segunda-feira, 11 de julho de 2011

O que fica pelo tempo

Deixamos migalhas
De nós mesmos pela linha do tempo
Com o firme e doido propósito
De marcar caminho
Para um dia retornarmos
Do grande labirinto
Do Minotauro
No qual nos metemos.

Aprendi a infinitar-me em miúdos
Pedacinhos - uns maiores,
Outros menores, dependendo
De quanto me pedem.

Assim, ficaram partes de mim
Nas mãos de muita gente.
E de muita gente eu também
Coleciono porções diminutas.

Às vezes
Dou-me conta dessas porções
E tento juntá-las
Num esforço impossível,
Porque desprezo o ruim,
Aquilo que não serve
Para emendar meu coração
Feito de retalhos alheios.

Mas mesmo assim
Sou contente,
Há em mim apenas
A melhor parte das pessoas,
A mais pura paixão dos amores,
A plena gratidão dos amigos,
E lá no fundo, mil tijolinhos
De algumas mágicas horas
Somados às pequenas tristezas
Ao se tentar achar serventia
Até mesmo para os nacos
Que me deixam os infelizes.

2 comentários:

ana coeli disse...

"Aprendi a infinitar-me em miúdos"
Vi e senti teu poema como uma uma oração de humildade e agradecimento perante a vida...o que dizer?
Luz
Ana

José Fernando Nandé disse...

É isso, vivemos para nos dividir em pequenos pedaços. A magia está sempre em dar de si o melhor pedacinho!