- E a mãe?
- Não fez caso...
- Que lambisgóia!
- É... Também é exibida!
- Quem é o moço?
- Não é aqui da vila...
- Não tem nome?
- Dizem que é Durvalino...
- O filho da Chica?
- Não. Ninguém conhece...Apareceu!
- Mas adadonde, filha de Deus?
- Na quermesse...
- Mas que cabra da peste!
- Ih, esqueci do almoço!
- Corre então, muié... A língua queima...
- Mas é a linguiça que no fogo padece!
- Inté!
- Inté, adepois nós proseia!

3 comentários:

ana coeli disse...

KKKKKK Muito bom! viu, nem foi preciso nascer no Nordeste! Já ouvi muitas dessas conversas aqui no Inerior, especialmente em Pocinhos, cidade onde passei minha infâcia...Inté, adepois noi proseia!
Luz
Ana

José Fernando Nandé disse...

Pois aqui vá mais prosa. Disse que Maringá foi colonizada por uma grande variedade de gente. O legal era ficar ouvindo as mulheres de origem italiana, vindas do interior de São Paulo, fofocando com as nordestinas. Era bem assim, estendiam a roupa no varal antes do almoço e danavam a falar da vida dos outros e lustrando o umbigo na cerca. E eu apenas ficava ouvindo, tentando decifrar aqueles dois idiomas que pareciam música.

ana coeli disse...

Voc~e tinha ouvidos de ouvir e não perdeu nada da riqueza de ver as mulheres e seus idiomas bem diferentes e musicais.Sua história deve ser bem bonita..
Luz
Ana